Blog

  • Fluxo de IED ignora crise

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


    A crise internacional ainda não foi suficiente para abortar planos de investimento produtivo no Brasil. Dados preliminares do Banco Central (BC) revelam que ingressaram US$ 4 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) neste mês, até ontem. Mesmo sendo um resultado parcial, já é um volume recorde para meses de janeiro. Mas o País não ficou imune ao nervosismo externo. Neste mês, estrangeiros retiraram US$ 1,8 bilhão de aplicações em bolsa de valores e títulos de renda fixa.

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


    A crise internacional ainda não foi suficiente para abortar planos de investimento produtivo no Brasil. Dados preliminares do Banco Central (BC) revelam que ingressaram US$ 4 bilhões em Investimento Estrangeiro Direto (IED) neste mês, até ontem. Mesmo sendo um resultado parcial, já é um volume recorde para meses de janeiro. Mas o País não ficou imune ao nervosismo externo. Neste mês, estrangeiros retiraram US$ 1,8 bilhão de aplicações em bolsa de valores e títulos de renda fixa. Os dólares voltaram aos países de origem e derrubaram os preços no mercado brasileiro.


    No ano passado, o País recebeu US$ 34,616 bilhões em Investimentos Estrangeiros Diretos (IED, o maior valor já registrado pela série estatística do BC, iniciada em 1947, mais que o dobro do registrado em 2006 (US$ 18,782 bilhões). O montante equivale a uma média mensal de cerca de US$ 2,9 bilhões. Apesar do recorde, o valor do ano passado ficou um pouco abaixo dos US$ 35 bilhões previstos pelo BC. Na previsão feita pelo BC para 2008, de investimentos estrangeiros de US$ 28 bilhões, são considerados apenas novos investimentos. Em dezembro, esses investimentos somaram US$ 886 milhões.


    “A despeito da volatilidade externa, os ingressos (de IED) continuam significativos. Os recursos têm entrado pelos fundamentos e pela confiança na economia brasileira. Há saída de recursos em aplicações de mais curto prazo, como as ações e renda fixa”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Para o BC, o resultado do IED e o acesso que companhias brasileiras têm a empréstimos internacionais mostram que a crise não deteriorou a confiança dos estrangeiros com relação ao País. Lopes prevê que o mês termine com US$ 4,5 bilhões de IED.


    O economista-chefe do Banco Safra, Eduardo de Faria Carvalho, avalia que não é surpresa ver os bons resultados do IED. Ele explica que o investimento na construção de uma fábrica ou ampliação de uma unidade, por exemplo, é fruto de uma decisão de longo prazo. “Esses recursos têm entrado pelas perspectivas da economia brasileira. Eles olham para os fundamentos e não para o sobe-e-desce das bolsas”, disse. Mas se o setor produtivo não tem sentido a crise internacional, o mercado financeiro tem sofrido com a turbulência. Em janeiro, até hoje, US$ 1,8 bilhão em aplicações financeiras deixaram o Brasil. “A crise atinge os investimentos de curto prazo de forma direta, quase imediata”, disse Carvalho.


    A saída parece não ter surpreendido o BC. “Era de se esperar que o investidor de bolsa saísse daqui também”, disse Altamir Lopes. Ele argumenta que a retirada desses recursos é fruto de um movimento global, que derrubou praticamente todas as bolsas mundiais.


    A saída de estrangeiros, porém, não acontece apenas na Bovespa. É o que mostram os dados do fluxo cambial de janeiro, que teve saldo negativo total de US$ 1,65 bilhão até o dia 24. O chamado fluxo financeiro, que registra operações em bolsa, títulos, IED, empréstimos, remessas de lucros, entre outros, teve saída líquida de US$ 4,844 bilhões. Apesar disso, Lopes mostra tranqüilidade a respeito do quadro geral e diz que ainda não foi acesa a luz amarela.


    O professor da USP Fabio Kanczuk avalia que houve certo “pânico” inicial com a piora do noticiário internacional, mas não demonstra preocupação. Ele aponta a expectativa de novo corte do juro nos EUA como a principal notícia positiva. “A redução do juro americano faz com que investidores estrangeiros tenham mais ganho no Brasil. Isso aumenta a atratividade do País e deve amenizar essa fuga do início do ano”, diz.


    Negócios


    Para economistas, a forte entrada de IED neste mês, um número acima da média, pode ter sido influenciado pelo ingresso de recursos para pagamento de algum grande negócio fechado recentemente. Poderia estar relacionado, por exemplo, à compra, por US$ 5,5 bilhões, da MMX, controlada pelo empresário Eike Batista, pela mineradora inglesa Anglo American.


    A perspectiva, dizem os economistas, é de que os investimentos estrangeiros este ano fiquem próximos dos US$ 34,6 bilhões de 2006. “Gostaria de ver os dados com detalhes, porque é um número muito alto, em função da crise financeira internacional”, afirmou Júlio Sérgio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda e hoje assessor do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). “Algum fator extra deve ter entrado em cena para que o número ficasse tão alto.”


    Gomes de Almeida considera natural que haja desaceleração no ritmo de investimentos estrangeiros no País até que o cenário internacional fique mais claro. “O cenário continua muito favorável para o investimento externo no Brasil, e a razão principal é o crescimento da nossa economia.”


    O presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luís Afonso Lima, lembra que, se projetado para o ano, o número parcial de janeiro sinaliza um ingresso de US$ 53 bilhões ao País. “É óbvio que isso não vai se repetir, mas os próximos dados deverão ser muito bons, a despeito da incerteza em relação ao crescimento global.” A previsão da Sobeet para este ano é de ingresso de quase US$ 35 bilhões em investimento direto estrangeiro, repetindo o recorde de 2006.


    Na avaliação de Sérgio Vale, economista-chefe da consultoria MB Associados, a tendência geral dos Investimentos Estrangeiros Diretos no Brasil é de desacelerar gradualmente. A crise internacional, segundo ele, deve frear um pouco quem vai decidir investir no País e isso deve ser mais sentido nesse primeiro semestre. Também a crise de energia poderia afugentar investidores, observa o economista. “Se de fato se consolidar um cenário de energia ainda mais cara este ano, como esperamos, parte dos investidores pode ficar arredio e esperar para ver como a situação será resolvida”.


    No ano passado, o setor que mais recebeu investimentos estrangeiros foi o de metalurgia, que ficou com US$ 4,699 bilhões dos recursos que entraram. Em seguida ficaram os setores financeiro (US$ 4,524 bilhões) e de mineração (US$ 3,249 bilhões). O setor de serviços como um todo ficou com 46,9% dos investimentos recebidos, enquanto o industrial teve 39,3%, e o restante ficou com o agropecuário e o extrativo mineral.


     




     


     

  • Brasileiros gastam US$ 8,2 bi no exterior

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


    Os brasileiros gastaram como nunca no exterior em 2007. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, a conta de viagens internacionais em 2007 registrou despesas de brasileiros no exteror da ordem de US$ 8,21 bilhões, o maior nível da série histórica do BC, iniciada em 1947.

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


    Os brasileiros gastaram como nunca no exterior em 2007. De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, a conta de viagens internacionais em 2007 registrou despesas de brasileiros no exteror da ordem de US$ 8,21 bilhões, o maior nível da série histórica do BC, iniciada em 1947. O resultado reflete a combinação de um real valorizado, que torna mais baratas as viagens internacionais, com o aumento na renda dos brasileiros, proporcionado pelo crescimento econômico acelerado.


    Mas o Brasil também faturou como nunca com os estrangeiros que visitaram o País no ano passado: US$ 4,953 bilhões. O BC tem atribuído este movimento à melhora na infra-estrutura turística. O saldo líquido da conta de viagens internacionais em 2007 foi negativo em US$ 3,258 bilhões. E essa conta já iniciou 2008 com novo déficit. Em janeiro, até ontem, as saídas somam US$ 325 milhões. O resultado foi gerado pelas receitas obtidas com estrangeiros no Brasil de US$ 475 milhões e a despesa de brasileiros no exterior de US$ 800 milhões.


    Turismo


    “Esta é uma ótima notícia para se começar o ano e evidencia o peso do turismo na balança comercial brasileira, atualmente o quinto item da pauta de exportações”, disse a ministra do Turismo, Marta Suplicy, por intermédio de sua assessoria de imprensa. O setor fica atrás de minério de ferro, petróleo bruto, soja em grão e automóveis, de acordo com o ministério. Segundo a Embratur, um visitante estrangeiro gasta em média US$ 91,74 por dia. As estadas duram cerca de 18 dias.


    Outro destaque na conta de serviços foi a rubrica aluguel de equipamentos, que no ano passado teve um forte saldo negativo de US$ 5,37 bilhões, ante US$ 4,88 bilhões em 2006. Segundo Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do BC, o movimento foi reflexo da expansão dos investimentos no Brasil. Em janeiro, até ontem, essa rubrica registrava saída de outros US$ 201 milhões.


     


     

  • Conta corrente fecha com saldo de apenas US$ 3,5 bi

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


    As contas externas tiveram em dezembro de 2007 o pior resultado para o mês desde 2001, ao registrar déficit de US$ 699 milhões. Ainda assim, o dado é menos ruim do que esperava o Banco Central (BC), que projetava um déficit de US$ 1,8 bilhão no mês. Essa conta registra todas as operações de comércio, serviços e rendas do Brasil com o exterior. Com o resultado de dezembro, a conta corrente fechou o ano de 2007 com saldo positivo de apenas US$ 3,55 bilhões, o equivalente a 0,27% do Produto Interno Bruto (PIB).

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


    As contas externas tiveram em dezembro de 2007 o pior resultado para o mês desde 2001, ao registrar déficit de US$ 699 milhões. Ainda assim, o dado é menos ruim do que esperava o Banco Central (BC), que projetava um déficit de US$ 1,8 bilhão no mês. Essa conta registra todas as operações de comércio, serviços e rendas do Brasil com o exterior. Com o resultado de dezembro, a conta corrente fechou o ano de 2007 com saldo positivo de apenas US$ 3,55 bilhões, o equivalente a 0,27% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2006, o superávit foi bem maior: US$ 13,621 bilhões, correspondente a 1,27% do PIB.


    A redução de 1 ponto percentual do PIB no saldo em transações correntes em 2007 mostrou uma mudança de perfil nas contas externas brasileiras e pode significar o fim de um período, iniciado em 2003, de vultosos saldos positivos na conta corrente. Essa fase da economia brasileira foi acompanhada de uma constante valorização do real ante o dólar, o que facilitou bastante a tarefa do BC no combate à inflação e permitiu o enorme crescimento das reservas internacionais por meio das compras de moeda estrangeira em mercado. No ano passado, as reservas atingiram a marca de US$ 180,33 bilhões, ante US$ 85,839 bilhões em 2006.


    Dólares


    As compras de dólares pelo BC em 2007 somaram US$ 78,6 bilhões. “O balanço de pagamentos em 2007 teve uma característica um pouco distinta daquela que a gente vinha observando nos últimos anos, que era de saldos em conta corrente muito elevados e fluxos financeiros não tão elevados assim”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. “Nesse ano (2007), em especial, nós tivemos um dado positivo em transações correntes, mas menor, e fluxos financeiros bastante positivos”, acrescentou.


    Para Lopes, a mudança de perfil nas contas externas é natural e reflete a redução nos saldos positivos da balança comercial e o crescimento do déficit na conta de serviços e rendas. Este último foi determinado pelo volume recorde de remessas de lucros e dividendos, que, impulsionadas pelo câmbio valorizado e pela maior lucratividade das empresas, somaram US$ 21,2 bilhões, uma alta de 29,85% ante 2006. O menor saldo negativo da conta de juros, (US$ 7,12 bilhões em 2007 contra US$ 11,31 bilhões em 2006), ajudou a amenizar a piora nas remessas de lucros e dividendos.


    Para a economista-chefe do Banco ABN Amro, Zeina Latif, a trajetória de queda nos saldos em conta corrente deve continuar ao longo de 2008. Ela imagina que essa reversão pode ter algum impacto no câmbio, no sentido de desvalorização, mas evita fazer apostas.


    Zeina considera que uma recessão nos Estados Unidos pode deteriorar muito as contas externas. Mas ela não trabalha ainda com esse cenário. O ABN prevê um déficit de US$ 4,7 bilhões na conta corrente, projeção menor do que a média do mercado financeiro, que espera déficit de US$ 6 bilhões.


     

  • “Abertura dos Portos no Brasil – 200 Anos de História”

    A Federação do Comércio do Estado de São Paulo realiza hoje, dia 28 de janeiro, na sede da entidade, na capital, a abertura exposição Abertura dos Portos no Brasil – 200 Anos de História, que contará a história do período através de réplicas, maquetes, documentos, fotografias e pinturas.

    A Federação do Comércio do Estado de São Paulo realiza hoje, dia 28 de janeiro, na sede da entidade, na capital, a abertura exposição Abertura dos Portos no Brasil – 200 Anos de História, que contará a história do período através de réplicas, maquetes, documentos, fotografias e pinturas. O prefeito do município, Gilberto Kassab, participará do evento, que será conduzido pelo presidente da Fecomércio-SP, Abram Szajman.


    A exposição traça um panorama histórico-cultural do país sob o viés das relações comerciais, que não englobavam não apenas a exportação de matérias-primas como o pau-brasil, a cana-de-açúcar e o tabaco, mas também a importação de mão-de-obra africana e manufaturas. A vinda da Família Real para o Brasil e a criação do Corpo de Fuzileiros Navais estão entre os fatos apresentados pela mostra, que tenta mostrar a influência das artes, da cultura e do comércio sobre o país.


    A mostra, que tem curadoria de Marcelo Carvalho, é dividida em dez módulos, de acordo com os diferentes períodos históricos e ciclos econômicos atravessados pelo país, e será inaugurada no dia da assinatura, em 1808, da Carta Régia, que determinou a abertura dos portos brasileiros às Nações Amigas, pelo Príncipe Regente, Dom João VI.

  • Saldo da balança é de US$ 352 milhões na última semana de janeiro

    A balança comercial brasileira apresentou saldo positivo de US$ 352 milhões na quarta semana de janeiro, conforme dados divulgados nesta manhã pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.


    O montante é resultado de US$ 3,284 bilhões em exportações (média diária de US$ 656,8 milhões) e US$ 2,932 bilhões em importações (com média de US$ 586,4 milhões por dia). Em janeiro, a balança já acumula superávit de cerca de US$ 748 milhões, sendo US$ 10,858 milhões em exportações e US$ 10,110 milhões em importações.

    A balança comercial brasileira apresentou saldo positivo de US$ 352 milhões na quarta semana de janeiro, conforme dados divulgados nesta manhã pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.


    O montante é resultado de US$ 3,284 bilhões em exportações (média diária de US$ 656,8 milhões) e US$ 2,932 bilhões em importações (com média de US$ 586,4 milhões por dia). Em janeiro, a balança já acumula superávit de cerca de US$ 748 milhões, sendo US$ 10,858 milhões em exportações e US$ 10,110 milhões em importações.


    No ano passado, a balança comercial acumulou um superávit de US$ 40,039 bilhões, o que representa uma queda de 13,8% em relação ao registrado em 2006.

  • Governo quer convênio com o Sistema S

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    Na tentativa de driblar as restrições orçamentárias, o Ministério do Trabalho negocia com o Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Senac, entre outros) alternativas para elevar a oferta de qualificação de mão-de-obra. O ministro Carlos Lupi disse que pretende pagar ao sistema para que ofereça treinamento a trabalhadores que recebem o seguro-desemprego.


    Na negociação, o Sistema S teria de reduzir o custo da hora/aula, considerado elevado pelo governo.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    Na tentativa de driblar as restrições orçamentárias, o Ministério do Trabalho negocia com o Sistema S (Sesi, Senai, Sesc, Senac, entre outros) alternativas para elevar a oferta de qualificação de mão-de-obra. O ministro Carlos Lupi disse que pretende pagar ao sistema para que ofereça treinamento a trabalhadores que recebem o seguro-desemprego.


    Na negociação, o Sistema S teria de reduzir o custo da hora/aula, considerado elevado pelo governo. Em contrapartida, o governo supriria a ociosidade nos cursos oferecidos pelas entidades. “Já que as vagas iam sobrar, podem cobrar só metade do preço. Para o governo, isso permitirá que o trabalhador arranje um emprego mais rápido e reduza os gastos com as parcelas do seguro-desemprego”, afirmou Lupi.


    Para este ano, antes dos cortes iminentes do Orçamento por conta do fim da CPMF, estavam previstos R$ 857 milhões para a qualificação. Os recursos provêm do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), que também estão sujeitos à tesoura da equipe econômica.


    Seguro-desemprego


    Inicialmente, Lupi cogitou vincular o pagamento do seguro-desemprego a programas de treinamento, mas desistiu, pois isso exigiria mudanças na legislação.


    “Mas vamos tentar fazer um monitoramento, oferecendo treinamento a esse trabalhador. Isso deverá, inclusive, reduzir as fraudes no seguro-desemprego”, afirmou o ministro, referindo-se a casos de trabalhadores que simulam demissões para receber o benefício.


    “Sobra” 1 milhão de empregos qualificados


    O Brasil registrou em 2007 o pior desempenho na inserção ou recolocação de trabalhadores no mercado formal dos últimos anos. Dados do Sine (Sistema Nacional de Empregos) obtidos pela Folha mostram que o sistema público de recrutamento captou no ano passado o número recorde de 1,927 milhão de vagas no mercado, mas somente 907 mil foram preenchidas pelo sistema.


    Sobrou 1,02 milhão de postos -volume recorde. O índice de recolocação dos trabalhadores ficou em 47%, o que é o menor percentual desde 2000.


    Na avaliação do Ministério do Trabalho, que é o responsável pelo Sine, a falta de qualificação dos trabalhadores foi o principal obstáculo para a (re)inserção da mão-de-obra no mercado formal.


    A sobra de vagas ocorre num momento de expansão do emprego. Nesta semana, o IBGE divulgou a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país, que fechou o ano passado em 9,3% -o menor nível anual da série histórica iniciada em 2002.


    Entre as ocupações em que houve sobra de vagas em 2007 estão motoristas de carretas e engenheiros. No caso dos “carreteiros”, só 11% das vagas oferecidas no Sine foram preenchidas. A atividade influencia no sistema de transporte de carga e pode comprometer o escoamento da produção.


    “O empresário não vai colocar um caminhão que vale R$ 400 mil e uma carga ainda mais valiosa nas mãos de um trabalhador sem qualificação para a tarefa”, diz Ezequiel Nascimento, assessor especial do ministério. Entre os engenheiros, a falta de profissionais qualificados ocorreu principalmente no Estado de São Paulo.


    A atividade é crucial para o crescimento econômico, pois afeta projetos de infra-estrutura. O ministério destaca que a escassez de mão-de-obra qualificada é maior nos setores que estão sendo reativados, como a indústria naval, ou naqueles que respondem mais rapidamente ao crescimento econômico, como a indústria de base.


    “Se queremos crescer, é preciso superar a questão da baixa qualificação. Se não fizermos isso, essa carência de trabalhador qualificado poderá bloquear ou atenuar as possibilidades de crescimento da economia”, afirma o professor da Unicamp Cláudio Dedecca.


    O especialista avalia, porém, que os índices de recolocação por parte de sistemas públicos de emprego, não apenas no Brasil como em outros países, não são muito elevados, se situando entre 50% e 60%.


    “Além disso, não dá para termos esperanças. As empresas usam diferentes formas de recrutar trabalhadores no mercado. Além do sistema público, há o privado e a contratação direta”, afirma.


    Dedecca diz que o país atravessou longo período sem crescimento contínuo do mercado de trabalho formal, o que teria “sucateado” as vagas existentes e também levado as empresas a não investir em treinamento.


    No ano passado, o Ministério do Trabalho direcionou R$ 114 milhões para programas de qualificação. A Folha não conseguiu levantar o quanto foi efetivamente gasto.


     

  • Inclusão no Simples será automática

    Gazeta Mercantil  Editoria: Direito Corporativo   Página: A-10


    Micro e pequenas empresas que tiverem inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) a partir de 1º de janeiro já serão automaticamente consideradas como optantes do Simples Nacional (sistema simplificado de tributação para micro e pequenas empresas) na data de abertura no CNPJ. A medida, divulgada na última quinta-feira no Diário Oficial da União, foi aprovada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional na segunda-feira passada.

    Gazeta Mercantil  Editoria: Direito Corporativo   Página: A-10


    Micro e pequenas empresas que tiverem inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) a partir de 1º de janeiro já serão automaticamente consideradas como optantes do Simples Nacional (sistema simplificado de tributação para micro e pequenas empresas) na data de abertura no CNPJ. A medida, divulgada na última quinta-feira no Diário Oficial da União, foi aprovada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional na segunda-feira passada.


    Para as empresas com cadastro até 31 de dezembro de 2007, vale a regra anterior. Os efeitos da opção pelo Simples Nacional, regime tributário simplificado também conhecido como Supersimples, só passam a valer a partir da aceitação da inscrição do CNPJ pelos governos estaduais e pelas prefeituras.


    Escrituração contábil


    Em outra resolução, o Comitê Gestor alterou também as regras para a apresentação da escrituração contábil das empresas optantes do Simples Nacional. Hoje, as empresas que aderem ao programa devem fazer o registro e controle das operações e prestações por elas realizadas por meio de diversos livros contábeis, dentre eles o Livro Caixa, Livro de Registro de Entradas, Livro de Registro de Impressão de Documentos Fiscais, dentre outros.


    Alguns desses livros podiam ser dispensados pelo ente tributante, dentro de sua competência, ou seja, estado ou município. Agora, as empresas do Supersimples estão dispensadas da apresentação do Livro Caixa, caso os Livros Diário e Razão façam parte da escrituração contábil.


    Contabilidade simplificada


    Além disso, o comitê aprovou a apresentação da contabilidade simplificada desde que observadas as regras previstas no Código Civil e nas Normas Brasileiras de Contabilidade, editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade. O empresário individual com renda bruta anual de até R$ 36 mil está dispensado da escrituração contábil.


     




     


     


     

  • Receita deve chegar a até R$ 9 bilhões

    Gazeta Mercantil  Editoria: Política   Página: A-9


    O presidente da Comissão Mista de Orçamento, o senador José Maranhão (PMDB-PB) tem uma má notícia para o governo: cálculos preliminares demonstram que a reestimativa de receita do Orçamento não deve ultrapassar R$ 9 bilhões. O governo espera que a cifra alcance pelo menos R$ 10 bilhões.

    Gazeta Mercantil  Editoria: Política   Página: A-9


    O presidente da Comissão Mista de Orçamento, o senador José Maranhão (PMDB-PB) tem uma má notícia para o governo: cálculos preliminares demonstram que a reestimativa de receita do Orçamento não deve ultrapassar R$ 9 bilhões. O governo espera que a cifra alcance pelo menos R$ 10 bilhões. Se essa reestimativa for confirmada no mês que vem pelo relator de receitas da comissão, senador Francisco Dornelles (PP-RJ), os Três Poderes e o Ministério Público terão de cortar mais de R$ 20 bilhões para compensar a extinção da Contribuição Provisória sobre movimentação Financeira (CPMF).


    Com ironia, Maranhão tenta acalmar o governo. Argumenta que o Executivo não tem que se preocupar, pois não conseguirá investir todos os recursos que planeja. Em entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil e à Gazeta Mercantil, ele também fala da pressa dos integrantes da comissão para aprovar o Orçamento. Comenta ainda a demora do julgamento de suas ações contra o governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). Se o tucano for cassado, Maranhão assumirá o governo daquele estado, pois foi o segundo mais votado na eleição de 2006.


    Segundo o senador, no próximo dia 12 a comissão deverá discutir e votar o relatório geral, do deputado José Pimentel. “Temos que fazer um esforço concentrado, queimar etapas, nos reunir dia e noite para concluir esse trabalho dentro do período de vigência dos mandatos dos atuais membros da comissão, porque na segunda semana de março já deverá estar instalada a nova comissão.”


    Hoje a comissão trabalha com R$ 9 bilhões de crescimento da receita, mais 10 bilhões do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e da Contribuição sobre Lucro Líquido (CSLL) e é só, garante Maranhão. “Seguramente não têm outras fontes. Nós sabemos que os cortes são desconfortáveis, mas, com otimismo, temos que considerar que o corte pode não ser algo tão catastrófico.”


    Como exemplo ele cita a execução orçamentária, onde o governo não conseguiu aplicar todos os recursos disponíveis no Orçamento de 2007 – R$ 27 bilhões – e acabou empenhando esse montante em restos a pagar para 2008. “Se foi difícil ao Executivo aplicar os recursos de 2007, como será possível aplicar todos os recursos de 2008 somados aos restos a pagar de 2007?


    Isso nos deixa um pouco à vontade para exercer a tarefa, que não é fácil, de adequar a despesa orçamentária, ou seja, os investimentos, à queda da receita que houve com o fim da CPMF.”


    “Nós estamos baseados em parâmetros históricos. Durante um período de 10 exercícios consecutivos, todas as previsões do Legislativo se confirmaram com a arrecadação.”


    Ao afirmar a necessidade cortes, ele esquivou-se de dar uma resposta direta. “Não podemos, no momento, citar nominalmente que área de governo. Mas nós vamos adotar o mesmo critério para todas as áreas”, disse ele, acrescentando que os cortes vão incidir preferencialmente em obras novas, obras que não foram iniciadas ainda, respeitando-se tanto quanto possível os investimentos das obras já iniciadas.


    “Eles vão, também, incidir em despesas que podem ser reduzidas, como a despesa de alguns custeios, como as despesas com a própria máquina, diárias, ajuda de custos e cartões de crédito.


    Emendas individuais


    Outro ponto destacado pelo senador diz respeito às discussões sobre a importância das emendas individuais sobre as emendas coletivas e vice-versa. Segundo ele, no Congresso a maioria esmagadora dos parlamentares vai optar pelas emendas individuais. “Porque as emendas individuais chegam a pequenos municípios do Brasil, onde os grandes projetos nunca chegam”, disse ele, afirmando que, geralmente, os grandes projetos contemplam as regiões mais ricas, mais desenvolvidas e mais populosas. “Muitas das emendas coletivas já estão contemplando obras do PAC”, disse.


    “As emendas individuais não serão atingidas, elas são genuinamente voltadas para pequenos projetos em pequenas comunidades. Os projetos macro do governo nunca chegam às pequenas cidades”, afirmou. As emendas individuais são de R$ 8 milhões ao ano, mas podem mudar.


    Quanto às reclamações de falta de liberdade para mexer no Orçamento feitas pelo Executivo, Maranhão responde que “em nenhum país do mundo o Executivo é mais livre na questão orçamentária do que no Brasil. Até porque o Executivo só cumpre o Orçamento se quiser cumprir. Se não quiser, contingencia. E o percentual de contingenciamento é sempre muito alto”.


     


     

  • Estratégia comercial alimenta incertezas

    O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: H-2


    No ano passado, o Brasil movimentou US$ 281,2 bilhões nos portos, resultado de US$ 160,6 bilhões em exportações e de US$ 120,6 bilhões em importações. Mas amargou um sinal que tende a se manter nas contas dos próximos anos.


    Em 2007, o saldo positivo de US$ 40 bilhões foi US$ 6,4 bilhões menor que o do ano anterior – um reflexo do ritmo mais acelerado das compras externas que dos embarques de produtos brasileiros.

    O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: H-2


    No ano passado, o Brasil movimentou US$ 281,2 bilhões nos portos, resultado de US$ 160,6 bilhões em exportações e de US$ 120,6 bilhões em importações. Mas amargou um sinal que tende a se manter nas contas dos próximos anos.


    Em 2007, o saldo positivo de US$ 40 bilhões foi US$ 6,4 bilhões menor que o do ano anterior – um reflexo do ritmo mais acelerado das compras externas que dos embarques de produtos brasileiros. Os saldos dos próximos anos, portanto, tendem a ser menos polpudos.


    Fernando Ribeiro, economista-chefe da Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex), chama a atenção para o fato de que as exportações de 2007 foram muito favorecidas pelos preços elevados das matérias-primas comercializadas em larga escala no mercado internacional. Em valores, houve aumento de 16,6% em relação ao ano anterior.


    Em quantidade, entretanto, os embarques cresceram apenas 6%, ante 22% em 2004. As importações, em valores, aumentaram 32% em 2007, duas vezes mais que as exportações.


    “Apesar das reservas internacionais elevadas, não se pode descartar problemas futuros nas contas externas, provocados pela queda dos saldos comerciais”, afirma Ribeiro.


    O secretário de Comércio Exterior Welber Barral afirma que o País rompeu pelo menos três vícios históricos na área de comércio exterior nos últimos anos e ganhou fôlego para se ampliar. A falta de cultura exportadora no setor empresarial era um dos vícios mais arraigados e impedia até a formação de mão-de-obra para a atividade.


    A busca por mercados tradicionais, o segundo vício, foi diluída pela promoção comercial em países que não estavam entre os destinos da pauta exportadora. O terceiro vício superado foi o da venda de produtos sem valor agregado, que hoje se expressa tanto na venda de aviões da Embraer como na de carnes e outros produtos do setor agropecuário.


    No comércio bilateral, a China despontou como ameaça, mas igualmente como uma mina de negócios. Em 2007, as importações de produtos chineses alcançaram US$ 12,6 bilhões e o país figurou como segundo maior provedor de bens para o Brasil, depois dos Estados Unidos. Do total importado pelo País no período, 10,5% vieram da China.


    Esse fato disparou a gritaria do empresariado nacional e levou o governo a restringir o ingresso de produtos têxteis e outros itens e a aumentar as investigações de dumping e subsídios nessas importações.


    Mas as exportações e as perspectivas de investimentos brasileiros na China também cresceram. Em 2007, as exportações para o mercado chinês somaram US$ 10,7 bilhões, 6,7% dos embarques brasileiros do período. Cerca de dois terços desse total correspondeu a minério de ferro e soja.


    Na vertente diplomática, a política comercial contornou as negociações com grandes parceiros, manteve o foco na negociação da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e na integração sul-americana e investiu em acordos mais limitados que os de livre comércio com países em desenvolvimento.


    O Mercosul tem acordos de livre comércio apenas com o Chile, Israel e a Comunidade Andina de Nações (CAN). Com a Índia, o México e a África do Sul fechou acordos de preferências tarifárias, menos abrangentes.


    Nos últimos três anos, o Mercosul abortou a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), suspendeu conversas com a União Européia e começou a negociar com o Marrocos.


    Para o embaixador José Botafogo Gonçalves, um dos principais negociadores comerciais do governo Fernando Henrique Cardoso, o atual governo exagerou ao vetar negociações com a União Européia e da Alca. “Prevaleceu a política indecisa, com visão de curto prazo”, diz Botafogo.


    Celso Lafer, ex-chanceler de FHC, concorda com Botafogo que a inserção do Brasil nos fluxos econômicos mundiais, por meio de acordos comerciais, depende de medidas internas na infra-estrutura e logística e na adoção de um modelo mais competitivo de tributação. Mas alerta que, na medida em que outros países se adiantaram na realização de acordos de livre comércio, o Brasil se vê cada vez seus produtos serem discriminados nesses mercados. No mundo, há mais de 150 acordos de livre comércio em aplicação.


    A Rodada Doha, na qual o Brasil apostou, não deverá ser encerrada este ano. Em 2009, dependerá da estratégia comercial do sucessor de George W. Bush na presidência dos Estados Unidos e do perfil do Congresso americano, que se mostra mais protecionista.


     


     


     

  • Crise pega Brasil e o mundo mais ricos

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    A atual crise financeira atinge uma economia global fortalecida e que vem de seu mais longo período de exuberância em três décadas. Foram cinco anos consecutivos de crescimento forte, lucros recordes, redução do endividamento privado e de ganhos nas Bolsas.


    Tudo acompanhado pela estréia de novos “motores” de peso para o PIB mundial, como China, Índia e, mais modestamente, Brasil e Rússia.


    Para economistas e empresários ouvidos pela Folha, é cedo para estimar o tamanho e a profundidade da crise.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    A atual crise financeira atinge uma economia global fortalecida e que vem de seu mais longo período de exuberância em três décadas. Foram cinco anos consecutivos de crescimento forte, lucros recordes, redução do endividamento privado e de ganhos nas Bolsas.


    Tudo acompanhado pela estréia de novos “motores” de peso para o PIB mundial, como China, Índia e, mais modestamente, Brasil e Rússia.


    Para economistas e empresários ouvidos pela Folha, é cedo para estimar o tamanho e a profundidade da crise. O ponto-chave será o alojamento ou não de uma recessão nos EUA.


    Mas o consenso é que as empresas produtivas e os fundamentos dos emergentes estão bem mais sólidos hoje do que em crises anteriores, como as de 1999 e 2002 no Brasil.


    “Certamente o Brasil vai sofrer se uma recessão de fato atingir os EUA, algo que ainda está para ser comprovado”, afirma Frederick Jaspersen, diretor para a América Latina do IIF (Instituto de Finanças Internacionais), que reúne os 320 maiores bancos do mundo.


    “Mas é certo também que o Brasil e todo o setor privado brasileiro e internacional, mesmo boa parte do financeiro, estão em boas condições de agüentar o tranco depois de vários anos de resultados fortes.”


    Nos últimos cinco anos, em que o crescimento médio do mundo girou em torno de 5%, até os países africanos e vários latino-americanos conseguiram atingir taxas acima de 6%.


    No caso do Brasil, o crescimento ficou abaixo da média mundial, mas houve importantes avanços macroeconômicos: o país acumulou US$ 185 bilhões em reservas, quase zerou a dívida pública referenciada em dólares, multiplicou o saldo comercial e avançou mais dependente do mercado interno do que das vendas e do humor econômico de outros países.


    As empresas brasileiras também tiveram os maiores lucros da história nos últimos anos (refletidos na alta de 410% da Bovespa a partir de 2003), reduziram o endividamento e ampliaram investimentos.


    Preço da exuberância


    Mas o que a forte turbulência e a indefinição nos mercados mostram, na opinião desses analistas, é que parte da conta dessa exuberância toda chegou.


    Os rombos em operações de crédito e a ameaça de uma recessão nos EUA seriam conseqüência dos excessos praticados por bancos e investidores em um mercado que vinha “nadando em dinheiro” -conforme definição de relatório do FMI (Fundo Monetário Internacional) de 18 meses atrás que já alertava para o risco crescente de negligência em empréstimos bancários, especialmente no setor imobiliário nos EUA.


    Mas a gangorra atual na Bovespa seria mais reflexo da necessidade de investidores estrangeiros em cobrir rombos nos EUA do que de uma expectativa de maior risco ou de forte desaquecimento no Brasil.


    “Não se trata de aversão ao país, mas de necessidade de caixa. Depois de ganharem 44% na Bovespa em 2007, é natural que os investidores realizem lucros aqui para cobrir buracos em outras praças”, diz Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora de Câmbio.


    Nehme também não prevê uma valorização descontrolada do dólar, como em outros momentos em que a moeda disparava diante de incertezas. Ao contrário, a expectativa é que o diferencial entre os juros brasileiro e americano (11,25% ao ano aqui e 3,5% lá) atraia mais à frente nova leva de dólares em busca de ganhos.


    Para os empresários Paulo Skaf, presidente da Fiesp, e Armando Monteiro Neto, presidente da CNI, a atual crise merece toda a atenção, mas ainda não afetou as perspectivas de negócios e investimentos.


    “Nada mudou na economia não-financeira. Parece mais uma crise de excesso de dinheiro no mercado que levou a exageros em empréstimos. Não devemos nos precipitar em conclusões negativas”, afirma Skaf.


    Mercado interno forte


    Para Monteiro Neto, “é impossível achar que o Brasil conta com uma blindagem absoluta”.


    “Mas há muitos negócios e investimentos em marcha que não devem parar. O mercado interno permanece muito aquecido, e as empresas estão apostando nisso”, diz.


    Um dos maiores exemplos disso é a construção civil. Segundo João Claudio Robusti, presidente do SindusCon-SP, o setor cresceu cerca de 8% em 2007 e contribuiu com quase 10% no PIB.


    Em 2008, os negócios já contratados e financiamentos aprovados devem garantir um crescimento setorial superior a 10%, ampliando ainda mais a participação da construção no PIB brasileiro.


    “Só uma hecatombe como a crise de 1929 não deixará o setor crescer”, diz Robusti.


    No ano passado, a força do mercado interno elevou as vendas no comércio em torno de 6%.


    Para 2008, com a crise se avizinhando, a previsão é mais modesta, mas ainda positiva, de alta de pelo menos 3%.


    “A hipótese de o Brasil se desligar da tomada do mundo e crescer sozinho não é plausível. A tendência é haver uma redução da velocidade de aumento da oferta de crédito e um congelamento de prazos. Sem grande impacto sobre as vendas, mas que requer atenção”, diz Altamiro Carvalho, assessor econômico da Fecomercio SP.


    Em um cenário de recessão nos EUA, os setores brasileiros mais afetados seriam os exportadores, principalmente de commodities (produtos minerais e agropecuários), cujas vendas e preços crescem fortemente nos últimos anos.


    Não somente 16% das exportações brasileiras são dirigidas aos EUA como os norte-americanos também são os grandes responsáveis pelas compras da China. Se os EUA esfriam, a China terá menos mercado e, conseqüentemente, tende a reduzir compras de matérias-primas de países como o Brasil.


    Para Mark Smith, vice-presidente-executivo do Brazil-US Business Council, que reúne, entre outras, 201 das 500 maiores multinacionais dos EUA com operações no país, “ainda é muito cedo para ficar pessimista com a economia dos EUA e seus reflexos no Brasil”.


    “A maioria das empresas norte-americanas teve, em todo o mundo, os últimos melhores anos de suas vidas. Apesar do atual risco de desaquecimento americano, poucos se dão conta de que, com o dólar mais fraco, essas companhias também ampliaram em cerca de 13% as suas exportações em 2007 a partir dos EUA”, afirma.

    Smith diz também que, com o crescimento hoje mais “esparramado” por várias regiões do globo, dificilmente economias com fundamentos sólidos como a brasileira sofrerão terrivelmente em uma eventual recessão nos EUA -que ele próprio não vê no horizonte.

    “No final dos anos 90, economias emergentes como a chinesa apenas estavam entrando no radar. Hoje, são protagonistas da atual onda de crescimento.”