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  • Proposta fixa valor de anuidade de representante comercial

    A Câmara analisa proposta de fixação do valor das anuidades e taxas pagas pelos representantes comerciais, pessoas físicas e jurídicas, aos conselhos profissionais regionais da categoria. De acordo com o Projeto de Lei 1756/07, do deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), a anuidade para pessoas físicas será de até R$ 350, enquanto a taxa de registro não poderá ser maior que R$ 150.


    Já a anuidade para as pessoas jurídicas será fixada de acordo com o capital social da empresa.

    A Câmara analisa proposta de fixação do valor das anuidades e taxas pagas pelos representantes comerciais, pessoas físicas e jurídicas, aos conselhos profissionais regionais da categoria. De acordo com o Projeto de Lei 1756/07, do deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), a anuidade para pessoas físicas será de até R$ 350, enquanto a taxa de registro não poderá ser maior que R$ 150.


    Já a anuidade para as pessoas jurídicas será fixada de acordo com o capital social da empresa. O valor poderá variar entre R$ 350, para empresas com capital de R$ 1 (um real) a R$ 10 mil, e R$ 1,3 mil para empresas com capital acima de R$ 500 mil.


    O projeto altera a Lei 4.886/65, que regula as atividades dos representantes comerciais autônomos.


    Taxas

    Ainda segundo a proposta, as taxas por serviços prestados pelos conselhos regionais, relativos à emissão de documentos e outros atos administrativos, custarão até R$ 50. Já a taxa de registro para as pessoas jurídicas será de até R$ 200. Os valores serão corrigidos anualmente pelo índice oficial de preços ao consumidor.


    O projeto também estabelece descontos de 10% para o pagamento da anuidade feito até o dia 31 de março de cada ano; de 15% até 28 fevereiro; e de 20% até 31 de janeiro. As anuidades que forem pagas após o vencimento terão multa de 2% e juros de mora por mês de atraso de 1% , além de atualização monetária pelo índice oficial de preços ao consumidor.


    Contribuições

    Segundo o autor da proposta, as anuidades e taxas pagas pelos profissionais registrados aos órgãos fiscalizadores são consideradas contribuições de interesse das categorias econômicas e somente poderão ser exigidas, aumentadas e cobradas por meio de lei que assim estabeleça, conforme determina a Constituição Federal.


    O deputado lembra que o sistema composto pelo conselho federal e pelos conselhos regionais dos representantes comerciais foi criado pela Lei 4.886/65, recebendo da União a incumbência de fiscalizar o exercício da atividade de representação comercial em todo o País. Ele ressalta, entretanto, que a delegação da fiscalização pelo Estado obriga os conselhos a “executarem seus deveres institucionais com recursos próprios”, mediante arrecadação de anuidades e taxas devidos pelos profissionais registrados.


    A Lei 4.886/65 autoriza os conselhos regionais a fixarem as anuidades que deverão ser pagas pelos profissionais e empresas neles registradas. Contudo, o deputado ressalta que muitas “decisões judiciais vêm manifestando o entendimento de que as contribuições devidas aos conselhos de fiscalização têm natureza tributária e somente poderão ter seus valores fixados por lei, e não por ato administrativo dos conselhos”.


    Tramitação

    O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


    Agência Câmara, 22 de janeiro de 2008.

  • Deputado pode ser proibido de aceitar viagens e presentes

    De autoria da deputada Sueli Vidigal (PDT-ES), o Projeto de Resolução (PRC) 74/07 especifica as vantagens oferecidas a parlamentares que representam quebra de decoro parlamentar. Pela proposta, pode perder o mandato deputado que viajar em aviões privados pagos por amigos ou empresas ou receber presente de empresas e empresários com contratos com o governo.

    De autoria da deputada Sueli Vidigal (PDT-ES), o Projeto de Resolução (PRC) 74/07 especifica as vantagens oferecidas a parlamentares que representam quebra de decoro parlamentar. Pela proposta, pode perder o mandato deputado que viajar em aviões privados pagos por amigos ou empresas ou receber presente de empresas e empresários com contratos com o governo. O projeto ainda estabelece que o parlamentar também ficará proibido de aceitar festas e refeições pagas por empresas ou empresários.


    Atualmente, o Código de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara (Resolução 25/01) diz apenas que os deputados não podem receber vantagens indevidas. Na opinião da deputada, o Código de Ética representa um marco na história do parlamento brasileiro ao estabelecer como devem agir os parlamentares no exercício de um mandato. Neste caso, no entanto, segundo ela, os procedimentos anti-éticos não ficaram suficientemente claros.


    Tramitação

    Em regime de urgência, o projeto terá análise conjunta com o Projeto de Resolução 63/00, da Comissão Especial da Reforma do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, que estabelece várias mudanças nas regras de funcionamento da instituição. Ambos encontram-se na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e têm de ser votados pelo Plenário.


    Agência Câmara, 22 de janeiro de 2008.

  • Dornelles propõe novo conselho para combater dumping e subsídios

    Com o objetivo de dificultar o ingresso no país de produtos com preços inferiores aos praticados no mercado de origem (prática conhecida como dumping) ou com altos subsídios, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) sugeriu a criação do Conselho de Defesa Comercial, órgão federal deliberativo vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

    Com o objetivo de dificultar o ingresso no país de produtos com preços inferiores aos praticados no mercado de origem (prática conhecida como dumping) ou com altos subsídios, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) sugeriu a criação do Conselho de Defesa Comercial, órgão federal deliberativo vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A medida está prevista no Projeto de Lei 715/07, que se encontra na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).


    O conselho, segundo a proposta, seria composto por sete membros, dos quais quatro – o presidente e três conselheiros – escolhidos entre funcionários do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os três restantes seriam nomeados pelo titular da pasta a partir de listas tríplices apresentadas pelas Confederações Nacionais da Indústria, do Comércio e da Agricultura.


    Entre as atribuições do conselho, estariam as de estabelecer diretrizes para investigações relativas a práticas desleais de comércio exterior, fixar direitos antidumping e compensatórios, provisórios ou definitivos, e decidir sobre a suspensão da exigibilidade dos direitos provisórios. As decisões do conselho, ainda de acordo com o projeto, não se sujeitariam à revisão no âmbito do Poder Executivo.


    – Práticas desleais de comércio estão causando sérios danos à produção nacional e estão praticamente destruindo importantes setores de nossa indústria, como é o caso da indústria têxtil e das indústrias de confecções, brinquedos, eletrônicos e produtos siderúrgicos. O crescimento de nosso comércio internacional e o acirramento das práticas desleais de comércio requerem, assim, um sistema de defesa comercial que atue com maior agilidade – sustenta Dornelles na justificação de seu projeto.


    Atualmente, como recorda o senador, o órgão que aplica as medidas de defesa comercial é a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que conta com representantes de diversos ministérios. Esses representantes acabam priorizando políticas de seus próprios ministérios, na opinião de Dornelles. Ele cita como exemplo o Ministério da Fazenda, que pode ver com bons olhos o ingresso no Brasil de um produto “altamente subsidiado”, pelos efeitos dessa importação sobre a contenção dos preços internos.


    O projeto tem como relator, na CRE, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP). Depois de passar por essa comissão, o projeto seguirá para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde tramitará em decisão terminativa.


    Agência Senado, 22 de janeiro de 2008.


     

  • Fabricante poderá ter de recolher embalagem plástica usada

    A Câmara analisa o Projeto de Lei 1745/07, do deputado Ciro Pedrosa (PV-MG), que obriga a indústria fabricante de embalagens plásticas ou produzidas com outro material não-biodegradável a recolhê-las após o uso pelos consumidores. Segundo o texto, pelo menos 2/3 das embalagens produzidas deverão ser recolhidos e destinados para reutilização ou reciclagem.


    A Proposta ainda prevê que o fabricante deverá comprovar anualmente o cumprimento da lei perante órgão federal competente integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama).

    A Câmara analisa o Projeto de Lei 1745/07, do deputado Ciro Pedrosa (PV-MG), que obriga a indústria fabricante de embalagens plásticas ou produzidas com outro material não-biodegradável a recolhê-las após o uso pelos consumidores. Segundo o texto, pelo menos 2/3 das embalagens produzidas deverão ser recolhidos e destinados para reutilização ou reciclagem.


    A Proposta ainda prevê que o fabricante deverá comprovar anualmente o cumprimento da lei perante órgão federal competente integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama). O infrator poderá ser punido com advertência, multa, suspensão da venda e da fabricação do produto, perda de linhas de financiamento ou do direito de participar de licitações e proibição de contratar com a administração pública por até três anos.


    A proposta também determina a criação, pelo Poder Executivo, de programa de fomento a projetos de combate à degradação da qualidade ambiental. Esse programa receberia recursos orçamentários e de parceiros da idéia, entre outras fontes.


    Ciro Pedrosa argumenta que a má destinação das embalagens plásticas gera prejuízos ambientais e humanos. “Todos os grandes centros urbanos convivem permanentemente com os problemas gerados por esses resíduos, como entupimento de redes de água pluvial e acúmulo em lixões”, afirma. O parlamentar também cita dados da Fundação Verde segundo os quais 1 milhão de sacos plásticos são consumidos por minuto no mundo, ou 1,5 bilhão por dia e mais de 500 bilhões por ano.


    Tramitação

    O projeto tramita em conjunto com várias outras propostas que tratam do mesmo tema, como os projetos de lei 1857/99 e 203/91. Os textos serão analisados pelo Plenário.


    Agência Câmara, 21 de janeiro de 2008.

  • Congresso reinicia trabalhos na quarta-feira de cinzas

    O Congresso Nacional realizará sessão solene na quarta-feira de cinzas (6) para instalar a segunda sessão legislativa desta legislatura.

    O Congresso Nacional realizará sessão solene na quarta-feira de cinzas (6) para instalar a segunda sessão legislativa desta legislatura. A sessão está marcada para as 16 horas no Plenário da Câmara.


    A Secretaria Geral da Mesa Diretora já enviou correspondência aos deputados informando ainda que haverá sessão ordinária na segunda-feira (11).


    O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, já tinha avisado aos parlamentares no final do ano passado que haverá sessões deliberativas às segundas-feiras em fevereiro para apressar a votação das matérias pendentes.


    SAIBA MAIS:


    Legislatura

    Espaço de tempo durante o qual os legisladores exercem seu poder. No Brasil, a duração da legislatura é de quatro anos.


    Mesa Diretora

    Órgão de direção dos trabalhos legislativos e dos serviços administrativos. Na Câmara, compõe-se do presidente, de dois vice-presidentes, quatro secretários e respectivos suplentes.


    Agência Câmara, 22 de janeiro de 2008.

  • Projeto destina verbas do Sistema S para cursos gratuitos

    A Câmara analisa a destinação de parte dos recursos do Sistema S (Senai, Senac, Sebrae e outros) para a oferta de vagas gratuitas em seus cursos para trabalhadores e estudantes de baixa renda. As verbas do Sistema S são geradas pelas contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários dos funcionários.


    De acordo com o Projeto de Lei 1754/07, no mínimo 30% desses recursos deverão ser aplicados na oferta de vagas gratuitas em cursos para a clientela de baixa renda.

    A Câmara analisa a destinação de parte dos recursos do Sistema S (Senai, Senac, Sebrae e outros) para a oferta de vagas gratuitas em seus cursos para trabalhadores e estudantes de baixa renda. As verbas do Sistema S são geradas pelas contribuições compulsórias dos empregadores sobre a folha de salários dos funcionários.


    De acordo com o Projeto de Lei 1754/07, no mínimo 30% desses recursos deverão ser aplicados na oferta de vagas gratuitas em cursos para a clientela de baixa renda. A distribuição das vagas, os critérios para acesso e os cursos referidos serão definidos pelas entidades gestoras dos recursos e pelo órgão federal responsável pela educação, em colaboração com os sistemas de ensino de estados e municípios.


    Escolas técnicas

    O autor da proposta, deputado Átila Lira (PSB-PI), afirma que o objetivo do projeto não é restringir a autonomia do Sistema S ou reduzir seus recursos, mas “dar maior amplitude de ação, multiplicando os efeitos e mantendo os recursos sob sua gestão”.


    Átila Lira argumenta que o País precisa “expandir as oportunidades de educação profissional, tanto no nível de formação inicial quanto na atualização permanente”. Ele lembra que a ampliação da rede de escolas técnicas federais é uma das iniciativas para solucionar a questão.


    O deputado destaca, contudo, que a rede do Sistema S pode auxiliar nesse objetivo, pois a ação e abrangência social dela podem ser estendidas com a oferta de vagas gratuitas nos cursos que já mantém, além de outros que poderão ser criados.


    Entidades

    O Sistema S é o nome pelo qual se convencionou chamar o conjunto de 11 contribuições de interesse de categorias profissionais destinadas às entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical.


    Entre as entidades estão o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o Serviço Social da Indústria (Sesi), o Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (Senac), o Serviço Social do Comércio (Sesc) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).


    Tramitação

    O projeto será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


    Agência Câmara, 22 de janeiro de 2008.

  • Varejo: vendas têm a maior alta desde 2001

    Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-2


    O volume de vendas do comércio varejista nacional aumentou 9,6% no ano passado, em comparação a 2006, maior alta do setor desde 2001, segundo o Indicador Serasa de Atividade do Comércio. As vendas das lojas especializadas (como de eletroeletrônicos, veículos, materiais de construção) cresceram 12,3% em 2007, puxando o volume total de vendas.


    Para os técnicos da Serasa, o desempenho do comércio no ano passado foi resultado da expansão do crédito e pelo estabelecimento de prazos mais longos para pagamento.

    Jornal do Commercio Editoria: Economia Página: A-2


    O volume de vendas do comércio varejista nacional aumentou 9,6% no ano passado, em comparação a 2006, maior alta do setor desde 2001, segundo o Indicador Serasa de Atividade do Comércio. As vendas das lojas especializadas (como de eletroeletrônicos, veículos, materiais de construção) cresceram 12,3% em 2007, puxando o volume total de vendas.


    Para os técnicos da Serasa, o desempenho do comércio no ano passado foi resultado da expansão do crédito e pelo estabelecimento de prazos mais longos para pagamento. “Isto pode ser comprovado pelo desempenho do varejo especializado, que é caracterizado por produtos de maior valor agregado e, portanto, dependente de financiamento”, informou a Serasa.


    As vendas recordes de automóveis foram outro destaque do ano, associadas às facilidades de crédito oferecidas pelo segmento, em juros e prazos alongados. A evolução do crédito para o consumidor, no ano passado, deve encerrar próximo aos 33%, segundo avaliação do Indicador Serasa da Atividade do Comércio.


    Já as vendas dos hipermercados, supermercados e do varejo de alimentos e bebidas (como mercearias, açougues, quitandas, distribuidoras de bebidas) subiram 6,6% no período. Segundo a Serasa, o resultado não foi melhor no ano passado porque a inflação de vários produtos básicos acabou prejudicando as vendas.


    Renda


    Do lado do trabalhador, o aumento da massa salarial e do emprego formal (com carteira assinada) e a inadimplência praticamente estabilizada foram determinantes para o crescimento do crédito e do comércio. Aliados a esses aspectos estão o real valorizado, que estimulou a demanda por importados, inclusive no comércio de alimentos, e a queda das taxas de juros.


    Na comparação entre dezembro de 2007 e dezembro de 2006, as vendas do varejo tiveram alta de 8,6%. O volume de vendas dos hipermercados, supermercados e do varejo de alimentos e bebidas aumentou 5,2%, ao passo que o varejo especializado registrou elevação de 12,1% no seu volume de vendas no período.


    O Indicador Serasa de Atividade do Comércio analisa os eventos ocorridos em todo o Brasil, que refletem o comportamento da evolução do volume de vendas do comércio varejista. O modelo estatístico de múltiplas variáveis considera uma amostra de 6 mil empresas das mais representativas do varejo em todo o país.


     




     


     




     

  • Governo pode estender cobrança de IOF às operações de câmbio das importações

    Valor Econômico  Editoria: Brasil  Página: A-2


    O governo poderá estender a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) às operações de câmbio das importações de mercadorias, tal como fez no início do ano, quando taxou com IOF de 0,38% as operações de câmbio das exportações. Para isso será preciso mudar a legislação através de medida provisória (MP) ou projeto de lei a ser enviado ao Congresso.

    Valor Econômico  Editoria: Brasil  Página: A-2


    O governo poderá estender a incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) às operações de câmbio das importações de mercadorias, tal como fez no início do ano, quando taxou com IOF de 0,38% as operações de câmbio das exportações. Para isso será preciso mudar a legislação através de medida provisória (MP) ou projeto de lei a ser enviado ao Congresso. A informação foi dada ao Valor pelo secretário-adjunto da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto. 


    A tributação das exportações foi oficializada no decreto do IOF, editado no início de janeiro no âmbito do pacote de medidas para recuperar parte da arrecadação perdida com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Houve reação dos empresários, que questionaram a medida por afetar a competitividade da indústria nacional. O governo, agora, pretende tributar as importações para dar um tratamento isonômico. 


    Segundo Barreto, há uma lei estabelecendo a isenção do IOF sobre importações de bens, enquanto que as importações de serviços são tributadas. O Brasil assinou acordos internacionais nesse sentido e o governo, em 1988, publicou o decreto-lei 2.434. Essa norma foi recebida como lei ordinária pela Constituição promulgada em 5 de outubro daquele ano. Portanto, não poderia um mero decreto – ato do presidente da República – mudar ou revogar uma lei. 


    Barreto argumentou que as normas do IOF não permitem compensação, como ocorre nos regimes do ICMS, IPI e PIS e Cofins. Segundo ele, esse também foi um dos motivos que deram base aos acordos internacionais e ao decreto-lei 2.434/88. 


    Apesar dos argumentos da Receita, têm sido intensas as críticas dos exportadores à “diferença de tratamento” estabelecida pela incidência do IOF nas operações de câmbio das vendas externas e não sobre as importações. Entidades empresariais prometem pressionar o governo para que as exportações também fiquem isentas. 


    A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) calculou que a cobrança do IOF no embarque de mercadorias para o exterior deve dar à Receita arrecadação de cerca de R$ 1,5 bilhão neste ano. Se as importações fossem igualmente tributadas, pagariam cerca de R$ 800 milhões. A entidade também estimou que o governo arrecadará R$ 12,6 bilhões a mais com as novas normas do IOF a elevação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) das instituições financeiras. 


     


     


     




     

  • Turbulência piora expectativas do mercado

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-2


    Na semana da primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2008, uma pesquisa feita pelo Banco Central, na semana anterior, mostrou que mais analistas do mercado apostam em alta da taxa básica de juros, a Selic, ao longo do ano.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-2


    Na semana da primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) de 2008, uma pesquisa feita pelo Banco Central, na semana anterior, mostrou que mais analistas do mercado apostam em alta da taxa básica de juros, a Selic, ao longo do ano. O boletim divulgado ontem pelo BC apontou que, na média, as instituições financeiras esperam manutenção dos juros em 11,25% ao ano, o que indica que diminuiu o número dos que acreditam em corte da Selic nos próximos meses.


    A média das expectativas na pesquisa divulgada na semana passada para a taxa de juros estava em 11,13% ao ano. Já a expectativa para a inflação medida pelo IPCA aumentou de 4,29% para 4,37% entre as duas pesquisas feitas pelo BC. Embora ainda esteja abaixo do centro da meta de inflação, este é mais um motivo que poderia levar o Banco Central a subir os juros ao longo do ano.


    Um dos fatores que o Copom (Comitê de Política Monetária, integrado pelos diretores do BC) levam em conta no momento de definir a taxa de juros é a expectativa do mercado financeiro para o cenário da economia nos meses seguintes. Uma projeção de aumento da inflação pode gerar alta efetiva dos preços, uma vez que os empresários tentam antecipar uma futura elevação de custos.


    Os analistas de mercado ouvidos pelo BC elevaram suas projeções para todos os índices de inflação. A expectativa para o IGP-DI do ano subiu de 4,50% para 4,75% e para o IPC-Fipe de 4,01% para 4,07%.


    O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, não se surpreende com a piora das expectativas entre os analistas consultados pelo BC. Ele diz que os ajustes nas projeções até demoraram para aparecer no relatório. Mas o especialista afirma que este é um sinal de que os juros podem subir já no primeiro semestre.


    Mais otimista, Alexsandro Agostini Barbosa, economista da consultoria Austing Rating, acredita que os juros só começarão a subir se a projeção de inflação ultrapassar o centro da meta de 4,5%.


    Se as estimativas dos analistas se confirmarem, nem a inflação, nem os juros irão frear a trajetória de crescimento, principalmente da indústria. A expectativa para o aumento da produção deste ano subiu de 4,8% para 5%.




     


     

  • Impactos do câmbio preocupam governo

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-2


    O medo da equipe econômica com os reflexos que a crise financeira internacional pode ter no Brasil está relacionado, atualmente, muito mais aos riscos de alta da inflação do que com um impacto direto no crescimento deste ano.


    Segundo a Folha apurou, a avaliação do governo é que uma redução do ritmo de crescimento da economia em 2008 provocada pelo cenário internacional seria mais “fácil” de administrar.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-2


    O medo da equipe econômica com os reflexos que a crise financeira internacional pode ter no Brasil está relacionado, atualmente, muito mais aos riscos de alta da inflação do que com um impacto direto no crescimento deste ano.


    Segundo a Folha apurou, a avaliação do governo é que uma redução do ritmo de crescimento da economia em 2008 provocada pelo cenário internacional seria mais “fácil” de administrar.


    Primeiro porque a economia brasileira está crescendo acima da sua capacidade e uma freada poderia até ajudar a acomodar o ritmo de crescimento. Além disso, esse cenário livraria o governo de ser diretamente responsabilizado por um desempenho menor da economia, afinal o Brasil estaria sofrendo conseqüências da turbulência que afeta o mundo como um todo.


    Já o contágio via inflação seria “mais complicado” porque obrigaria a equipe econômica a tomar medidas mais drásticas como a alta do juros, o que, no final das contas, ainda teria como conseqüência um freio no crescimento.


    Isso sem contar o impacto “psicológico negativo” que uma elevação de juros tem sobre a expectativa dos empresários. Principalmente num momento em que é preciso turbinar investimentos produtivos para atender à demanda interna puxada pelo aumento do crédito.


    Uma recessão mais forte nos Estados Unidos afetaria a compra de produtos daquele país, sobretudo da China, que funciona como o motor-reserva do crescimento mundial. Com EUA e China crescendo menos e, portanto, demandando menos bens e serviços, haveria repercussão negativa nos preços, principalmente das commodities, e a queda no nível de atividade se multiplicaria pelo resto do mundo e no Brasil.


    Isso reduziria as exportações, gerando déficits nas transações com o resto do mundo e isso precisaria ser financiado pela manutenção do ingresso de dinheiro no país para investimentos diretos e aplicações financeiras. Como o país tem US$ 185 bilhões em reservas internacionais, apesar de deficitário em conta corrente, o Brasil não seria tão afetado.


    A pior hipótese na avaliação da equipe econômica é a crise entrar no país diretamente via inflação por pressão na taxa de câmbio. Num momento em que a economia cresce embalada pelo crédito e que outros fatores como os alimentos têm puxado preços para cima, seria como jogar gasolina na fogueira, avalia a equipe econômica.


    Como as expectativas de inflação para 2008 de 4,37% já estão quase coladas no centro da meta, de 4,5%, o Banco Central teria de elevar os juros


    Por enquanto, o mercado tem feito parte do trabalho para o BC. Ao elevar as taxas de juros nos mercados futuros, na prática, o próprio sistema está encarecendo os custos financeiros nos empréstimos.


    O BC, por sua vez, vem reforçando o discurso conservador. Ontem, na solenidade de posse da nova diretora de Assuntos Internacionais, Maria Celina Arraes, o presidente da instituição, Henrique Meirelles, sinalizou que a hipótese da alta dos juros não está descartada. Se ela ocorrerá de fato e em que momento, só o tempo dirá.


    Por isso, a ata da próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) é considerada de extrema importância. Na análise de especialistas ouvidos pela Folha, o BC deverá deixar claro no documento referente à reunião que acontecerá hoje e amanhã que está realmente disposto a agir se necessário e não terá restrições políticas.