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  • Cesta básica tem alta de até 24,38% em 2007

    O Estado de São Paulo   Editoria: Economia  Página: B-8 


    A cesta básica encerrou o ano de 2007 com alta acima do reajuste do salário mínimo (8,57%, em abril) em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os aumentos ficaram entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju. Em São Paulo, a cesta básica subiu 17,9% em 2007.


    A cesta básica paulistana se manteve como a mais cara do País pelo segundo mês consecutivo e em dezembro passou a valer R$ 214,63.

    O Estado de São Paulo   Editoria: Economia  Página: B-8 


    A cesta básica encerrou o ano de 2007 com alta acima do reajuste do salário mínimo (8,57%, em abril) em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os aumentos ficaram entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju. Em São Paulo, a cesta básica subiu 17,9% em 2007.


    A cesta básica paulistana se manteve como a mais cara do País pelo segundo mês consecutivo e em dezembro passou a valer R$ 214,63. Em seguida, as cestas básicas com preços mais altos no País são as de Porto Alegre (R$ 212,92) e Belo Horizonte (R$ 204,80). As mais baratas foram encontradas em João Pessoa (R$ 155,09) e Recife (R$ 155,41).


    Considerando a média das 16 capitais brasileiras pesquisadas, o brasileiro que ganha um salário mínimo precisou trabalhar em dezembro 106 horas e 9 minutos para adquirir uma cesta básica, 5 horas a mais do que em novembro e 8 horas a mais do que o necessário em dezembro do ano passado, de acordo com cálculo do Dieese. No ano, a jornada só é inferior à de março, quando foi necessário trabalhar 106 horas e 36 minutos para comprar uma cesta básica.


    Segundo cálculo do Dieese, com base no valor da cesta básica paulistana, o salário mínimo deveria corresponder a R$ 1.803,11 em dezembro para suprir todas as despesas de um trabalhador e sua família relativas a alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, como estabelece a Constituição. O valor é 4,75 vezes maior que o atual mínimo (R$ 380) e quase R$ 80 mais caro que o necessário em novembro (R$ 1.726,24).


    Além de Curitiba, apenas em quatro capitais os aumentos anuais foram inferiores a 15%: Brasília (12,44%), Florianópolis (13,18%), Rio (13,46%) e Porto Alegre (14,33%). Em outras duas, além de Aracaju, o preço da cesta básica aumentou mais de 20% em um ano: Goiânia (24,21%) e Belém (20,90%).


    Em dezembro, o preço da cesta básica recuou apenas no Rio, com queda de 0,24%. No mês, a alta foi puxada principalmente pelo feijão, que subiu em todas as capitais brasileiras no mês e variou entre 5,99%, em Brasília, e 69,45%, em Belém, e a carne, com pico de 15,92% em Belo Horizonte e queda somente em Natal (0,81%).


    Pressão dos Alimentos  


    O comportamento dos itens alimentícios essenciais foi predominantemente de alta em 2007, de acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica realizada pelo Dieese. Carne, leite, feijão, café e óleo de soja subiram em todas as 16 capitais pesquisadas, mas devem recuar ao longo deste ano. Batata e farinha de trigo também tiveram preços elevados em todas as capitais do Centro-Sul – localidades onde são considerados itens essenciais. Já no caso do açúcar e do tomate houve queda generalizada de preços neste ano.


    Em 2007, o feijão foi o grande vilão da cesta básica, principalmente por causa das secas de julho e agosto, época em que a terceira safra é colhida. A produção destes meses foi praticamente perdida. A estiagem predominou até outubro e deve adiar em dois meses a colheita da principal safra do feijão, que costuma ser semeada em setembro e colhida em dezembro e fevereiro, conforme a região. De acordo com o Dieese, a partir da colheita dessa safra, os preços devem cair, até porque os altos preços incentivaram o crescimento do plantio. O feijão da variedade cores subiu 222,84% em Natal, 214,25% em Fortaleza e 199,04% em Goiânia. Já os preços do feijão preto aumentaram 66,02% em Vitória e 41,09% no Rio de Janeiro.


    A carne bovina também teve alta expressiva neste ano, de 12,11%, em João Pessoa, a 36,64%, em Belém. Além da seca, a crescente demanda internacional contribuiu para a elevar o preço do produto.


     


     

  • Investimentos puxam a produção

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-4


    Os investimentos prosseguiram em forte expansão em novembro último, mostram os dados da produção industrial divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


    A produção de bens de capital aumentou 1,2% em comparação a outubro, com expansão isolada entre as quatro categorias pesquisadas e na contramão da queda de 1,8% na média da indústria no período.

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-4


    Os investimentos prosseguiram em forte expansão em novembro último, mostram os dados da produção industrial divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


    A produção de bens de capital aumentou 1,2% em comparação a outubro, com expansão isolada entre as quatro categorias pesquisadas e na contramão da queda de 1,8% na média da indústria no período. No ano passado, essa categoria acumulou de janeiro a novembro uma expansão de 19,5%, bem acima da indústria em geral (6%).


    Para o coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, os investimentos foram o motor da indústria não apenas em novembro, mas destacam-se como a principal marca positiva do setor em 2007. “Os investimentos cresceram de forma generalizada e isso leva à ampliação da capacidade produtiva do País, trazendo um certo alento para a discussão se há capacidade instalada para crescer. Se há aumento da produção de bens de capital acima da média da indústria, isso abre espaço para atendimento da demanda com aumento da capacidade”, disse.


    A produção de bens de capital também ficou bem acima da indústria em geral em novembro de 2007, ante novembro de 2006, quando cresceu 24,3%, ante uma expansão de 6,7% na média do setor industrial no período. Segundo Sales, do IBGE, outro destaque no desempenho da indústria em 2007 foi o impacto do crédito, do mercado de trabalho, da expansão da renda e da inflação controladas sobre os bens de consumo, especialmente os duráveis (automóveis, eletrodomésticos), que também cresceram acima da média, com aumento de 11,1% na produção de janeiro a novembro.


    Recuo


    A queda de 1,8% na produção industrial em novembro de 2007 ante outubro foi afetada pela base de comparação elevada e pelos feriados e não reverte a trajetória de crescimento do setor, segundo Sales. O resultado veio um pouco abaixo do esperado pelos analistas de mercado (em média, -1,7%). “Nada leva a crer que tenha ocorrido em novembro uma inflexão na trajetória de crescimento da atividade econômica, em especial da industrial”, disse Sales.


    Os dados de produção seguiram positivos, em novembro, na comparação com iguais períodos do ano anterior: 6,7% ante novembro de 2006; 6% no acumulado de janeiro a novembro e 5,5% em 12 meses. Em novembro, a queda de 3,9% na produção de veículos automotores representou o principal impacto para o recuo na indústria ante mês anterior. Sales observou que o resultado negativo em automóveis é pontual e “devolve” o forte crescimento de outubro, quando esse segmento cresceu 7,7% ante setembro.



  • Cesta básica sobe acima do salário mínimo em 2007

    A cesta básica encerrou o ano de 2007 registrando alta maior do que o reajuste do salário mínimo (8,57%, em abril) em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os aumentos ficaram entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju. Em São Paulo, a cesta básica subiu 17,90% durante o ano de 2007.


    Além de Curitiba, apenas quatro capitais registraram aumentos anuais inferiores a 15%: Brasília (12,44%), Florianópolis (13,18%), Rio de Janeiro (13,46%) e Porto Alegre (14,33%).

    A cesta básica encerrou o ano de 2007 registrando alta maior do que o reajuste do salário mínimo (8,57%, em abril) em todas as capitais brasileiras pesquisadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Os aumentos ficaram entre 11,46%, em Curitiba, e 24,38%, em Aracaju. Em São Paulo, a cesta básica subiu 17,90% durante o ano de 2007.


    Além de Curitiba, apenas quatro capitais registraram aumentos anuais inferiores a 15%: Brasília (12,44%), Florianópolis (13,18%), Rio de Janeiro (13,46%) e Porto Alegre (14,33%). Em outras duas, Goiânia e Belém, o preço da cesta básica aumentou mais de 20% em um ano: 24,21% e 20,90%, respectivamente.


    Em dezembro, apenas no município do Rio de Janeiro o preço da cesta básica registrou queda, de 0,24%. As maiores altas foram verificadas em Goiânia (12,73%), João Pessoa (8,89%), Fortaleza (7,93%) e Belém (7,61%). No mês, a alta foi puxada principalmente pelo feijão, que subiu em todas as capitais brasileiras no mês e variou entre 5,99%, em Brasília, e 69,45%, em Belém, e a carne, que registrou pico de 15,92% em Belo Horizonte e só não subiu em Natal (-0,81%).

  • Férias e 13º salário podem ficar isentos de tributação

    A remuneração de férias e o 13º salário do trabalhador brasileiro podem ficar livres da cobrança de imposto de renda e de contribuição previdenciária. A proposta partiu do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) e foi encaminhada às comissões de Assuntos Sociais(CAS) e de Assuntos Econômicos (CAE), cabendo a esta última votá-la em decisão terminativa.


    Segundo Zambiasi, a Constituição federal seria clara ao estabelecer que o pagamento do 13º salário deve se basear no salário integral do trabalhador.

    A remuneração de férias e o 13º salário do trabalhador brasileiro podem ficar livres da cobrança de imposto de renda e de contribuição previdenciária. A proposta partiu do senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS) e foi encaminhada às comissões de Assuntos Sociais(CAS) e de Assuntos Econômicos (CAE), cabendo a esta última votá-la em decisão terminativa.


    Segundo Zambiasi, a Constituição federal seria clara ao estabelecer que o pagamento do 13º salário deve se basear no salário integral do trabalhador. Também garantiria, de forma expressa, remuneração de férias com, no mínimo, um terço a mais que o salário normal. O problema é que a incidência do imposto de renda e da contribuição previdenciária estaria frustrando a integralidade desses vencimentos assegurada pela Constituição.


    “Ora, ao se descontar o imposto de renda e a contribuição previdenciária, tanto o 13º salário deixa de ser integral, como as férias deixam de ser remuneradas com ‘no mínimo’ um terço a mais”, argumentou na justificação do PLS 685/07.


    Zambiasi observou ainda que, atualmente, as férias não-gozadas e pagas sob a forma de indenização são isentas da contribuição previdenciária, existindo ainda jurisprudência isentando-as do imposto de renda. Na sua opinião, isso incentivaria o trabalhador a não gozar suas férias, o que pode trazer prejuízos a sua saúde.


    Agência Senado, 7 de janeiro de 2008.

  • Projeto restringe propaganda de cerveja e cigarros

    O Projeto de Lei 1002/07, do deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), proíbe a propaganda de qualquer bebida alcoólica das 6 às 21 horas em emissoras de rádio e televisão. Atualmente, nesse horário, conforme a Lei 9.294/96, é proibida a propaganda de bebidas com teor alcoólico superior a 13 graus Gay Lussac, atingido em média pelos vinhos e destilados.

    O Projeto de Lei 1002/07, do deputado Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), proíbe a propaganda de qualquer bebida alcoólica das 6 às 21 horas em emissoras de rádio e televisão. Atualmente, nesse horário, conforme a Lei 9.294/96, é proibida a propaganda de bebidas com teor alcoólico superior a 13 graus Gay Lussac, atingido em média pelos vinhos e destilados. O projeto de lei baixa o limite para 3 graus, o que enquadra até as cervejas light.


    “Pelas regras atuais, a propaganda, sobretudo a de cerveja, atinge grande parcela da população infantil brasileira, como se nada disso pudesse trazer efeitos deletérios no futuro”, argumenta o deputado.


    Mais restrições

    O projeto também estende às bebidas alcoólicas restrições já válidas para a propaganda de cigarro e outros produtos fumígeros:

    – só poderá ser efetuada por meio de pôsteres, painéis e cartazes na parte interna dos locais de venda.

    – não poderá sugerir o consumo exagerado ou irresponsável, nem a indução ao bem-estar ou saúde, ou fazer associação a celebrações cívicas ou religiosas;

    – não poderá induzir as pessoas ao consumo, atribuindo aos produtos propriedades calmantes ou estimulantes, que reduzam a fadiga ou a tensão, ou qualquer efeito similar;

    – não poderá associar idéias ou imagens de maior êxito na sexualidade, insinuando o aumento de virilidade ou feminilidade dos usuários;

    – não poderá associar o uso do produto à prática de atividades esportivas, nem sugerir ou induzir seu consumo em locais ou situações perigosas, abusivas ou ilegais;

    – não poderá empregar imperativos que induzam diretamente ao consumo;

    – não poderá incluir a participação de crianças ou adolescentes.


    Tramitação

    A proposta tramita em conjunto com o Projeto de Lei 4846/94, que será analisado por comissão especial antes de seguir para o Plenário.


    Agência Senado, 7 de janeiro de 2008.

  • Uso de pneu reciclado em pavimentação pode ser obrigatório

    A Câmara analisa o Projeto de Lei 1059/07, do deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), que torna obrigatória a utilização de borracha reciclada de pneus velhos na produção de misturas e concretos asfálticos para pavimentação de rodovias. A proposta abrange as vias administradas pelo poder público e as exploradas sob regime de concessão ou permissão.


    O projeto considera pneu velho, denominado inservível, aquele que não pode ser aproveitado para recondicionamento ou recapagem.

    A Câmara analisa o Projeto de Lei 1059/07, do deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), que torna obrigatória a utilização de borracha reciclada de pneus velhos na produção de misturas e concretos asfálticos para pavimentação de rodovias. A proposta abrange as vias administradas pelo poder público e as exploradas sob regime de concessão ou permissão.


    O projeto considera pneu velho, denominado inservível, aquele que não pode ser aproveitado para recondicionamento ou recapagem. O texto determina que as obras de pavimentação que utilizem concreto ou mistura asfáltica adotem a proporção de 15% de borracha reciclada, no primeiro ano de aplicação da lei, até atingir o índice de 35% a partir do terceiro ano.


    Vetor de doenças

    Lustosa lembra que as carcaças de pneus inservíveis são de difícil degradação e servem de vetor de doenças infecto-contagiosas como a dengue. “Além disso, a disposição de pneus em aterros sanitários é problemática, pois devido à dificuldade de compactação, eles voltam à superfície depois de um determinado tempo, reduzindo a vida útil dos aterros”, acrescenta Lustosa.


    O autor argumenta que a aplicação da borracha na produção de asfalto produz um pavimento de excelente qualidade, com alto índice de elasticidade, prolongando a vida da rodovia e melhorando o tráfego. Lustosa também afirma que o projeto apresentado permite a destinação adequada e economicamente sustentável dos pneus velhos, contribui para a recuperação e manutenção da qualidade ambiental e colabora para o desenvolvimento tecnológico do setor rodoviário.


    “Estima-se que, no Brasil, a cada ano sejam descartados em torno de 175 mil toneladas de pneus inservíveis, dos quais cerca da metade é queimada nos fornos das fábricas de cimento, de longe a atividade econômica que mais consome – ou destrói – borracha reciclada”, observa o deputado.


    O deputado lembra que, em países da Europa e nos Estados Unidos, a utilização de borracha reciclada na fabricação de materiais para pavimentos asfálticos já é fato consolidado e quase todos os estados norte-americanos já dispõem de legislações específicas sobre o assunto. “No estado da Califórnia, o ‘asfalto-borracha’ é utilizado há mais de 40 anos”, diz.


    Tramitação

    O projeto tramita apensado ao PL 5745/05, que trata do mesmo assunto, e 203/91, sobre resíduos. Os textos estão prontos para análise do Plenário.


    Agênsia Câmara, 7 de janeiro de 2008.


     

  • Líder do governo no Senado justifica medidas tributárias anunciadas pelo governo

    O líder do governo no Senado, Romero Jucá, não acredita que o aumento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) no setor financeiro, anunciado pelo governo entre as medidas destinadas a recuperar as perdas decorrentes do fim da CPMF, penalize os brasileiros. O líder disse duvidar que os bancos repassem o aumento da CSLL para as operações de crédito, visto entender que a própria disputa por clientes, entre as instituições financeiras, coibirá essa iniciativa.

    O líder do governo no Senado, Romero Jucá, não acredita que o aumento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) no setor financeiro, anunciado pelo governo entre as medidas destinadas a recuperar as perdas decorrentes do fim da CPMF, penalize os brasileiros. O líder disse duvidar que os bancos repassem o aumento da CSLL para as operações de crédito, visto entender que a própria disputa por clientes, entre as instituições financeiras, coibirá essa iniciativa. Em entrevista concedida à Rádio Senado nesta quinta-feira (3), Jucá disse que o governo precisava enfrentar a perda dos recursos que arrecadava quando existia a CPMF.


    – O governo tinha que enfrentar esse déficit. O problema não foi criado agora. Foi criado quando se derrubou a CPMF, que era um imposto que pegava toda a economia, formal e informal. Era um tributo que todos pagavam, que já estava incluído no custo Brasil. Rejeitou-se a CPMF, criou-se um problema para o país e o governo agora entendeu que, dos setores da economia, aquele que comportava um acréscimo tributário era exatamente o setor dos bancos, que tem ganho muito. E, como há muita concorrência de crédito, não acredito que esse custo será totalmente repassado para o cliente. A concorrência vai cuidar para se estabelecer essa disputa entre os bancos e para as taxas não aumentarem muito – afirmou.


    Ao justificar a adoção das medidas apresentadas pelo governo, Jucá se defendeu da acusação que lhe fazem os líderes oposicionistas que se sentiram traídos com as decisões anunciadas. A oposição alega que aprovou a Desvinculação de Receitas da União ( DRU) confiando no entendimento, feito com Jucá, de que o governo não aumentaria impostos para cobrir o déficit representado pela rejeição da CPMF.


    – Nós conversamos com a oposição e aprovamos a DRU com o compromisso do governo de que não seria criado imposto novo, não se tentaria reeditar a CPMF. Enfim, o governo iria discutir, na reforma tributária, o novo financiamento do setor saúde, porque a CPMF era majoritariamente destinada ao setor saúde. Acontece que, no início do ano, o governo entendeu que era fundamental sinalizar para a sociedade, para os analistas, para o mercado, como iria tratar esse déficit de R$ 40 bilhões resultante da derrubada da CPMF – explicou.


    De acordo com Jucá, o que o governo fez agora não foi anunciar um pacote tributário, mas informar sobre como está se programando para enfrentar o déficit em seu orçamento para 2008.


    – Isso não é um pacote tributário. O que o governo fez foi, primeiro, definir um corte de R$ 20 bilhões no orçamento. Depois, o governo entendeu que R$ 10 bilhões viriam da otimização da cobrança dos impostos atuais e, mais do que isso, com o crescimento econômico. E por fim, para fechar a conta dos R$ 40 bilhões, o governo decidiu fazer uma mexida pontual em determinadas questões.


    O senador justificou o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em 0,38 ponto percentual dizendo que até 31 de dezembro as operações pagavam, além do IOF, a alíquota de 0,38% da CPMF. Quanto ao aumento da CSLL dos bancos, de 9% para 15%, segundo o líder, o governo entendeu que havia “gordura” e que se poderia ampliar a cobrança junto às entidades financeiras, “que ganharam muito dinheiro durante esses anos”.


    O governo ainda trabalha com a reforma tributaria para este ano? – indagou-lhe a Rádio Senado.


    – A reforma tributária será entregue ao Congresso e será discutida. Primeiro, o governo tinha que ter a responsabilidade de indicar rapidamente como iria resolver o problema do déficit. Até para que não ficasse pairando dúvida sobre a postura fiscal do governo. E depois, o governo quer fazer a reforma tributária, mas ela não será para o governo do presidente LulaSerá para os futuros governos, para o país, para as empresas, para a sociedade. A reforma tributária não é algo emergencial, não é algo que será aprovado a toque de caixa, mas é importante que se mude o perfil tributário brasileiro – respondeu o líder.


    Agência Senado, 7 de janeiro de 2008.

  • Cesta de Compras no Rio de Janeiro fecha 2007 com a maior alta anual desde 2002, apura Fecomércio-RJ

    Pesquisa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro divulgada hoje (07) indica que a Cesta de Compras – equivalente ao consumo médio de todas as famílias residentes na cidade do Rio de Janeiro – acumulou inflação de 13,13% em 2007, ficando em R$ 338,62; em dezembro de 2006, o custo da Cesta apurado pela entidade era de R$ 299,33.

    Pesquisa da Federação do Comércio do Rio de Janeiro divulgada hoje (07) indica que a Cesta de Compras – equivalente ao consumo médio de todas as famílias residentes na cidade do Rio de Janeiro – acumulou inflação de 13,13% em 2007, ficando em R$ 338,62; em dezembro de 2006, o custo da Cesta apurado pela entidade era de R$ 299,33. A alta de 13,3% foi a maior para um período anual desde 2002 (que registrou 23,21%), afirma a Fecomércio-RJ.


    O avanço nos gastos da Cesta no acumulado de 2007 foi sentido tanto pelas famílias que recebem até 8 salários mínimos (12,73%), quanto por aquelas que têm rendimento acima dessa faixa (elevação 13,42%). Os produtos que ficaram mais caros no ano foram batata (97,61%), cebola (75,10%), leite em pó (62,90%) e feijão (39,71%). Já o tomate (-29,48%), o açúcar refinado (-21,76%), o sabão em pó (-7,93%) e a cenoura (-4,49%) registraram as maiores reduções nos preços.


    Na análise mensal, o custo da Cesta de compras variou positivamente 1,79%. No mês anterior, novembro, o custo da cesta já havia registrado aumento de 1,09%. Em dezembro, verificou-se aumento de 1,75% nos gastos entre as famílias que recebem até 8 salários mínimos e, para as que ganham acima desse valor, o reajuste foi de 1,81%. Na última semana do mês (período compreendido entre 21 e 31 de dezembro), o custo com a Cesta de Compras registrou alta de 0,74%.


    A pesquisa da Fecomércio-RJ reflete as variações de 6.440 preços, coletados em 200 locais, referentes a 39 itens (32 de alimentação, 4 de higiene e 3 de limpeza) de maior peso no orçamento, consumidos por famílias de dez diferentes faixas de renda.

  • Para BC, pacote fiscal ajuda a conter juro

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    Em reunião na quinta-feira no Palácio do Planalto, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o pacote de medidas para compensar a perda da CPMF contribuirá para evitar alta da taxa básica de juros, a Selic.


    Segundo Meirelles, sem as medidas, a política monetária teria de ser mais conservadora do que já é. Leia-se: possibilidade de elevação da Selic, hoje em 11,25% ao ano.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    Em reunião na quinta-feira no Palácio do Planalto, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o pacote de medidas para compensar a perda da CPMF contribuirá para evitar alta da taxa básica de juros, a Selic.


    Segundo Meirelles, sem as medidas, a política monetária teria de ser mais conservadora do que já é. Leia-se: possibilidade de elevação da Selic, hoje em 11,25% ao ano. O problema é que, para o governo, uma alta de juros quebraria o ciclo virtuoso que a economia brasileira vive, ao afetar o otimismo do empresariado em relação às perspectivas de crescimento nos próximos anos.


    Aí, na avaliação da equipe econômica, seria o pior dos mundos, porque isso teria impacto nos investimentos necessários para atender uma demanda sustentada pelo crescimento do crédito.


    Nesse cenário, para evitar uma escalada inflacionária, o BC teria que frear o consumo de forma brusca, com impacto sobre o nível de atividade.


    Do ponto de vista fiscal, o pacote “20 + 10 + 10” compensa a extinção do imposto do cheque, tributo que arrecadaria R$ 38 bilhões em 2008.


    Foram R$ 20 bilhões em promessa de corte de gastos, R$ 10 bilhões em aumento de impostos e R$ 10 bilhões que serão adicionados à arrecadação tributária de 2008 devido à previsão de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) na casa dos 5%.


    Contudo, segundo disse Meirelles a Lula, o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) deverá aumentar o custo dos empréstimos, reduzindo a velocidade de expansão das operações de crédito. Isso pode até minimizar as pressões inflacionárias.


    Como antecipou a Folha, a direção do BC via com preocupação qual solução Lula adotaria para compensar a perda da CPMF. Uma parte dos diretores do BC já falava informalmente que a discussão não era mais até quando os juros ficariam inalterados, mas sobre a possibilidade de elevar a taxa.


    Como o pacote para compensar a perda da CPMF, fica descartada, por ora, a elevação dos juros. E haverá, segundo palavras de Meirelles ao presidente, espaço para reduzir a Selic. Mas num ritmo menor.


    Segundo a Folha apurou, Meirelles não se comprometeu com eventual número de reduções da Selic em 2008.


    O mercado financeiro estima que, no máximo, haverá três cortes de 0,25 ponto percentual em 2008. Isso deixaria a Selic em 10,5% ao ano em dezembro próximo, no cenário mais favorável.


    Meirelles argumentou que o “pacote da CPMF” foi uma boa resposta econômica no aspecto interno, mas não é apenas isso que preocupa.


    Há ainda riscos de contaminação em função da evolução da economia mundial, como o desenrolar da crise de crédito imobiliário nos Estados Unidos e as previsões de recessão na maior economia do planeta.


    Presente à reunião, o ministro Guido Mantega (Fazenda) foi mais otimista. Avaliou que a inflação continuará inferior à meta oficial, 4,5% ao ano pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo). O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que também participou da reunião, lembrou que o pacote ajudará a afastar expectativas negativas sobre a economia e que isso terá reflexo positivo sobre o crescimento.


    No início do ano passado, o mercado previu crescimento do PIB de 4,5%. O ano de 2007 deverá fechar com um PIB superior a 5% -Lula e Mantega apostam numa taxa de 5,2%.


    IOF “substitui” até 2 pontos de alta na Selic


    Duas simulações de financiamentos feitas pela gestora de recursos Quest Investimentos mostram que a alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) anunciada na semana passada encarece o crédito na mesma proporção de uma elevação na taxa básica Selic de 0,95 ponto percentual (no caso de um veículo) e 2,03 pontos percentuais (em uma simulação para crédito consignado).


    O governo anunciou aumentos no IOF e na CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) como forma de compensar parte do fim da CPMF (o tributo do cheque), que garantiria neste ano uma arrecadação de R$ 38 bilhões.


    Mas economistas apontam que, além da arrecadação de R$ 10 bilhões a mais com a alta nessas alíquotas, como estima o governo, a alta terá efeito de política monetária. Ou seja, como encarecerá o crédito, pode até ajudar a restringir o consumo em um momento de acelerada expansão econômica e temores de mais inflação.


    As simulações realizadas pelo economista-chefe da Quest Investimentos, Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), ex-ministro das Comunicações do governo FHC e colunista da Folha, mostram que o aumento do IOF substitui, em alguns casos, elevações importantes na taxa básica de juros.


    Ele simulou o impacto do aumento anunciado no imposto sobre a prestação de um veículo financiado em 60 meses a uma taxa de juros de 28,5% ao ano.


    Chegou à conclusão de que a alta na prestação seria de 1,5%: no caso do financiamento de um veículo com o preço de R$ 30 mil, por exemplo, o valor da prestação passaria de R$ 886,50 para R$ 899,80, ou seja, aumentaria R$ 13,30.


    Para produzir o mesmo efeito do aumento de IOF, a Selic, atualmente em 11,25% ao ano, teria que aumentar em 0,95 ponto percentual, ou seja, teria que passar para 12,2% ao ano.


    No caso do crédito consignado, com prazo menor, de 24 meses, e com a mesma taxa de juros de 28,5% ao ano, o aumento equivalente na Selic seria de 2,03 pontos percentuais -precisaria passar a 13,28% ao ano para ter o mesmo efeito da alta do IOF sobre a prestação.


    “Além de aumentar a arrecadação, [a alta no IOF] está no sentido correto de uma política econômica que objetive diminuir a corrida às compras a que estamos assistindo, para evitar problemas com a inflação”, afirmou Mendonça de Barros.


    Ele destacou ainda que o aumento é positivo, pois eleva o custo do crédito ao consumo, mas não recai sobre o crédito para investimentos das empresas. “A economia está superaquecida e o aumento do volume do crédito ao consumo, em uma situação de aumento da massa salarial, é hoje um dos elementos mais importantes no aumento do gasto das famílias. Tentar reduzir sua expansão está na direção correta”, disse Mendonça de Barros.


    Para o economista Francisco Pessoa, da consultoria LCA, a alta do IOF pode ter “algum efeito contracionista sobre o nível da atividade”.


    Apesar do encarecimento do crédito, a maior parte dos economistas diz não acreditar que a alta da IOF será suficiente para reduzir a expansão do crédito ao consumo, a começar por Mendonça de Barros. A avaliação é que haverá mais emprego e renda e que o consumidor continuará tomando crédito.


     


     




     


     

  • Alta dos alimentos vai manter pressão sobre inflação em 2008

    O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-5


    2007 foi o ano da inflação dos alimentos e a comida deve continuar pressionando o custo de vida em 2008. O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) fechou 2007 com alta de 4,38%, bem superior à expectativa inicial, que era de 3,6%, e quase dois pontos porcentuais acima da inflação acumulada em 2006, que havia sido de 2,55%.


    Os preços dos alimentos subiram no ano passado 12,73%, depois de ficarem praticamente estáveis em 2006 (0,06%).

    O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-5


    2007 foi o ano da inflação dos alimentos e a comida deve continuar pressionando o custo de vida em 2008. O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) fechou 2007 com alta de 4,38%, bem superior à expectativa inicial, que era de 3,6%, e quase dois pontos porcentuais acima da inflação acumulada em 2006, que havia sido de 2,55%.


    Os preços dos alimentos subiram no ano passado 12,73%, depois de ficarem praticamente estáveis em 2006 (0,06%). Foi a maior variação registrada nos preços da comida desde 2002. Só os alimentos contribuíram para mais da metade (63,5%) da inflação de 2007. Dos cerca de 500 preços pesquisados para apurar o indicador, o feijão foi o líder absoluto de alta no ano: subiu 149,5% e respondeu por 10,02% do IPC-Fipe. Entre os 30 itens que registraram as maiores altas de preços no ano passado, apenas três não são alimentos.


    “Se os preços dos alimentos tivessem ficado estáveis, o IPC-Fipe de 2007 teria sido de 1,62%”, calcula o coordenador do indicador, Márcio Nakane. Para 2008, ele diz que os alimentos vão continuar pressionando a inflação, não com a mesma intensidade de 2007. “Mas o comportamento dos preços da comida neste ano não será tão favorável como foi em 2006.”


    Nakane observa que o cenário internacional para os alimentos continua apertado, com elevações significativas dos preços dos grãos, pressionados pela demanda crescente por agroenergia. Na quinta-feira, por exemplo, a cotação da soja, matéria-prima usada para engorda de frangos, suínos e bovinos, bateu recorde histórico na Bolsa de Chicago, nos Estados Unidos.


    O economista diz que já existem indicações de que começa a ocorrer um certo alívio nos preços dos alimentos. “Temos vários indicadores que mostram que o pior já passou.” Um desses indicadores é o preço do feijão. No índice ponta a ponta, que é um indicador de tendência, o preço do grão, que havia subido 50,4% na terceira quadrissemana de dezembro, aumentou 38,4% na última quadrissemana do mês. A carne bovina, por sua vez, que havia aumentado 5,70% no índice ponta a ponta na terceira quadrissemana de dezembro, subiu 2,77% na última quadrissemana do mês. “A perspectiva é de que a elevação dos alimentos seja mais razoável em janeiro; essa é a boa notícia.”


    De toda forma, a comida ainda foi a vilã do IPC-Fipe no mês passado. Para uma variação de 0,82% da inflação geral de dezembro, o grupo alimentação foi o que mais subiu: 2,02%, respondendo por 55,63% do IPC.


    Além da alimentação, o outro foco de pressão do IPC no mês passado foram as despesas pessoais, que são basicamente serviços. Esse grupo subiu 1,18% em dezembro. Nakane destaca que a maior contribuição para a alta veio dos preços das viagens, que subiram 6,69%. Ele considera o aumento sazonal. Em 2007, as despesas pessoais subiram 4,14% e, junto com alimentação, foram os dois grupos de preços, dos sete pesquisados pela Fipe, que não desaceleraram no ano passado na comparação com 2006.


    Na análise de Nakane, a elevação das despesas pessoais não indica uma inflação de demanda. Os serviços no ano passado subiram 5,28%, depois dos produtos comercializáveis, influenciados pelos alimentos, que tiveram alta de 6,61%. O economista admite que houve uma mudança de nível de preços dos serviços em 2007, mas não acredita que esse movimento seja um foco de preocupação.


    Para 2008, o palpite de Nakane é que o IPC-Fipe seja de 4% e o IPCA fique próximo de 4,5%. Nessas projeções preliminares ele considera uma leve desvalorização do câmbio e as tarifas mais pressionadas em razão da alta dos IGPs.