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  • Copom não fala mais em ‘pausa’ e deve congelar Selic por longo tempo

    Valor Econômico  Editoria: Finanças  Página: C-2


    O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, ontem, por unanimidade, manter a meta de Taxa Selic em 11,25% ao ano. A decisão correspondeu às expectativas do mercado, que não espera para tão cedo uma retomada da trajetória de cortes na taxa básica da economia. 


    O processo de queda, que já durava dois anos, tinha sido interrompido na reunião de outubro, quando o Copom decidiu manter a taxa, após dezoito reduções seguidas. Só em 2007, foram seis cortes, o último em setembro.

    Valor Econômico  Editoria: Finanças  Página: C-2


    O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu, ontem, por unanimidade, manter a meta de Taxa Selic em 11,25% ao ano. A decisão correspondeu às expectativas do mercado, que não espera para tão cedo uma retomada da trajetória de cortes na taxa básica da economia. 


    O processo de queda, que já durava dois anos, tinha sido interrompido na reunião de outubro, quando o Copom decidiu manter a taxa, após dezoito reduções seguidas. Só em 2007, foram seis cortes, o último em setembro. Desde então, os indicadores sobre a atividade econômica, que continua crescente, e expectativa de inflação levaram o BC a optar por uma postura de cautela. 


    Com a decisão de ontem, a meta Selic fecha 2007 exatos dois pontos percentuais abaixo do que era no final de 2006 (13,25% ao ano). Os indicadores apurados pelo BC sobre crédito indicam que essa queda se refletiu nas taxas de juros ao tomador final, tanto para empresas quanto para pessoas físicas. 


    Medida em relação às operações com recursos de livre aplicação dos bancos, a taxa média para pessoas físicas já caiu 6,3 pontos em comparação a dezembro de 2006, situando-se em 45,8% ao ano em outubro desse ano. Apesar de terem subido desde agosto último, os juros para as empresas também caíram em relação ao que eram no final do ano passado e ficaram, em média, 23,4% ao ano. 


    Uma parcela da queda da taxa final foi consequência da redução de spreads bancários, que caíram, em média, 5,1 pontos percentuais para pessoas físicas e 0,8 ponto percentual para empresas nesse período. Mas, por influência da redução da Selic, da qual são mais próximas, as taxas de captação também se reduziram, em ambos os segmentos, ajudando a derrubar as taxas finais ao tomador. 


    Os números do BC indicam que o processo de redução dos juros básicos e seus reflexos nas demais taxas da economia também provocaram aumento de demanda por crédito, o que foi atendido pelos bancos. Em dez meses, o estoque das operações de crédito do sistema financeiro saltou de R$ 732,59 bilhões para R$ 880,8 bilhões, indo de 30,8% para 34% do Produto Interno Bruto do país (o BC usa o PIB nominal valorizado, ou seja, medido a preços do último mês de referência, no caso outubro). 


    Para 2008, as expectativas do mercado indicam retomada do processo de redução da Selic.


    Mas, se de fato ocorrerem, os cortes serão mais tímidos, de acordo com as mesmas expectativas. A mediana das projeções de mercado apuradas pelo BC indicam que, no final de 2008, a meta de Selic estará em 10,25% ao ano. As expectativas de inflação reforçam a possibilidade de retomada das reduções. Pela mediana das projeções, a inflação do IPCA será de 4,10% em 2008, superior à de 2007, que deve ficar em 3,96%, mas ainda abaixo dos 4,5% fixados como meta e referência para as decisões do BC sobre juros. 


    Na visão do economista-chefe da Gradual Corretora, Pedro Paulo B. da Silveira, os próximos passos da política monetária dependerão da prorrogação ou não da CPMF. Se o governo não conseguir dilatar a vigência do imposto, ficará caracterizado um relaxamento fiscal incompatível com os esforços monetaristas do BC. Enquanto o Copom atua para apertar a política monetária, o fim do imposto tem efeito fiscal expansionista. Ou seja, haverá mais dinheiro em circulação, com impactos não desprezíveis sobre a inflação. Nessa hipótese, e se o governo não conseguir encontrar substitutos à altura da CPMF, não se pode descartar a possibilidade de o Copom até vir a subir a Selic. Mas não é esse o cenário mais provável com o qual Silveira trabalha. Para ele, a CPMF será aprovada e irá permitir a concessão do grau de investimento ao Brasil. O dólar retomará a rota de baixa e o BC poderá pensar em reduzir a Selic já no primeiro trimestre de 2008. 


    Ao retirar a palavra “pausa” do comunicado expedido após a reunião de ontem, o BC sinaliza que pode estender por longo período a estabilidade da Selic em 11,25%. Para o economista-chefe da Concórdia Corretora, Elson Teles, a ata da reunião de ontem deve tornar clara a percepção de que houve uma piora no balanço de riscos para a inflação, tanto associada ao cenário externo quanto doméstico. Isso trará a sinalização de que a Selic poderá ficar estável em 11,25% por mais tempo do que se imaginava. Para o consultor Miguel Daoud, da Global Financial Advisor, a tendência é de o juro não sair do lugar enquanto o governo não conseguir gerenciar adequadamente os problemas fiscais e os decorrentes do crescimento. 


    Gastos públicos com juros ficam estáveis


    O Iedi mostra que de janeiro a outubro deste ano o governo pagou R$ 135,2 bilhões em juros da dívida, mais do que os R$ 133,5 bilhões do mesmo período em 2005 e os R$ 134,9 bilhões em 2006. “Os números mostram que nada foi capturado pelo setor público dessa redução da taxa básica”, dizem os especialistas do Iedi. “A variação entre esses valores é claramente muito pequena”, comentam eles. 


    Se forem comparadas as médias mensais, teremos R$ 13,5 bilhões para 2007 no período de janeiro a outubro, na comparação com os R$ 13,3 bilhões do mesmo período em 2006 e os R$ 13,1 bilhões para 2005. Em 2004, quando a Selic aumentou de 16% em agosto para 19,75% em agosto de 2005, os gastos mensais com juros eram menores, de R$ 10,7 bilhões. “O custo da dívida elevou-se correspondentemente ao aumento nos juros básicos”, diz o estudo do Iedi, mas “do lado oposto, ou seja, quando os juros passaram a cair, não houve a mesma correspondência de redução do gasto com juros pelo setor público”. 


    O Iedi não deixa de notar que, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), os gastos com juros caíram. Foram de 7,57% do PIB para de janeiro a outubro em 2005, 7,08% do PIB no ano seguinte e o último resultado é de cerca de 6,5%. “Foram a inflação e o crescimento econômico real que levaram a uma queda do percentual relativo a juros do setor público sobre o PIB”, diz o estudo. 


    Para o Iedi, “dificilmente um devedor deixaria de usufruir em alguma parcela pelo menos de uma condição mais favorável quanto à taxa de juros”. Mas, o setor público brasileiro optou por promover durante dois anos uma intensa mudança na composição da dívida pública em títulos, na qual patrocinou uma expressiva redução dos títulos indexados à taxa Selic em favor dos títulos com taxas de juros prefixadas ou títulos indexados a índices de preços, que têm juros mais altos. Para o Iedi, “embora correta e oportuna, a política que busca diminuir o peso da parcela da dívida vinculada à taxa de juros básica foi promovida com velocidade além do necessário e do que é razoável, a ponto de neutralizar qualquer ganho financeiro por parte do devedor, o setor público”. 


     


     


     


     




     

  • Presidente da CNC destaca ações do Sesc e do Senac na abertura do IX Cbratur

    Durante a sessão solene de abertura do IX Congresso Brasileiro da Atividade Turística (Cbratur), realizada ontem (04) na Câmara dos Deputados, em Brasília, o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antonio Oliveira Santos, destacou as ações do Sesc e do Senac em prol do desenvolvimento do turismo brasileiro, através das iniciativas das duas entidades.

    Durante a sessão solene de abertura do IX Congresso Brasileiro da Atividade Turística (Cbratur), realizada ontem (04) na Câmara dos Deputados, em Brasília, o presidente da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Antonio Oliveira Santos, destacou as ações do Sesc e do Senac em prol do desenvolvimento do turismo brasileiro, através das iniciativas das duas entidades. “O Sesc focaliza com atenção especial o setor turístico, principalmente na área que denominamos turismo social, que tem como finalidade ofercer mais facilidades de acesso a viagens, hospedagens e passeios à população em geral. Já o Senac possui os melhores equipamentos especializados em formação na área de turismo, distribuídos em todas as regiões brasileiras”, afirmou. O presidente da CNC, uma das entidades que apóiam o evento, também destacou os papéis do Conselho de Turismo e da Câmara Brasileira de Turismo da entidade.  


    Arlindo Chinaglia: crescimento econômico pelo Turismo 


    A participação de Oliveira Santos sucedeu a do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia, que destacou o crescimento da receita do setor, especialmente após a criação do Ministério de Turismo. O parlamentar citou dados do Banco Central para endossar sua participação: em outubro foram injetados US$ 436 milhões na economia brasileira advindos de gastos de turistas. “É fato que o país vem ampliando suas receitas com o turismo, que não é somente uma fonte de renda importante, mas também uma atividade que gera empregos”, declarou. Chinaglia espera que o IX Cbratur apresente propostas e elementos que auxiliem a tomada de decisões da Câmara em relação ao setor.    


    A mesa solene de abertura do evento foi composta – além dos presidentes da Câmara e da CNC – pela ministra do Turismo, Marta Suplicy; pela deputada Lídice da Mata, presidente da Comissão de Turismo e Desporto da Câmara; pelo deputado Eliseu Padilha, presidente da Comissão de Viação e Transporte da Câmara; pelo deputado Alex Canziani, presidente da Frente Parlamentar de Turismo; por Marcelo Perrupato, secretário de Política Nacional de Transportes, representando o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento; Sergio Gaudenzi, presidente da Infraero; e por Virgílio Loureiro, secretário de Turismo de Alagoas, representando o Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo.


    Copa do Mundo


    A ministra do Turismo, Marta Suplicy, destacou, durante a abertura do IX Cbratur, que a Copa do Mundo de 2014 ajudará a desenvolver o turismo nacional de maneira mais rápida.”Em termos turísticos, as pessoas não sabem o que o próprio país oferece”, comentou. Segundo a ministra, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) está produzindo um levantamento de 65 locais em todo o Brasil que irão receber investimentos; a pesquisa envolve desde necessidade hoteleira até a sustentabilidade dos negócios que podem ser criados.  


    Para o coordenador da Frente Parlamentar de Turismo, Alex Canziani, o setor é a mola que pode impulsionar a criação de postos de trabalho e desenvolvimento do Brasil como um todo. “Se somarmos a isso a costa brasileira, o ecoturismo e as belezas naturais do país, é evidente que tudo faz com que o Brasil tenha possibilidade de, cada vez mais, gerar empregos”, frisou.  Outro ponto importante foi abordado pelo deputado Eliseu Padilha: “Há efetivamente uma crise nos transportes, mas ela existe devido à uma demanda que supreendeu a todos. Devemos ver que a crise é uma oportunidade para novos caminhos”.


    Quarta-feira: painéis


    Hoje, quarta-feira (05), será debatido o tema O Turismo e Transporte Aéreo, na parte da manhã, com uma mesa redonda, debates e participação dos congressistas, jornalistas, estudantes e autoridades. A parte da tarde está reservada para o painel Turismo e Transporte Rodoviário, além das conferências de Bernardo Trindade (Secretário de Turismo de Portugal), Jena Claude Baumgarten (presidente da World Travel and Tourism Council – WTTC).          


             

  • Centrais pressionam governo contra redução do imposto sindical

    Valor Econômico  Editoria: Política  Página: A-7


    A elaboração do projeto de lei de reforma do imposto sindical – a ser enviado ao Congresso Nacional em fevereiro – começa a dividir o governo federal e as centrais sindicais. O texto tem sido debatido em grupo de estudo criado pelo Ministério do Trabalho com integrantes das duas partes. A fixação de um teto máximo para a contribuição dos trabalhadores parece ser o principal impasse. 


    O governo federal quer fixar em 1% do salário anual do trabalhador o teto para a cobrança da contribuição sindical.

    Valor Econômico  Editoria: Política  Página: A-7


    A elaboração do projeto de lei de reforma do imposto sindical – a ser enviado ao Congresso Nacional em fevereiro – começa a dividir o governo federal e as centrais sindicais. O texto tem sido debatido em grupo de estudo criado pelo Ministério do Trabalho com integrantes das duas partes. A fixação de um teto máximo para a contribuição dos trabalhadores parece ser o principal impasse. 


    O governo federal quer fixar em 1% do salário anual do trabalhador o teto para a cobrança da contribuição sindical. As centrais reclamam do valor e querem aumentá-lo. Reivindicam, pelo menos, um teto de 1,3% dos rendimentos anuais de cada contribuinte. 


    O projeto só chegará ao Congresso em fevereiro. O texto vai criar uma contribuição única para o trabalhador, em substituição ao imposto sindical e às contribuições assistencial e confederativa. Hoje, esses três tributos mordem 25% de um salário do trabalhador no ano. Com a proposta do governo – de cobrança de 1% dos rendimentos anuais do trabalhador – a cobrança ficaria entre 12% e 13% de um rendimento. 


    “Esse valor é baixo. Diminuir o rendimento dos sindicatos de 25% de um salário para 13% é muito pouco. Isso é que é corte fiscal”, disse o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical. Se as centrais conseguirem impor o 1,3% reivindicado, a fatia de um salário do trabalhador repassada aos sindicatos chegaria a 16,9%. “Ainda haverá redução no pagamento do trabalhador e é um valor que consideramos necessário”, completa. O projeto aprovado na Câmara e derrubado no Senado, por pressão das centrais, acabava com a obrigatoriedade do pagamento deste imposto. 


    Se uma pessoa tem R$ 13 mil de rendimentos anuais (doze salários de R$ 1 mil, além do 13º ), pagará aproximadamente R$ 130 por ano se a proposta do governo for a vencedora. Caso as centrais consigam impor os 16,9%, o pagamento (para quem recebe R$ 13 mil anuais) será de R$ 219,70 por ano. Hoje, segundo dados das centrais sindicais, o trabalhador com esse rendimento anual paga, somadas todas as contribuições, R$ 325 anuais. 


    O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT-RJ), considera o teto de 1% o ideal. “Sei que as centrais resistem, mas esse patamar talvez seja o mais justo”, disse o pedetista, ontem, depois de se reunir com o presidente do Senado, Tião Viana (PT-AC). Lupi e as centrais visitaram o petista para agradecer a celeridade dada ao projeto de lei de regulamentação das centrais, aprovado na semana passada. 


    Aprovado o texto no Senado, o projeto de regulamentação das centrais volta para uma última análise da Câmara. Caberá aos deputados manter ou derrubar as emendas feitas pelos senadores. A idéia do governo e das centrais é aprovar, entre os deputados, o projeto como foi votado pelos senadores sem qualquer alteração. 


    Mas o texto só deverá ser votado em 2008, justamente na época do envio da proposta sobre o imposto sindical. É que a Câmara está com a pauta trancada por seis medidas provisórias e dois projetos de lei com urgências constitucional. Além disso, há a obstrução feita pelo governo ao trabalho dos deputados. O Palácio do Planalto teme que a aprovação das MPs (que chegariam ao Senado trancando a pauta) atrase ainda mais a votação da CPMF. 


    Com o impasse, talvez não haja tempo para aprovar o texto em 2007, já que os trabalhos da Câmara encerram-se no dia 24 de dezembro, segunda-feira. A análise final dos deputados deverá ficar para fevereiro. Só haveria mudança nessa previsão se o Senado acelerar fortemente a votação dos dois turnos da CPMF. 


    Hoje, as centrais vão pressionar o Congresso e o governo para acelerar a votação do texto na Câmara. Durante a 4ª Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, os líderes do movimento sindical se encontrarão com o presidente Lula. Entregarão uma lista de reivindicações. Entre elas, o pedido para a base aliada votar sem alterações o projeto de regulamentação das centrais. 


     


     


     


     

  • Governos não cumprem nova lei

    Valor Econômico Editoria: Legislação Página: E-1


    O Estatuto Geral das Micro e Pequenas Empresas completa um ano neste mês, mas até agora a maior parte dos Estados e municípios brasileiros ainda não regulamentou ou aplicou o tratamento diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123 para estes empreendimentos. De acordo com o Sebrae, apenas São Paulo, Minas Gerais, Sergipe, Rio Grande do Norte e Amapá editaram normas próprias para as compras públicas previstas na nova legislação federal.

    Valor Econômico Editoria: Legislação Página: E-1


    O Estatuto Geral das Micro e Pequenas Empresas completa um ano neste mês, mas até agora a maior parte dos Estados e municípios brasileiros ainda não regulamentou ou aplicou o tratamento diferenciado previsto na Lei Complementar nº 123 para estes empreendimentos. De acordo com o Sebrae, apenas São Paulo, Minas Gerais, Sergipe, Rio Grande do Norte e Amapá editaram normas próprias para as compras públicas previstas na nova legislação federal. Entre os 5.564 municípios brasileiros, menos de 100 publicaram novas regras para desburocratizar a abertura de micro e pequenas empresas e facilitar seu acesso às compras governamentais em licitações. 


    O Estatuto Geral das Micro e Pequenas Empresas garantiu às micro e pequenas empresas vantagens como a redução de burocracias de abertura e encerramento, participação exclusiva em licitações de valores inferiores a R$ 80 mil e benefícios competitivos nos casos de disputa com empresas de maior porte – além do recolhimento unificado de tributos previsto no Supersimples, já em vigor. Segundo o Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, e o Sebrae, 99% das empresas no país são micro ou pequenas – um universo de 3,2 delas, responsáveis por 24% do total da receita bruta privada e por 55% dos empregos formais. 


    Com exceção dos benefícios tributários, caberia à União, Estados e municípios a criação de normas que regulamentassem as vantagens previstas na nova lei. De acordo com o consultor da unidade de políticas públicas do Sebrae, André Spínola, das três esferas, os municípios são os mais omissos até agora e poucas prefeituras regulamentaram os benefícios. Segundo ele, há alguns exemplos a serem seguidos, como os municípios de Belo Horizonte, em Minas Gerais, Petrópolis, no Rio de Janeiro, e o Distrito Federal, locais onde as empresas que não tenham atividades que envolvam riscos sanitários podem obter o alvará de funcionamento pela internet. Em relação às compras públicas, as cidades de Manaus, no Amazonas, Caruaru, em Pernambuco, e os municípios paulistas de Presidente Prudente, Santa Fé do Sul e Itararé se tornaram modelos ao editarem normas que destinam parte das licitações às micro e pequenas empresas. Mas, de acordo com Spínola, a grande maioria dos municípios ainda não deu atenção à questão. “Há prefeitos que dizem nem mesmo conhecer o estatuto”, afirma. 


    A diretora do Fórum Permanente das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, Cândida Cervieri, diz que o grupo tem trabalhado em parceria com Estados, municípios e entidades para que as regulamentações necessárias sejam feitas. “Estamos trabalhando para alinhar as políticas nacionais e estaduais primeiro”, diz. Segundo ela, os trabalhos já estão na segunda fase, que é a regulamentação das regras estaduais. A maior dificuldade, diz, é o desconhecimento da lei por parte dos pequenos empresários, que não pleiteiam seus direitos. 


    Para o advogado Márcio Minoro Garcia Takeuchi, consultor de políticas públicas do Sebrae, o administrador público que deixar de assegurar o tratamento diferenciado determinado pela nova lei poderá incorrer em improbidade administrativa, por não respeitar os princípios da administração pública previstos na Constituição. “As empresas prejudicadas podem procurar o Ministério Público para que proponha uma ação civil ou mesmo entrar com mandados de segurança contra as unidades coatoras para que cumpram a lei”, afirma. 


    Mas, de acordo com o advogado Carlos Pinto Coelho Motta, do escritório Pinto Coelho Motta e Bicalho Advogados, no que se refere às licitações o estatuto não necessita de qualquer regulamentação regional para que seja aplicado. Segundo ele, todas as contratações públicas do país já deveriam estar seguindo os parâmetros do estatuto. “Estados e municípios não podem ter legislações contrárias à legislação federal. O estatuto já é uma norma regulamentadora”, afirma. O advogado diz que falta às micro e pequenas empresas manifestarem-se na Justiça contra licitações que não contemplem a nova lei. 


    Sob esse entendimento, o Tribunal de Contas da União (TCU) proferiu em agosto um acórdão em favor de uma microempresa que ficou em segundo lugar em uma licitação da Fundação Universidade Federal da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul. O ministro relator, Aroldo Cedraz, argumentou que as regras do estatuto têm aplicação imediata e que a empresa vencedora, se não estivesse enquadrada na nova lei, perderia o certame para a microempresa. 


     


     


     

  • Câmbio afeta ritmo de exportações

    O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-9


    Levantamentos feitos pela Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que o real valorizado está impedindo que o Brasil consiga acompanhar o mesmo ritmo de crescimento nas exportações que os países emergentes, como China e Índia. Dados obtidos pelo Estado apontam que de janeiro a setembro o crescimento das vendas do País em termos nominais foi de 16%, pouco acima da média mundial de 15% no mesmo período. Mesmo assim, o desempenho somente está sendo atingido graças aos altos preços das commodities agrícolas.

    O Estado de São Paulo Editoria: Economia Página: B-9


    Levantamentos feitos pela Organização Mundial do Comércio (OMC) indicam que o real valorizado está impedindo que o Brasil consiga acompanhar o mesmo ritmo de crescimento nas exportações que os países emergentes, como China e Índia. Dados obtidos pelo Estado apontam que de janeiro a setembro o crescimento das vendas do País em termos nominais foi de 16%, pouco acima da média mundial de 15% no mesmo período. Mesmo assim, o desempenho somente está sendo atingido graças aos altos preços das commodities agrícolas.


    Em 2006, o Brasil vendeu US$ 137,5 bilhões e fechou o ano na 24ª posição entre os maiores exportadores do mundo e, ao contrário do que previa o governo, caiu no ranking. No ano passado, as exportações já haviam crescido 16%, mas outros países emergentes apresentaram desempenhos superiores em suas vendas. Com 1,1% do mercado mundial, o Brasil não tem garantias de que conseguirá subir na tabela em 2007.


    A China, que já é a terceira maior exportadora, somou US$ 968,9 bilhões em 2006 e, até setembro de 2007, teve um aumento de 27% em suas vendas. As importações cresceram 20%. A Índia também apresentou dados positivos, com crescimento de 20% em suas exportações de janeiro a setembro. As importações aumentaram 25%.


    No caso do Brasil, o real também estaria impactando nas importações. No ano passado, as compras chegaram a US$ 95,9 bilhões, com alta de 24%. Segundo a OMC, o País ocupava a 28ª posição entre os maiores importadores do mundo, ranking liderado pelos Estados Unidos com US$ 1,9 trilhão. De janeiro a setembro deste ano, a alta no Brasil já foi de 28%, em parte também graças ao aumento do consumo interno.


    Desaceleração


    Para os economistas na OMC, o Brasil teria potencial para crescer a níveis mais elevados. Dados dos últimos anos mostram que, de fato, houve uma desaceleração no ritmo de crescimento das exportações brasileiras. Em 2004, a taxa chegou a 32%, ante 23% em 2005 e 16% no ano passado, desempenho que poderá se repetir nesse ano.


    O risco, segundo os analistas, é que o crescimento no Brasil pode estar sendo inflado pelos altos preços de commodities como açúcar ou soja. Se o real continuar valorizado e o mercado agrícola recuar, a balança comercial brasileira também poderia sentir um impacto.


    Os índices brasileiros hoje, portanto, são muito parecidos com o desempenho da Europa, que no período de janeiro a setembro de 2007 mostraram crescimento de 15%. Tradicionalmente, o aumento das exportações em países ricos é menor que que dos países emergentes, já que parte de uma base maior. Nos Estados Unidos, a taxa foi de 11%, abaixo dos 15% de 2006.


    Em relatório lançado ontem pela OMC sobre os 60 anos da criação do atual sistema multilateral do comércio, ficou ainda claro que o Brasil dominava uma fatia maior do comércio mundial em 1948 que hoje. Há 60 anos, as exportações nacionais representavam 2% das vendas mundiais. Em 2006, 1,1%. A proporção de exportação por Produto Interno Bruto (PIB) era bem maior no início do século, com 9,8% em 1913. Em 2000, essa taxa caiu para 5,5%. Hoje, voltou para quase 9%.


    Tecnologia


    Em um dos setores de maior dinamismo, o de produtos de tecnologia, o Brasil é o 18ª maior exportador, de acordo com dados de 2005. Naquele ano, o País representava apenas 0,3% do comércio do setor, com US$ 4 bilhões. Já a China aparecia com 14,9% do comércio mundial, superada apenas pela Europa, com 27%.


    Mas, se o comércio entre os países do bloco europeu não for considerado, a China é a primeira com US$ 213 bilhões, seguida por Estados Unidos com US$ 170 bilhões e México com US$ 33 bilhões. Entre os importadores de produtos de tecnologia, o Brasil também ocupa a 18ª posição. Porém, com compras de US$ 10,9 bilhões e 0,7% do que é consumido no mundo.


     


     


     

  • 13º salário injetará R$ 8,3 bi no Estado

    Jornal do Commercio Editoria: Rio de Janeiro Página: A-14


    O 13º salário injetará R$ 8,347 bilhões no Estado, de acordo com pesquisa realizada pela Fecomércio-RJ com 885 trabalhadores na Região Metropolitana do Rio. Deste total, R$ 1,173 bilhão foi o valor pago na primeira parcela e R$ 1,516 bilhão foi valor adiantado ao trabalhador ao longo do ano.


    O restante será dividido entre a segunda parcela (R$ 2,688 bilhões) e os que receberão o abono de forma integral (R$ 2,970 bilhões).

    Jornal do Commercio Editoria: Rio de Janeiro Página: A-14


    O 13º salário injetará R$ 8,347 bilhões no Estado, de acordo com pesquisa realizada pela Fecomércio-RJ com 885 trabalhadores na Região Metropolitana do Rio. Deste total, R$ 1,173 bilhão foi o valor pago na primeira parcela e R$ 1,516 bilhão foi valor adiantado ao trabalhador ao longo do ano.


    O restante será dividido entre a segunda parcela (R$ 2,688 bilhões) e os que receberão o abono de forma integral (R$ 2,970 bilhões). A lei determina que os empregadores têm até o dia 20 de dezembro para pagar o 13° salário de seus funcionários.


    A pesquisa revelou que a primeira parcela já tem destino certo. Dentre as despesas já definidas, os entrevistados vão utilizar a maior parte (R$ 524 milhões) na compra de produtos e serviços (R$ 272 milhões) e na reserva de dinheiro (R$ 252 milhões). Os R$ 486 milhões restantes serão utilizados no pagamento de dívidas.


    “O décimo terceiro salário vai injetar na economia do Estado do Rio de Janeiro um volume 5% maior do que o montante de 2006. Além disso, o total da primeira parcela do abono usado para o pagamento de dívidas é 22,5% menor do que o do ano passado (R$ 627 milhões), o que mostra que o fluminense está cada vez mais organizado”, analisa o presidente da Fecomércio-RJ, Orlando Diniz


    Depois do pagamento de todas as despesas, em outubro, 78,3% das famílias estavam com o orçamento equilibrado e superavitário, contra 77,1% em igual mês de 2006. Com relação ao percentual de famílias com contas em atraso na região, o índice caiu de 21,2% para 19,6% na mesma base de comparação e a parcela de famílias com alguma prestação em atraso passou de 15,0% para 13,7%.


    “Esse cenário demonstra a consistência da melhora da saúde financeira do consumidor. É reflexo do bom momento da economia. Mesmo com a expansão do crédito, a inadimplência está em queda, o que mostra que o consumidor está organizando suas finanças de uma forma mais madura, administrando bem a sua renda e planejando as suas compras”, completa.

  • Fusões e compras são recorde no País

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia   Página: A-6


    O número de operações de fusões ou aquisições no Brasil bateu recorde neste ano, mesmo faltando um mês para o fechamento de 2007, informou ontem a empresa de auditoria PwC (PricewaterhouseCoopers). Foram realizadas 643 fusões ou aquisições no Brasil no acumulado do ano até novembro, 22% a mais do que no mesmo período de 2006 (508), 11% sobre todo o ano passado (543) e 3% sobre o recorde registrado em 2000 (624).

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia   Página: A-6


    O número de operações de fusões ou aquisições no Brasil bateu recorde neste ano, mesmo faltando um mês para o fechamento de 2007, informou ontem a empresa de auditoria PwC (PricewaterhouseCoopers). Foram realizadas 643 fusões ou aquisições no Brasil no acumulado do ano até novembro, 22% a mais do que no mesmo período de 2006 (508), 11% sobre todo o ano passado (543) e 3% sobre o recorde registrado em 2000 (624). Apenas no mês de novembro foram realizadas 70 operações deste tipo – um número atípico, pois é um nível semelhante ao registrado nos meses de pico (entre maio e agosto)


    Os principais negócios realizados no mês foram a compra, pela Gerdau, da siderúrgica americana MacSteel (US$ 1,67 bilhão) e da participação em suas empresas detidas pelo Clube de Funcionários da Gerdau Açominas (US$ 380 milhões), além da compra da rede varejista nordestina GBarbosa pela chilena Cencosud por US$ 430 milhões.


    Outra constatação da pesquisa é a maior participação das empresas nacionais nas aquisições de controle de empresas ou na compra de participações minoritárias. Neste ano elas são responsáveis por 67% das operações, contra 58% no ano passado. Na divisão por setores, o de alimentos e bebidas segue como a que mais teve operações no ano (81), seguidos por construção (53), varejo (52), serviços públicos (44), petroquímica (42) e bancos (32).

  • Dúvida sobre votação toma conta da oposição e do Planalto

    Gazeta Mercantil Editoria: Política Página: A-8 


    Diante de uma perigosa indefinição no placar da CPMF no Senado, o Palácio do Planalto, ainda sem os 49 votos necessários para garantir a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga o tributo até 2011, mede forças com a oposição na tentativa de virar os votos de um grupo formado por cinco senadores da base governista ditos “indecisos” sobre o mérito da manutenção da CPMF.


    A tensão do governo em torno do plenário do Senado transpareceu na reunião da Coordenação Política, ontem.

    Gazeta Mercantil Editoria: Política Página: A-8 


    Diante de uma perigosa indefinição no placar da CPMF no Senado, o Palácio do Planalto, ainda sem os 49 votos necessários para garantir a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prorroga o tributo até 2011, mede forças com a oposição na tentativa de virar os votos de um grupo formado por cinco senadores da base governista ditos “indecisos” sobre o mérito da manutenção da CPMF.


    A tensão do governo em torno do plenário do Senado transpareceu na reunião da Coordenação Política, ontem. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez uma previsão sombria. Segundo Mantega, agências internacionais de análise de risco avaliam que, sem a CPMF, o Brasil se distanciará da desejada classificação de investiment grade.


    Preocupado com o tempo escasso para negociações, o ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, chegou a pedir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que cancelasse sua agenda de viagens internacionais na próxima semana, crucial para as negociações. O apelo foi recusado. “Infelizmente, o presidente tem uma agenda muito pesada, que não vai poder abandonar”, lamentou José Múcio.


    Semana que vem, Lula viaja para a posse da presidente da Argentina, Cristina Kirschner, depois segue para a Bolívia e para a Venezuela. “Ele ficará apenas um dia no Brasil na semana que vem. Teremos que concentrar as negociações todas nesta semana”, reclamou José Múcio.


    Até sexta-feira, Lula deve se reunir com a bancada gaúcha do Senado. Pressionados pela grave situação financeira do Rio Grande do Sul, os gaúchos Pedro Simon (PMDB), Paulo Paim (PT) e Sérgio Zambiazi (PTB) podem votar com o governo. Outros dois indecisos, Osmar Dias (PDT-PR) e Jefferson Péres (PDT-AM), se encontrarão com o ministro Mantega, na quarta-feira. Levarão a sugestão de projeto de lei propondo um mecanismo redutor das despesas correntes da União em 1% ao ano. Se o governo se dispuser, votam a favor da CPMF, anunciam.


    Já os ex-democratas Expedito Júnior (PR-RO), César Borges (PR-BA) e Romeu Tuma (PTB-PT) enfrentam problemas por conta da troca de partido. Temem retaliações do DEM caso votem a favor da CPMF, uma vez que a legenda pode recorrer à Justiça e pedir a devolução do mandato dos três senadores. E não são votos assegurados para o governo, que contabiliza mais uma baixa.


    Ontem, o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) anunciou, da tribuna, voto contrário à CPMF. Disse que só votaria com o governo se houvesse compromisso público do presidente Lula sobre a realização de um referendo em 2008 consultando a sociedade sobre a permanência da CPMF. “A margem da vitória será muito pequena, para um lado ou para o outro. Até a votação, ainda haverá muitas gestões, muito o que conversar. Faltam poucos dias para as votações, mas com tanta coisa a se negociar, esses serão dias muito longos”, avalia Múcio.


    No plenário do Senado, a bancada governista iniciou a semana disposta a acelerar a votação da CPMF. “Estamos prontos para votar a CPMF nas próximas quarta ou quinta-feira”, desafiou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). A demonstração de otimismo fez a oposição mudar de estratégia e tentar adiar a votação da matéria. Planejam se valer do regimento do Senado, que determina prazo de até 30 dias para que o parecer seja colocado em votação na comissão. “Votar agora fica apressado demais, apesar da oposição achar que deveria se votar já há 15 dias”, disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), depois de participar de reunião entre as bancadas do PSDB e do DEM para definir o discurso da oposição. “Há algumas mudanças de votos que vão surgir nos próximos dias que vão definir a votação”, disse o senador.


    Consciência


    O ministro da Justiça, Tarso Genro, engrossou ontem o coro da pressão que vem sendo exercida pela tropa de choque do governo pela aprovação da CPMF. Genro apelou para a consciência da oposição sobre a posição do Brasil no cenário internacional para afirmar que a aprovação da CPMF e os R$ 40 bilhões que serão arrecadados anualmente do contribuinte são fatores que contribuem para a estabilidade. “É uma questão de responsabilidade. As agências internacionais estão de olho no País”, disse o ministro. Segundo ele, os investimentos internacionais e o comportamento dos mercados dependem da aprovação do imposto.

  • Saldo comercial é o menor desde 2004

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro Página: B-3


    Abalado pelo volume recorde de importações, o superávit comercial brasileiro fechou novembro no menor valor mensal desde abril de 2004, a US$ 2,03 bilhões. As exportações continuam crescendo, impulsionadas pelos altos preços de commodities no mercado internacional, pelas vendas de petróleo e combustíveis e por encomendas de aviões à Embraer.


    A queda do superávit já era esperada pelo mercado, que vem sinalizando para a redução do saldo comercial há meses.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro Página: B-3


    Abalado pelo volume recorde de importações, o superávit comercial brasileiro fechou novembro no menor valor mensal desde abril de 2004, a US$ 2,03 bilhões. As exportações continuam crescendo, impulsionadas pelos altos preços de commodities no mercado internacional, pelas vendas de petróleo e combustíveis e por encomendas de aviões à Embraer.


    A queda do superávit já era esperada pelo mercado, que vem sinalizando para a redução do saldo comercial há meses. De janeiro a novembro, as exportações cresceram 16,6%, somando US$ 146 bilhões. No mesmo intervalo, houve aumento de 30,8% das importações, que totalizaram US$ 110,02 bilhões.


    O governo não vê motivos para se preocupar com o aumento das importações. Ao apresentar ontem os dados da balança, o secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, voltou a dizer que há maior entrada de bens de capital, o que beneficia a economia nos próximos anos.


    “A importação de máquinas e equipamentos reflete uma renovação do parque industrial, uma expansão generalizada que tende a gerar um crescimento sustentado no médio e longo prazos”, afirmou.


    Nos primeiros 11 meses deste ano, a importação de bens de consumo cresceu 33,5%, ritmo pouco superior ao das compras de bens de capital (31,8%) e de matérias-primas (30,1%).


    Para especialistas ouvidos pela Folha, a tranqüilidade do governo se baseia em fatores conjunturais. O Brasil viria se beneficiando de um alto preço das commodities no exterior, um quadro que pode se deteriorar em uma eventual desaceleração da economia dos Estados Unidos ou mundial.


    “A tendência claramente é que as compras dos bens de consumo se mantenham nesse patamar enquanto a taxa de câmbio for favorável”, analisou o vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro.


    Tanto as exportações (US$ 14,05 bilhões) quanto as importações (US$ 12,03 bilhões) apresentaram volume recorde para o mês passado. Pela primeira vez na história, a média diária de exportação, de US$ 601,3 milhões, superou a marca de US$ 600 milhões.


    Somente da China, as importações brasileiras cresceram 57,1% neste ano. As compras dos Estados Unidos, principal parceiro comercial, subiram 27,9%, pouco abaixo dos 28,6% da Argentina, que integra o bloco aduaneiro Mercosul.


    Nas exportações, houve avanço de 29,3% nas vendas para a União Européia, ritmo próximo ao da China (28,2%) e pouco superior ao do Mercosul (23,4%). O bom desempenho se mantém apesar do câmbio.


    Segundo especialistas, a alta dos preços de commodities vem compensando a valorização do real diante do dólar.


    Exportadoras vêem entraves para crédito


    Levantamento realizado pela Abracex (Associação Brasileira de Comércio Exterior) com 373 empresas brasileiras indica que é grande a dificuldade de acesso a crédito no país, mesmo para as companhias exportadoras, que geram divisas.


    Para 83% das empresas consultadas, há entraves para conseguir financiamento no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Já 69% reclamaram de dificuldades em bancos oficiais, como o Banco do Brasil. Quando se trata de banco privado, 43% relatam obstáculos.


    A facilidade é maior nos financiamentos externos: 20% das empresas reclamaram de problemas e 80% disseram não ter complicações.


    O governo admite que grandes empresas podem não conseguir financiamentos públicos tão facilmente, mas atribui isso à política do governo de priorizar empresas menores.


    “Existe de fato um direcionamento para os recursos do Proex [Programa de Estímulo às Exportações] contemplarem prioritariamente micro, pequenas e médias empresas. Hoje, 90% dos recursos vão para elas”, afirma Ivan Ramalho, secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento.


    Roberto Segatto, presidente da Abracex, diz que a exigência de garantias é o maior apuro das empresas. “Os bancos têm uma burocracia enorme e ainda exigem garantias inacreditáveis.”

    Na maioria dos casos, os bancos exigem 130% do valor financiado em garantias da empresa, o que pode virar um impeditivo em operações de cifras muito altas.


    Para o vice-presidente da AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil), José Augusto de Castro, há empresas que desistiram de exportar nos últimos meses por conta das dificuldades.


    “O governo comemora sozinho as exportações e a indústria assume sozinha os riscos das operações de crédito.”


    A pesquisa da Abracex demonstra, ainda, que 96% das empresas ouvidas reclamam falta de diretriz oficial do governo na área industrial e 82% pretendem realizar investimentos no curto prazo.


    Ao todo, 94% pediram benefícios para os exportadores e 96% reivindicaram “taxa cambial mais realista e protetora da produção”.


    Segundo o gerente-executivo de Comércio Exterior do Banco do Brasil, Antonio Bizzo, “o financiamento à exportação não difere muito das garantias de operação de crédito normais”.


    Segundo ele, 82% do universo de importadoras e exportadoras do país é cliente do BB.


    Procurado pela reportagem na semana passada, o BNDES emitiu um comunicado por meio de sua assessoria. “Estamos sempre dispostos a discutir a melhoria nos procedimentos para facilitar a concessão de financiamentos, sem vulnerar as exigências legais, e isso é uma busca permanente do BNDES”, assinalou o banco.


     


     


     


     

  • Inflação pelo IPCA deve ficar em 3,96%

    Gazeta Mercantil   Editoria: Nacional   Página: A-5


    A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os próximos 12 meses deve ficar em 3,96%, e não mais em 3,93%, como haviam projetado os analistas consultados pelo Banco Central na semana anterior. A estimativa é a mesma para o final de 2007. A projeção para o índice que serve de parâmetro para as correções oficiais está no Boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC).

    Gazeta Mercantil   Editoria: Nacional   Página: A-5


    A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os próximos 12 meses deve ficar em 3,96%, e não mais em 3,93%, como haviam projetado os analistas consultados pelo Banco Central na semana anterior. A estimativa é a mesma para o final de 2007. A projeção para o índice que serve de parâmetro para as correções oficiais está no Boletim Focus, divulgado ontem pelo Banco Central (BC).


    A estimativa para o IPCA subiu de 0,01 ponto percentual para novembro e dezembro e ficou em 0,29 e 0,35%, respectivamente. A projeção da inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para este ano é de 6,26%, contra a projeção anterior de 6,18%. Para o período de 12 meses, a estimativa caiu de 4,12% para 4,11%. A perspectiva para novembro passou de 0,58% para 0,60%. Os analistas esperam que em dezembro esse índice chegue a 0,37%, contra 0,31 da estimativa anterior.


    Para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), medido pela FGV, a previsão para 12 meses ficou em 4,22% (contra 4,15% da pesquisa anterior) e para o final do ano, de 6,26% (contra a última estimativa de 6,11%). Para o mês de dezembro, a projeção subiu de 0,30% para 0,35%.


    A inflação no mercado paulista, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisa Econômica (IPC-Fipe), referente a 2007, ficou em 3,67%, 0,01 ponto percentual acima da perspectiva anterior. A projeção para 12 meses foi mantida em 3,66%.


    Para novembro, a projeção ficou em 0,25%, contra 0,24% da estimativa anterior, e para dezembro, passou de 0,33% para 0,32%. A estimativa para os preços administrados (combustíveis, energia elétrica, telefonia, medicamentos, educação e outros) caiu em 2,30% para 2,25%, em 2007, e subiu de 3,60% para 3,65%, em 2008.


    Analistas de mercado ouvidos pelo Banco Central esperam que a taxa básica de juros, a Selic, seja mantida em 11,25% ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que começa hoje e termina amanhã. Para o final de 2008, a projeção é que feche em 10,25%.


    A pesquisa também indica redução na expectativa para o crescimento da economia. Os analistas projetam que o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 4,70% neste ano, 0,01 ponto percentual a menos do que a expectativa anterior. Para 2008, a previsão é de 4,30%, contra 4,33% da expectativa anterior. Para a produção industrial, os analistas projetam crescimento de 5,30%, em 2007, e 4,50%, em 2008.


    Os analistas ouvidos pelo BC mantiveram a projeção de entradas de investimento estrangeiro direto no setor produtivo em US$ 33 bilhões, em 2007, e US$ 25 bilhões, no próximo ano.


    Quanto ao saldo da balança comercial, a estimativa é de US$ 40,55 bilhões neste ano e de US$ 34,20 bilhões em 2008. A estimativa para saldo em conta corrente, que envolve todas as transações comerciais e financeiras com o exterior, caiu para US$ 8,20 bilhões para 2007, contra US$ 8,25 bilhões da projeção anterior.