Blog

  • Verdade pode ser omitida na política às vezes, diz teólogo

    O teólogo suíço Hans Küng disse hoje, em audiência pública na Câmara, que, apesar de a verdade ser um dos fundamentos da política, para os homens públicos é necessária uma ressalva: o direito ao sigilo pessoal e profissional. Por isso, esclareceu, “ninguém é obrigado a dizer toda a verdade a todo mundo o tempo todo”.


    Na opinião do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), no entanto, essa prerrogativa pode abrir brechas “para os mentirosos da política”. Küng reconheceu que não há princípio moral que não possa ser usurpado. “Mas também não podemos nos ater ao fanatismo da verdade.

    O teólogo suíço Hans Küng disse hoje, em audiência pública na Câmara, que, apesar de a verdade ser um dos fundamentos da política, para os homens públicos é necessária uma ressalva: o direito ao sigilo pessoal e profissional. Por isso, esclareceu, “ninguém é obrigado a dizer toda a verdade a todo mundo o tempo todo”.


    Na opinião do deputado Chico Alencar (Psol-RJ), no entanto, essa prerrogativa pode abrir brechas “para os mentirosos da política”. Küng reconheceu que não há princípio moral que não possa ser usurpado. “Mas também não podemos nos ater ao fanatismo da verdade. Para os governos, isso seria absolutamente irreal”, completou.


    Hans Küng participou da audiência pública promovida pelas comissões de Direitos Humanos e Minorias; e de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, e o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, para debater o tema “Ética e Globalização”. O evento foi solicitado pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Luiz Couto (PT-PB).


    Concílio Vaticano

    Küng lecionou teologia na universidade alemã de Tübingen juntamente com o papa Bento 16, e ganhou projeção mundial ao participar do Concílio Vaticano II. Dirige a Fundação Ética Mundial desde 1995, ano de sua fundação. O teólogo tem 62 livros publicados, que tratam, além de teologia, de política internacional, economia, filosofia e ciências naturais.


    Segundo Küng, os princípios definidos pelo InterAction Council a respeito de uma ética mundial podem contribuir para a reforma política no Brasil. “É importante haver regras muito claras para as eleições”, disse. Criado em 1983, o InterAction Council é uma organização internacional independente que integra estadistas que ocuparam os cargos mais importantes em seus países – como primeiros-ministros e presidentes da República. Os integrantes do conselho desenvolvem recomendações e soluções práticas para os problemas políticos, econômicos e sociais que atingem a humanidade.


    Ética para excluídos

    O deputado Nilson Mourão (PT-AC) ressaltou que “a atual geração é marcada por uma profunda contradição, que causa mal-estar”. Ao mesmo tempo em que domina novas tecnologias, que a fazem sentir-se “dona do mundo”, não consegue resolver os problemas mais elementares da existência humana, como a fome e o trabalho. Diante disso, “que ética é possível para os excluídos?”, questionou. O deputado Carlos Abicalil (PT-MT) também lembrou o déficit histórico do Brasil no atendimento aos direitos humanos e sociais.


    Na opinião de Hans Küng, as dificuldades enfrentadas hoje no País, apesar de graves, são muito menores que as vividas na Europa do pós Segunda Guerra, quando foi tudo destruído. “Nessa época, os Estados Unidos deram um exemplo único de como é possível enfrentar essa situação ao investir centenas de milhões de dólares na reconstrução do continente”, ressaltou.


    Princípios fundamentais

    O teólogo explicou que a ética global baseia-se em dois princípios fundamentais: a reciprocidade e a humanidade. Segundo ele, a reciprocidade já estava presente na regra de ouro de Confúcio, 500 anos a.C.: não faça ao outro o que não quer que façam a si mesmo. A humanidade também estava presente nas religiões chinesas e prega que cada ser deve ser tratado como especial.


    A base desses princípios, explicou Küng, são quatro imperativos básicos (que também estariam presentes no budismo, judaísmo, cristianismo e islamismo):

    1. não mentir, principalmente as grandes mentiras que têm conseqüências sociais;

    2. não matar, principalmente em relação a genocídios em massa;

    3. não roubar, aplica-se, principalmente, a grandes centros financeiros que causam prejuízos a milhões de pessoas;

    4. respeitar a igualdade entre homens e mulheres. Segundo Küng, por tratar da sexualidade, esse é o principal problema para as religiões.


    Na opinião do teólogo suíço, para que esses princípios se realizem é necessário uma vontade ética. Por isso, segundo ele, é tão importante o papel das religiões, que devem motivar as pessoas a desenvolver esses comportamentos.


    Agência Câmara, 25 de outubro de 2007.


     

  • Trabalho rejeita obrigação de empresa lavar uniformes

    A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público rejeitou na quarta-feira (24) o Projeto de Lei 24/07, do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que obriga as empresas a lavar o uniforme de seus empregados, caso utilizem produtos nocivos à saúde dos trabalhadores e ao meio ambiente.


    O relator da proposta foi o deputado Eduardo Valverde (PT-RO), que recomendou a aprovação do projeto e das mudanças feitas a ele pela Comissão de Seguridade Social e Família.

    A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público rejeitou na quarta-feira (24) o Projeto de Lei 24/07, do deputado Dr. Rosinha (PT-PR), que obriga as empresas a lavar o uniforme de seus empregados, caso utilizem produtos nocivos à saúde dos trabalhadores e ao meio ambiente.


    O relator da proposta foi o deputado Eduardo Valverde (PT-RO), que recomendou a aprovação do projeto e das mudanças feitas a ele pela Comissão de Seguridade Social e Família. O deputado informou, no entanto, que foi procurado por diversas entidades, entre elas representantes de lavanderias e supermercados, que temiam as conseqüências da medida. Pequenos supermercados não teriam condições de cumprir a lei, e lavanderias temiam a diminuição do mercado em grandes centros.


    Por essas polêmicas, e com diversos deputados destacando inconsistências na proposta, a comissão rejeitou o parecer favorável de Valverde. O deputado Pedro Henry (PP-MT) foi escolhido para redigir um novo parecer rejeitando o projeto.


    Tramitação

    O projeto ainda será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.


    Agência Câmara, 26 de outubro de 2007.


     

  • Febrac realiza assembléia geral durante World Security Congress

    A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) realiza hoje sua Assembléia Geral Extraordinária de outubro, durante a World Security Congress, em Salvador, Bahia, quando reunirá a diretoria e presidentes dos sindicatos associados para tratar assuntos de extrema relevância do segmento.


    A reunião está marcada para às 15h.

    A Federação Nacional das Empresas Prestadoras de Serviços de Limpeza e Conservação (Febrac) realiza hoje sua Assembléia Geral Extraordinária de outubro, durante a World Security Congress, em Salvador, Bahia, quando reunirá a diretoria e presidentes dos sindicatos associados para tratar assuntos de extrema relevância do segmento.


    A reunião está marcada para às 15h. Na pauta está a aprovação da ata da última Assembléia, o Acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre Grupo de Trabalho e a Audiência Pública sobre Terceirização, ocorrida no último dia 17, na Câmara dos Deputados. Além disso, o presidente da Febrac, Laércio Oliveira, apresentará orçamento e folder do Encontro Nacional das Empresas de Asseio e Conservação (Eneac), que acontecerá entre os dias 9 e 13 de abril de 2008, em Florianópolis-SC.

  • Fecomércio-PB: consumidor paraibano está mais confiante

    O consumidor paraibano está mais confiante em outubro, na comparação com o mês anterior, segundo a Federação do Comércio da Paraíba. A entidade realizou pesquisa na Região Metropolitana de João Pessoa e registrou alta de 0,23%, este mês, no Índice de Confiança do Consumidor (ICC): de 59,25 pontos em setembro para 59,38 pontos neste mês, em uma escala que varia de zero (total pessimismo) a cem (total otimismo).


    O ICC é composto pelo Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e o Índice de Expectativa do Consumidor (IE).

    O consumidor paraibano está mais confiante em outubro, na comparação com o mês anterior, segundo a Federação do Comércio da Paraíba. A entidade realizou pesquisa na Região Metropolitana de João Pessoa e registrou alta de 0,23%, este mês, no Índice de Confiança do Consumidor (ICC): de 59,25 pontos em setembro para 59,38 pontos neste mês, em uma escala que varia de zero (total pessimismo) a cem (total otimismo).


    O ICC é composto pelo Índice das Condições Econômicas Atuais (ICEA) e o Índice de Expectativa do Consumidor (IE). Em outubro, o ICEA – que mede a avaliação do consumidor sobre sua situação presente – foi o responsável pelo resultado positivo do ICC. A alta foi de 0,58% em relação ao mês de setembro de 2007, atingindo 54,35 pontos em outubro, contra 54,04 em setembro de 2007. 


    O IEC ficou praticamente estável quando a análise foi feita em relação ao futuro. Em outubro, registrou-se uma leve retração de 0,07%, quando comparado ao mês anterior. Com este resultado, o indicador caiu de 64,46 para 64,41 pontos nesta mesma base de análise.


    Consumidores mais jovens são os mais confiantes


    Segundo o levantamento, na segmentação por sexo, o Índice de Confiança (ICC) das mulheres apresentou alta de 1,06%. Já o dos homens sofreu retração de 1,23%. Já na avaliação por idade, os consumidores de 18 a 25 anos apresentaram o maior grau de confiança em outubro: 6,04%, atingindo 63,63 pontos. Por faixa de renda, a pesquisa mostrou que a confiança do consumidor apresentou a maior alta (4,65%) entre os consumidores que ganham até dois salários mínimos. Por outro lado, os que recebem rendimentos entre sete e dez salários mínimos apresentaram a maior queda no nível de confiança (-7,51%).

  • Centrais terão que negociar com oposição para reaver imposto

    Valor Econômico  Editoria: Política  Página: A-8


    O movimento sindical terá de vencer a resistência de PSDB e DEM, no Senado, para conseguir restabelecer o texto original do projeto de lei de regulamentação das centrais sindicais. Na Câmara, foi acrescentado à proposta o fim da obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical pelos trabalhadores e a fiscalização do uso das verbas pelo TCU.

    Valor Econômico  Editoria: Política  Página: A-8


    O movimento sindical terá de vencer a resistência de PSDB e DEM, no Senado, para conseguir restabelecer o texto original do projeto de lei de regulamentação das centrais sindicais. Na Câmara, foi acrescentado à proposta o fim da obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical pelos trabalhadores e a fiscalização do uso das verbas pelo TCU. Entre os senadores de oposição (sobretudo tucanos), a intenção não é apenas manter o texto enviado pelos deputados, mas ampliar a facultatividade da contribuição aos sindicatos patronais. 


    O PSDB já tem posicionamento firmado sobre o assunto. “O imposto sindical obrigatório é uma herança do Estado Novo que devemos acabar”, diz o líder da sigla no Senado, Arthur Virgílio (AM). “O partido entende ser fundamental respeitar o direito do trabalhador de fazer o que bem entender com seu dinheiro e com a contribuição sindical”, completa o senador. 


    As centrais reclamam da quebra de um acordo firmado pelo governo com os sindicalistas sobre o tema, mas o acordo não levou em conta que é o Congresso quem aprova ou não a mudança. O texto da regulamentação das centrais, preparado pelos sindicalistas com o governo, seguiu para o Congresso com recomendação à base do governo para que fosse aprovado, ser incluída qualquer alteração sobre o imposto sindical. Mas as duas partes cochilaram durante a votação e uma emenda do deputado Augusto Carvalho (PPS-DF) foi aprovada no plenário da Câmara. 


    Perguntado se o Senado não poderia restabelecer o acordo e deixar o assunto da obrigatoriedade do imposto para ser abordado por uma outra proposição, Virgílio foi irônico. “É sempre outro projeto. É sempre procrastinar. Eu quero é outro governo.” 


    O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) foi escalado por Virgílio para negociar o assunto em nome do partido. O parlamentar adiantou ao Valor que apresentará uma emenda ao projeto para tornar o imposto pago aos sindicatos patronais também facultativo. “No passado, já me posicionei até pela extinção do imposto. A representação dos setores, seja dos trabalhadores, seja dos patrões, deve ser feita pela qualidade do serviço prestado. O modelo de imposto obrigatório não incentiva o trabalho dos sindicatos”, afirma. 


    Flexa Ribeiro vai além. Gostaria de ver o fim da unicidade sindical. “A competição entre os sindicatos seria benéfica aos trabalhadores”, afirma. Para ele, no início poderia haver uma multiplicação de sindicatos e uma possível redução do poder de barganha, mas depois de uma primeira adaptação surgiriam entidades fortes. “E teriam enorme legitimidade. O trabalhador escolheria o sindicato que melhor lhe servir”, afirmou. O tema, no entanto, não deverá ser incluído na emenda ao projeto das centrais. 


    A emenda a ser feita pelo senador vai procurar também corrigir um equívoco do deputado Augusto Carvalho. O texto, como foi enviado pelos deputados, deixa uma abertura para interpretação dúbia da modificação. Há quem diga que a emenda apenas acabou com o recolhimento da contribuição na folha e não com a obrigatoriedade de pagá-la. “Junto com o fim do imposto sindical, vamos corrigir essa questão e acabar com as dúvidas”, diz. 


    O DEM, por sua vez, ainda não tem posição firmada. O líder do partido no Senado, José Agripino (RN), vai reunir a bancada na próxima semana. Pessoalmente, o parlamentar tem posição firme contra a obrigatoriedade do imposto. “Sou contra. Tornar o imposto facultativo é uma questão democrática”, afirmou o senador. 


     


     


     

  • Negociação da CPMF avança com tucanos

    Valor Econômico Editoria: Política  Página: A-9


    O governo federal aceitou parte das seis propostas feitas pelo PSDB para aprovar a CPMF, mas condicionou qualquer entendimento à derrubada da proposta que vincula 10% da receita bruta da União a gastos com a Saúde, conforme determina projeto de regulamentação da Emenda 29 em tramitação no Congresso, que nem consta da lista dos tucanos.

    Valor Econômico Editoria: Política  Página: A-9


    O governo federal aceitou parte das seis propostas feitas pelo PSDB para aprovar a CPMF, mas condicionou qualquer entendimento à derrubada da proposta que vincula 10% da receita bruta da União a gastos com a Saúde, conforme determina projeto de regulamentação da Emenda 29 em tramitação no Congresso, que nem consta da lista dos tucanos. O ministro Guido Mantega (Fazenda), também vetou a proposta segundo a qual a prorrogação do imposto do cheque seria apenas por mais um ano, 2008. 


    Dos seis itens da agenda do PSDB, Mantega aceitou negociar o aumento de repasses da CPMF para a Saúde, o enquadramento da União na Lei de Responsabilidade Fiscal, a redução do gasto público, a desoneração de impostos e contribuições e a reforma tributária. O ministro deve apresentar propostas concretas até o fim do mês; o projeto de reforma tributária, em 30 dias. 


    Mesmo sem propostas concretas por parte do governo, os tucanos avaliaram que o ministro mostrou disposição para negociar. O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, e o líder no Senado, Arthur Virgílio, disseram que, sem o atendimento das propostas, o os tucanos votam contra a CPMF. “Até o momento, não mudou nada. A conversa foi muito incipiente”, disse Virgílio. Mas, segundo ele, “inútil não foi”, porque houve diálogo. “Tem muita gente torcendo para o diálogo não dar certo, porque não quer votar a favor da CPMF. Espero que essa tentativa de negociação não se frustre”, disse o líder. 


    O aumento dos recursos para a saúde e a definição de algum limite de endividamento para a União são, segundo Mantega, dois pontos de convergência entre governo e PSDB – além de Tasso e Virgílio, o virtual novo presidente tucano, Sérgio Guerra, e o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) também participaram da reunião-almoço. 


    Mas o ministro descartou a proposta de vincular 10% das receitas correntes da União à saúde, defendida pela Frente Parlamentar da Saúde. Disse que isso é inviável porque elevaria essa despesa em R$ 20 bilhões. A saúde é o terceiro maior gasto da União, com R$ 45 bilhões.


    “Não dá para fazer uma grande desoneração tributária e, ao mesmo tempo, aumentar as verbas da saúde”, alertou. Aloizio Mercadante reconheceu, no entanto, que esse é um problema mais do governo que da oposição – os presidentes petistas do Senado, Tião Viana, e da Câmara, Arlindo Chinaglia, é que insistem em votar o projeto de regulamentação. Segundo Tasso, pelo menos até o governo mostrar sua proposta os tucanos não votam esse projeto. 


    “Em princípio, sou favorável a algum limite do endividamento do governo federal”, afirmou Mantega sobre outra reivindicação do PSDB, a regulamentação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) na parte que limita o endividamento da União. Essa, segundo Tasso Jereissati, é “condição sine qua non” para que o acordo seja feito. 


    Sobre o redutor de gastos de custeio, o governo não aceitou o percentual proposto (0,2%), mas se comprometeu a encaminhar sugestão. Mantega disse que vai “analisar detalhadamente quais são os itens do custeio que o PSDB aponta como crescentes”. O governo se dispõe a limitar o aumento da folha de pagamentos à inflação mais um percentual de 1,5%. A base no Senado propõe inflação mais 2,5%. 


    “Foi um almoço muito bom. Demos início a um entendimento no sentido de caminharmos para alguma proposta de interesse comum em relação à CPMF”, relatou Mantega. O encontro, segundo ele, não tinha como objetivo concluir um acordo, mas “dar o primeiro passo”. Na opinião dele, o PSDB levou uma pauta de reivindicações com alguns pontos de convergência com o governo. 


    PSDB e governo também concordaram, segundo o ministro, na aprovação da reforma tributária. Disse que há uma tentativa condicionar a prorrogação da CPMF à mudança do sistema de tributos. Os tucanos sugeriram aprovar o tributo por mais um ano e, nesse período, teria de ser aprovada a reforma tributária. Mas Mantega alertou que limitar a proposta de prorrogação por apenas um ano obrigaria a um retorno à Câmara. “Não podemos aceitar”, revelou. 


    A redução da carga tributária é outra reivindicação do PSDB, o que, segundo o ministro, também é meta do governo. Isso poderia ser feito por meio da CPMF, “com alguma redução de alíquota”, ou indiretamente, o que significa dedução de alguma parcela da CPMF na folha de pagamento das empresas ou do Imposto de Renda. 


    Em relação à diminuição da carga tributária, o governo se comprometeu a apresentar uma proposta concreta e escrita nos próximos dias. Segundo Tasso, seria via redução da alíquota da CPMF e de outro tributo. O instrumento legal não foi discutido, mas pode ser por projeto de lei ou medida provisória. 


     


     


     


     


     

  • Queda do dólar leva gasto com juro a recorde

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-5


    A queda do dólar fez os gastos públicos com juros baterem recorde no mês passado. O conjunto formado por governo federal, Estados, municípios e estatais arcou com R$ 15,473 bilhões em encargos de suas dívidas, o valor mais alto já registrado num mês de setembro desde o início da série estatística do Banco Central, em 1991.


    “Esse resultado é fruto exclusivo da apreciação cambial”, diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao se referir à queda de 6,3% sofrida pela moeda dos EUA no mês passado.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-5


    A queda do dólar fez os gastos públicos com juros baterem recorde no mês passado. O conjunto formado por governo federal, Estados, municípios e estatais arcou com R$ 15,473 bilhões em encargos de suas dívidas, o valor mais alto já registrado num mês de setembro desde o início da série estatística do Banco Central, em 1991.


    “Esse resultado é fruto exclusivo da apreciação cambial”, diz o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, ao se referir à queda de 6,3% sofrida pela moeda dos EUA no mês passado. Em razão, principalmente, das operações que o BC faz no mercado justamente para tentar conter a alta do real.


    Essas transações envolvem a venda dos chamados contratos de “swap cambial reverso”: para desestimular os investidores a vender dólares -o que puxaria sua cotação para baixo-, o BC se compromete a pagar a eles toda a variação que a moeda registrar em determinado período, cobrando por isso uma determinada taxa de juros.


    Isso significa que, sempre que o dólar cair, o BC terá perdas com a operação. Só no mês passado, o prejuízo foi de R$ 2,9 bilhões, que foram incluídos na conta dos gastos com juros do setor público.


    Para Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BC e economista da CNC (Confederação Nacional do Comércio), os elevados gastos públicos com juros são conseqüência da política de taxas elevadas adotada pelo BC, que favorece a valorização do real e tem forte impacto sobre as contas do governo. “Essa conta custa caro para o contribuinte”, diz.


    Entre janeiro e setembro, as despesas com juros somaram R$ 119,363 bilhões, ou 6,41% do PIB. Isso significa pequena queda ante o mesmo período de 2006, quando os gastos foram de R$ 121,653 bilhões, o equivalente a 7,16% do PIB (Produto Interno Bruto).


    O recuo se explica pelos cortes sofridos nos últimos anos pela taxa Selic, que remunera boa parte da dívida do governo. Ainda assim, Freitas diz que os ganhos para os cofres públicos não foram tão grandes como poderiam porque o Tesouro Nacional substituiu boa parte dos títulos públicos corrigidos pela Selic que eram negociados no mercado por papéis prefixados, cujo rendimento não muda com alterações nos juros básicos da economia.


    “O ganho da queda da Selic não foi apropriado pelo Tesouro, ficou com os detentores de papéis prefixados”, diz.


    Com o aumento nos gastos com juros, a relação entre dívida e PIB voltou a subir. Entre agosto e setembro, essa proporção passou de 43% para 43,5%.


    Já a economista-chefe do banco Fibra, Maristela Ansanelli, diz que os gastos com juros refletem o nível ainda elevado da dívida pública. “Apesar da queda dos últimos anos, a relação dívida/PIB ainda é alta para os padrões internacionais”, afirma, referindo-se ao fato de a proporção ter chegado perto de 60% no início da década.


    Para Ansanelli, o elevado nível da taxa Selic -hoje em 11,25% ao ano- também reflete, em parte, a pouca disposição que os investidores têm de financiar um governo que possui um endividamento tão alto.


     


     


     


     


     

  • Inflação e novas vagas afetam renda média

    Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-3


    Os dados da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o mês de setembro mostram que a inflação mais forte nesse segundo semestre não serviu para frear o crescimento do poder de compra do empregado do setor privado, mas ajudou a enfraquecer seu ganho em relação ao acumulado no ano. Em setembro, o rendimento médio real do trabalhador do setor privado (com carteira de trabalho) foi de R$ 1.084,50, valor 1,3% inferior ao recebido em setembro do ano passado.

    Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-3


    Os dados da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o mês de setembro mostram que a inflação mais forte nesse segundo semestre não serviu para frear o crescimento do poder de compra do empregado do setor privado, mas ajudou a enfraquecer seu ganho em relação ao acumulado no ano. Em setembro, o rendimento médio real do trabalhador do setor privado (com carteira de trabalho) foi de R$ 1.084,50, valor 1,3% inferior ao recebido em setembro do ano passado. No acumulado dos últimos 12 meses, contudo, esse rendimento ainda tem um ganho de 3,9%. 


    Puxada principalmente pelos preços dos alimentos, a inflação de 0,59% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e de 0,47% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em agosto foi um dos fatores que influenciaram essa evolução, segundo o economista Sérgio Vale, economista da MB Associados. “A queda relativa a setembro de 2006 não deve afetar o consumo, ela apenas reflete a inflação e os efeitos da valorização mais forte do salário mínimo no ano passado”, diz Vale. 


    No total da população ocupada, o aumento do rendimento real foi de 2,5% na comparação entre setembro de 2007 e 2006, alta influenciada pelos ganhos do setor público e dos trabalhadores por conta própria. Segundo Fábio Romão, economista da LCA Consultores, outro fator que pode ter levado à queda de 1,3% do rendimento médio entre os empregados com carteira no setor privado é a continuidade do aumento da formalização, movimento que tem incorporado ao grupo profissionais com salários mais baixos. 


    A pesquisa do IBGE mostra avanço de 6,9% no crescimento das contratações com carteira assinada na comparação com setembro do ano passado. “Mesmo os salários mais baixos não devem refletir negativamente no consumo, pois a contratação aumenta a confiança nos gastos”, diz. E como o total de ocupados aumenta, a massa salarial cresce. Em agosto, ela foi 5,4% maior do que em agosto de 2006. 


    Segundo Vale, a queda de 0,5% da população desocupada em setembro em relação a agosto – que levou a taxa de desemprego para 9% da população economicamente ativa, menor índice da série histórica iniciada pelo IBGE em 2002 – é um movimento consistente porque a contratação continua forte em todos os segmentos da economia. “Serviços e comércios continuam sendo puxados pelo aumento da renda e do crédito e a indústria mantém recuperação com base no consumo interno”, diz. 


    O grupo em que comércio está inserido apresentou aumento de 3,2% das pessoas ocupadas em relação a setembro de 2006. Construção aparece como outro grupo forte nas contratações, com alta de 5,4% das pessoas ocupadas no mesmo período. 


    Os dados do mercado de trabalho no acumulado de janeiro a setembro – a taxa de desocupação foi de 9,7%, enquanto o rendimento médio no ano atingiu R$ 1.123,66 – mostram que 2007 pode ser o melhor ano da série histórica. Para Cimar Pereira, coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego, a taxa de desocupação, só não fechará o ano em um dígito caso aconteça uma “grande reviravolta”. 


    O desempenho do mercado de trabalho de São Paulo foi apontado como o grande responsável pelo crescimento da população ocupada e pela redução da taxa de desocupação em setembro. De acordo com o IBGE, das 201 mil pessoas que conseguiram emprego entre agosto e setembro, 144 mil estavam no Estado mais rico do país. 


    Segundo Pereira, por ser o principal motor da economia, o bom desempenho de São Paulo permite projetar que no futuro as outras cinco regiões metropolitanas analisadas pelo IBGE podem se beneficiar do avanço do mercado de trabalho paulista. “São Paulo é o centro nervoso da economia e é lá que as coisas começam a refletir primeiro”, explicou. “Há um histórico de reflexo em outras áreas. As outras regiões vão avançar na sombra de São Paulo.”




     


     

  • Desemprego tem menor taxa do ano

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro Página: B-3


    A taxa de desemprego das seis principais regiões metropolitanas recuou para 9% em setembro, o menor patamar registrado neste ano, mas ainda acima dos 8,4% apurados em dezembro do ano passado. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o resultado reflete a maior absorção de pessoas no mercado de trabalho.


    “São Paulo concentrou grande parte do contingente de pessoas que entraram no mercado de trabalho em setembro. O Estado foi um dos principais responsáveis pelo comportamento do indicador”, disse.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro Página: B-3


    A taxa de desemprego das seis principais regiões metropolitanas recuou para 9% em setembro, o menor patamar registrado neste ano, mas ainda acima dos 8,4% apurados em dezembro do ano passado. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o resultado reflete a maior absorção de pessoas no mercado de trabalho.


    “São Paulo concentrou grande parte do contingente de pessoas que entraram no mercado de trabalho em setembro. O Estado foi um dos principais responsáveis pelo comportamento do indicador”, disse. No mês passado, houve um aumento de 201 mil pessoas na população ocupada. Desse total, 144 mil foram empregadas na região.


    Segundo Fábio Romão, da LCA Consultores, o aumento das contratações em São Paulo está ligado ao crescimento industrial. Parte da criação dessas vagas ocorre por conta das contratações para a entrega de encomendas no fim do ano.


    Em setembro, houve um aumento de 4% no número de pessoas ocupadas na indústria de São Paulo, o que representa um acréscimo de 72 mil pessoas. Nas atividades de educação, saúde e administração pública em São Paulo, o aumento foi de 4,3%, equivalente a mais de 53 mil pessoas.


    Na comparação com agosto, a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas recuou 0,5 ponto percentual. Em setembro do ano passado, o desemprego era de 10%. Para o Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), o resultado de setembro pode ser considerado positivo, mas não mostra uma “melhora extraordinária” do quadro de emprego urbano do país. “É reflexo muito mais de um fenômeno sazonal dessa época do ano, associado à proximidade do maior nível de atividades próprio de fim de ano.”


    Na avaliação de Romão, com a percepção de melhora no mercado de trabalho e a criação de mais empregos com carteira assinada, houve um crescimento no número de pessoas em busca de trabalho nos últimos meses. Em setembro, houve um aumento de 1,1% na ocupação e de 0,3% na população economicamente ativa, que mede o volume de oferta de trabalho. “Agora, o mercado de trabalho está conseguindo absorver num ritmo mais acelerado”, disse.


    Nos primeiros nove meses do ano, a taxa média de desemprego ficou em 9,7%, o menor patamar desde o início da série histórica, em 2002. O IBGE estima que a média de desemprego do ano também será a menor da série.


    O rendimento médio real teve alta de 0,3% na comparação com agosto e ficou em R$ 1.115, após três meses seguidos de queda. O desempenho é considerado estável pelo IBGE. Em relação a setembro de 2006, a alta foi de 2,5%.


    O IBGE atribuiu o ritmo lento de expansão do rendimento ao comércio, que teve queda de 2% em relação a agosto.


     




     


     

  • Consumo em alta preocupa Banco Central

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    A preocupação com a possibilidade de a expansão da economia levar a um aumento da inflação foi o principal fator que levou o Banco Central a interromper, na semana passada, o processo de queda dos juros, que já durava dois anos.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    A preocupação com a possibilidade de a expansão da economia levar a um aumento da inflação foi o principal fator que levou o Banco Central a interromper, na semana passada, o processo de queda dos juros, que já durava dois anos. Embora o assunto já tivesse sido abordado várias vezes pelos diretores do BC, desta vez houve unanimidade sobre a necessidade de maior “prudência” nos cortes da taxa Selic.


    Ontem, foi divulgada a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC), que decidiu pela manutenção dos juros em 11,25%. Sem grandes mudanças em relação a documentos de reuniões anteriores, o texto enfatiza a preocupação com o nível de atividade da economia.


    A preocupação do BC é que, num ambiente em que o consumo esteja crescendo de forma muito acelerada, as empresas não sejam capazes de produzir o suficiente para atender todas as encomendas que recebem. Nesse caso, poderiam optar por reajustar seus preços para aproveitar a maior procura por seus produtos, o que alimentaria a inflação.


    Essa foi a justificativa apresentada pelo BC para dar uma “pausa” na redução dos juros, até que fique mais claro como a economia vai responder aos cortes efetuados até agora -queda de 8,5 pontos desde setembro de 2005. Analistas discutem, agora, quanto tempo essa pausa vai levar.


    “Se é para esperar os efeitos do relaxamento [da política monetária] sobre a demanda e a inflação, não parece razoável voltar a reduzir os juros antes que fique claro que não haverá demanda sem atendimento e pressão inflacionária. A próxima reunião é no início de dezembro, o que parece pouco tempo para tal tarefa. Assim, a Selic deve ficar em 11,25% até 16 de abril de 2008”, avalia José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do banco Fator, referindo-se à data da terceira reunião do Copom prevista para o ano que vem.


    Já o economista Francisco Pessoa Faria, da LCA Consultores, afirma acreditar numa queda dos juros já na próxima reunião do Copom, em dezembro. “Não estamos vendo uma economia tão aquecida assim a ponto de causar uma pressão significativa nos preços”, diz.


    O economista João Saboia, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), diz que a atenção dada pelo BC ao efeito do crescimento da economia sobre a inflação não se justifica nas condições atuais. “Foi uma grande decepção essa parada no corte da taxa de juros, pela simples razão de que é uma taxa elevada. O custo é muito grande. Essa mexida na Selic para segurar o consumo [é uma tese] muito distante da realidade. A inflação está sob controle, dentro da meta.”


    Gastos do governo


    Um dos fatores que impulsionam o crescimento da economia que preocupa o BC é o aumento dos gastos do governo, especialmente no pagamento de benefícios sociais.


    Segundo a ata do Copom, além da expansão do crédito e da renda, o nível de atividade também responde aos “efeitos da expansão das transferências governamentais e de outros impulsos fiscais esperados para os próximos meses deste ano e para 2008”. Isso faz com que “os nítidos sinais de demanda aquecida” chamem a atenção para os perigos de uma aceleração da inflação.