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  • Classe média gasta 1/3 da renda com serviço

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-8


    Depois de gastar mais de cinco meses de trabalho neste ano apenas para pagar os tributos exigidos pelos três níveis de governo, agora a classe média brasileira trabalha para comprar serviços privados que o Estado deveria fornecer de forma eficiente aos contribuintes.


    Segundo estudo divulgado ontem pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), a classe média trabalhará 116 dias -de 6 de junho até 29 deste mês- apenas para adquirir serviços privados de saúde, educação, previdência, segurança e pedágio.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-8


    Depois de gastar mais de cinco meses de trabalho neste ano apenas para pagar os tributos exigidos pelos três níveis de governo, agora a classe média brasileira trabalha para comprar serviços privados que o Estado deveria fornecer de forma eficiente aos contribuintes.


    Segundo estudo divulgado ontem pelo IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário), a classe média trabalhará 116 dias -de 6 de junho até 29 deste mês- apenas para adquirir serviços privados de saúde, educação, previdência, segurança e pedágio. No ano passado, foram gastos 113 dias de trabalho. Pelo estudo, é considerada classe média a família com rendimento mensal entre R$ 3.000 e R$ 10 mil.


    “Devido ao aumento dos gastos com os serviços privados em substituição aos serviços públicos, o cidadão de classe média só começará a trabalhar para comer, vestir, adquirir bens, gozar férias e fazer alguma poupança no dia 30 deste mês”, afirma Gilberto Luiz do Amaral, presidente do instituto e um dos autores do estudo.


    Para as famílias da classe média, os 116 dias de trabalho consumirão 31,69% da renda anual, ou seja, quase quatro meses por ano são destinados à aquisição daqueles serviços privados. Só com o pagamento de tributos, essas mesmas famílias já haviam destinado 156 dias de trabalho no ano -de 1º de janeiro a 5 de junho-, equivalentes a 42,70% da renda anual. No total, tributos e serviços privados consomem 74,39% da renda anual das famílias de classe média.


    Outras faixas


    O estudo mostra também quanto outras classes de renda gastam para comprar os mesmos serviços. A classe baixa (renda até R$ 3.000 por mês) gasta 42 dias de trabalho, ou 11,52% do ganho anual. Como para pagar tributos já haviam sido consumidos 141 dias de trabalho (38,75%), essas famílias gastam 183 dias por ano com as duas despesas, comprometendo 50,27% da renda.


    A classe alta (renda acima de R$ 10 mil) consome 117 dias de trabalho para comprar os mesmos serviços, ou 32,07% do que ganha. Em tributos, são consumidos 152 dias de trabalho, ou 41,73% da renda. No total, essas famílias gastam 73,80% da renda anual para pagar tributos e comprar aqueles serviços.


    Na média dos trabalhadores, o pagamento de tributos e a compra dos serviços levam 206 dias de trabalho por ano -os primeiros, de 1º de janeiro a 26 de maio; os segundos, de 27 de maio a 26 de julho. Em porcentagem do rendimento anual, as famílias gastam 56,76% do que ganham, sendo 40,01% com tributos e 16,58% com serviços.


    O estudo do IBPT mostra que os 116 dias de trabalho gastos pela classe média neste ano (o cálculo considera uma família com casal e dois filhos em idade escolar) são o dobro dos 58 dias que eram gastos em 1993. Na década de 70, eram gastos apenas 25 dias; na de 80, 44 dias.


     

  • Consumo avança 5,9% no semestre, maior taxa desde 97

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-5


    Principal componente do PIB, o consumo das famílias cresceu 5,9% no primeiro semestre deste ano. Foi o melhor desempenho desde os seis primeiros meses de 1997 (7,1%), quando o país ainda vivia os efeitos positivos da estabilidade trazida pelo Real (1994).


    No segundo trimestre, a expansão ficou em 5,7% ante o mesmo período de 2006 -pouco abaixo dos 6% do primeiro trimestre. Pelo 15º quinto trimestre consecutivo (período equivalente a cinco anos), as famílias gastam mais com consumo.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-5


    Principal componente do PIB, o consumo das famílias cresceu 5,9% no primeiro semestre deste ano. Foi o melhor desempenho desde os seis primeiros meses de 1997 (7,1%), quando o país ainda vivia os efeitos positivos da estabilidade trazida pelo Real (1994).


    No segundo trimestre, a expansão ficou em 5,7% ante o mesmo período de 2006 -pouco abaixo dos 6% do primeiro trimestre. Pelo 15º quinto trimestre consecutivo (período equivalente a cinco anos), as famílias gastam mais com consumo. Na comparação livre de influências sazonais com o primeiro trimestre, a alta foi de 1,5%.


    Apesar da desaceleração no segundo trimestre, especialistas ouvidos pela Folha dizem que o consumo continua em um nível elevado.


    Segundo Rebeca Palis, gerente de Contas Nacionais do IBGE, crédito maior para pessoas físicas -alta de 26,5% em termos nominais no segundo trimestre- e juros mais baixos explicam o bom desempenho do consumo. Outro importante fator, diz, é o aumento da massa salarial (5,2%) -resultado do crescimento tanto do emprego como da renda média.


    Com mais crédito e dinheiro no bolso, as famílias foram às compras. O resultado rebateu no crescimento do comércio -8,1% no segundo trimestre em relação ao mesmo período de 2006.


    Nos primeiros três meses do ano, a expansão foi de 2%. Foi o segundo melhor desempenho dos subsetores do PIB, atrás apenas de intermediação financeira (bancos e seguros) -alta de 9,6%.


    De um valor total do PIB de R$ 630,2 bilhões no segundo trimestre, as despesas de consumo das famílias com bens e serviços somaram R$ 379,6 bilhões -ou 60%. No primeiro semestre, o PIB brasileiro ficou em R$ 1,228 bilhão.


    Consumo reprimido


    Segundo Joel Bogdanski, economista do Itaú, sempre houve no país “um consumo reprimido”, que pôde ser atendido graças às expansões da renda e do crédito. “Essa tendência se acelerou neste ano e vai continuar”, disse.


    Para o economista, a injeção de recursos de programas sociais como o Bolsa Família em áreas mais pobres também favoreceu o consumo, embora numa escala menor.


    Já Bráulio Borges, da LCA, avalia que o consumo deve desacelerar no segundo semestre. Isso porque o “repique” dos preços dos alimentos fará sobrar menos dinheiro para outras despesas.


    Neste ano, a alta já acumula 6,73% -em todo o ano de 2006, foi de 1,22%.


    Ainda assim, o economista estima que o consumo crescerá na faixa de 5,5% em 2007 -menos do que a projeção original de 6%. Já o consumo do governo cresceu 1,6% no segundo trimestre ante igual período de 2006, menos do que os 2,4% dos três primeiros meses do ano.


    Efeito em cascata


    O ritmo forte da demanda doméstica (tanto do consumo das famílias como dos investimentos) gerou um efeito positivo em vários setores, especialmente de serviços.


    É o caso de serviços de informação (telefonia, informática e outros) -alta de 7,5%- e distribuição e geração de energia, água e gás (6,1%).


    O setor de serviços como um todo teve crescimento de 4,8% no segundo trimestre.


    “Quando o PIB e o consumo crescem, serviços de telefonia, energia e outros naturalmente aumentam”, disse Roberto Olinto Coordenador de Contas Nacionais do IBGE.


     

  • Aniversário do Sesc é comemorado com esporte em Santa Catarina

    Criado através do Decreto-Lei nº 9.853, 13 de setembro de 1946, o Sesc completa amanhã 61 anos de existência, repleto de atividades focadas no desenvolvimento social. Para comemorar a data, a unidade de Santa Catarina promove, de amanhã até o dia 30 de outubro, o projeto Sesc e Você, que acontecerá em 15 cidades do estado, com a participação de 75 comunidades carentes.

    Criado através do Decreto-Lei nº 9.853, 13 de setembro de 1946, o Sesc completa amanhã 61 anos de existência, repleto de atividades focadas no desenvolvimento social. Para comemorar a data, a unidade de Santa Catarina promove, de amanhã até o dia 30 de outubro, o projeto Sesc e Você, que acontecerá em 15 cidades do estado, com a participação de 75 comunidades carentes.


    O lançamento da programação na Grande Florianópolis – que engloba as comunidades de Forquilinha, José Nitro, Morar Bem, Zanelato, Araucária, Caieira e Palhoça – acontecerá no Sesc Prainha, amanhã (13/09), às 19 horas. Além da capital do estado, o projeto acontecerá nas cidades de Chapecó, Xanxerê, São Miguel do Oeste, Concórdia, Lages, Itajaí, Brusque, Blumenau, Joinville, Jaraguá do Sul, Rio do Sul, Laguna, Tubarão e Criciúma e as ações serão desenvolvidas durante oito finais de semana, no sábado ou no domingo, das 8 às 17 horas.


    Festivais Esportivos


    O Sesc e Você tem como proposta incentivar a prática do esporte, através dos festivais esportivos (futebol, voleibol e basquetebol, entre outros) que acontecerão no período programado. Além das atividades esportivas, estão previstas ações recreativas, com jogos de habilidades, jogos matemáticos e jogos de palavras, além de orientação nutricional, teste cardiovascular, cálculo de Índice de Massa Corporal e Relação Cintura Quadril. Haverá premiação dos festivais, em benefício das comunidades participantes do projeto, que receberão do Sesc materiais esportivos como forma de proporcionar o esporte e a integração social das comunidades.


    Jogos de Integração dos Comerciários


    O evento também conta com um “mascote”, Nikos, um contador de estórias que estará presente em todos os festivais esportivos. No mesmo período será realizado os JIC’s – Jogos de Integração dos Comerciários, programação que envolverá diversas modalidades esportivas, direcionadas à clientela das 15 unidades do Sesc-SC.

  • Trabalho analisa proibição de descontar greve de férias

    A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público se reúne às 10 horas e pode votar, entre outros, o Projeto de Lei 6739/06, do deputado Marco Maia (PT-RS), que proíbe o desconto de dias de greve do período de férias do empregado. O parlamentar argumenta que o direito às férias é garantido pela Constituição.


    Além disso, o projeto estabelece que os dias de greve não serão considerados como falta ao serviço, e períodos superiores a 30 dias de suspensão do contrato de trabalho não significam a perda do período aquisitivo de férias.

    A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público se reúne às 10 horas e pode votar, entre outros, o Projeto de Lei 6739/06, do deputado Marco Maia (PT-RS), que proíbe o desconto de dias de greve do período de férias do empregado. O parlamentar argumenta que o direito às férias é garantido pela Constituição.


    Além disso, o projeto estabelece que os dias de greve não serão considerados como falta ao serviço, e períodos superiores a 30 dias de suspensão do contrato de trabalho não significam a perda do período aquisitivo de férias. O relator, deputado Roberto Santiago (PV-SP), apresentou parecer favorável.


    Licença

    Outro item da pauta é o PL 6243/05, da deputada Sandra Rosado (PSB-RN), que permite ao trabalhador contratado pelas regras da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) faltar ao serviço por até 30 dias em caso de enfermidade de filho com até 12 anos de idade. A relatora da proposta, deputada Maria Helena (PSB-RR), recomenda a aprovação do projeto e do substitutivo apresentado pela Comissão de Seguridade Social e Família, que a analisou anteriormente.


    Esse substitutivo estabelece que a licença prevista no projeto deve ser assegurada a cada 12 meses de trabalho. Maria Helena fez, no entanto, nova modificação para incluir na proposta o acompanhamento ao dependente doente em estágio terminal ou portador de necessidade especial. “A medida viabiliza o exercício profissional desses pais e fomenta a responsabilidade social em defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência e doentes terminais”, afirma a relatora.

  • Adelmir Santana defende mudanças na burocracia

    Em discurso durante sessão comemorativa pelos 42 anos do reconhecimento legal da profissão do administrador, o senador Adelmir Santana (DEM-DF) defendeu nesta terça-feira (11) mudanças na burocracia brasileira. Para a gestão eficiente do Estado, segundo ele, é necessário criar funções e carreiras públicas que independam das trocas de partidos no poder que ocorrem a cada eleição.


    Adelmir Santana também ressaltou a importância do administrador nas empresas privadas no Brasil.

    Em discurso durante sessão comemorativa pelos 42 anos do reconhecimento legal da profissão do administrador, o senador Adelmir Santana (DEM-DF) defendeu nesta terça-feira (11) mudanças na burocracia brasileira. Para a gestão eficiente do Estado, segundo ele, é necessário criar funções e carreiras públicas que independam das trocas de partidos no poder que ocorrem a cada eleição.


    Adelmir Santana também ressaltou a importância do administrador nas empresas privadas no Brasil. O grande “índice de mortalidade” das empresas brasileiras, na opinião do senador, decorre tanto da burocracia estatal quanto da falta de administração profissionalizada.


    – Falta foco na seleção e na gestão dos negócios – afirmou o senador.

  • Substitutivo prevê redução da CPMF preservando saúde

    O substitutivo do deputado Antonio Palocci (PT-SP) à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 50/07, que prorroga a vigência da DRU e da CPMF para 2011, abre espaço para que o governo reduza a alíquota da contribuição por meio de projeto de lei ou de medida provisória. A iniciativa, no entanto, obriga que o Executivo preserve os recursos destinados à saúde – da alíquota de 0,38% do tributo, 0,2% vão para essa área.



    Essa é uma das novidades do relatório do deputado, lido na noite desta terça-feira na comissão especial que discute a prorrogação da CPMF e da DRU.

    O substitutivo do deputado Antonio Palocci (PT-SP) à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 50/07, que prorroga a vigência da DRU e da CPMF para 2011, abre espaço para que o governo reduza a alíquota da contribuição por meio de projeto de lei ou de medida provisória. A iniciativa, no entanto, obriga que o Executivo preserve os recursos destinados à saúde – da alíquota de 0,38% do tributo, 0,2% vão para essa área.



    Essa é uma das novidades do relatório do deputado, lido na noite desta terça-feira na comissão especial que discute a prorrogação da CPMF e da DRU. Palocci deixou claro, porém, que a redução só ocorreria em um ambiente de “espaço fiscal”, ou seja, caso houvesse folga no Tesouro Nacional para abrir mão de parte de arrecadação com o tributo.



    Manutenção

    Além de manter a alíquota de 0,38% da CPMF, o substitutivo conserva a prorrogação da DRU nos moldes do que quer o governo: 20% de toda a arrecadação da União, incluindo os tributos que ocasionalmente vierem a ser criados até 2011, poderão ser livremente manejados pelo Tesouro.



    Palocci rejeitou todas as 29 emendas apresentadas por deputados e as PECs que tramitam junto com a PEC 50/07, inclusive a principal (PEC 558/06). A última emenda deu entrada às 18h58, dois minutos antes do prazo final.



    Após a leitura, cinco partidos pediram vista do relatório (DEM, PT, PSDB, PMDB e PR), o que levou o presidente da comissão especial, deputado Pedro Novais (PMDB-MA), a adiar o início da discussão para quinta-feira (13), após a Ordem do Dia do Plenário da Câmara.



    Disputa

    A leitura do relatório do deputado foi antecedida por uma batalha regimental entre a oposição, que queria adiá-la, e a base aliada. Em quase uma hora e meia de debates, o plenário da comissão presenciou uma disputa que envolveu vários dispositivos do Regimento Interno da Casa, com a apresentação de questões de ordem, de requerimentos para inversão de pauta, de entrada e saída de obstrução e até de verificação de votação, expediente mais usado no Plenário da Câmara.



    A oposição foi representada pelos deputados Paulo Bornhausen (SC) e Ronaldo Caiado (GO), ambos do DEM, e pelo deputado Fernando Coruja (SC), líder do PPS. Caiado criticou o governo por querer, segundo ele, “votar a matéria na calada da noite”. Do lado do governo, a defesa da leitura foi encabeçada, principalmente, pelos deputados José Eduardo Cardozo (PT-SP) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ).



    Apesar ter conseguido ler o relatório, o próprio Palocci reconhece que a disputa “ainda vai se estender”. Ele prevê que nos próximos 15 dias o substitutivo chegará ao plenário, onde deve ser votado em dois turnos, antes de ir ao Senado, onde é esperada outra batalha política.

  • Lula afirma que não deseja “superaquecimento” da economia

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


    Diante da expectativa de que o IBGE irá anunciar hoje um resultado vigoroso para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre – as estimativas variam, entre 5% e 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que vai trabalhar duro para não haver um “superaquecimento” da economia que possa provocar o retorno de índices mais altos de inflação.

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2


    Diante da expectativa de que o IBGE irá anunciar hoje um resultado vigoroso para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre – as estimativas variam, entre 5% e 6,5% em relação ao mesmo período do ano anterior – o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que vai trabalhar duro para não haver um “superaquecimento” da economia que possa provocar o retorno de índices mais altos de inflação.


    Ao lado do primeiro-ministro da Suécia, Fredrik Reinfeldt, Lula repetiu que quem apostar na volta da inflação no Brasil vai “quebrar a cara”. Além disso, deu sinais de que é preciso evitar a explosão do consumo perto das festas de fim do ano. “Tudo que é superaquecido queima”, brincou o presidente, provocando gargalhadas dos suecos. “Se você colocar pão no fogo, feijão no fogo ou até mesmo arroz, carne, e superaquecer, você estraga o seu prato.”


    Lula insistiu em que deseja ver a economia crescendo com tranqüilidade, sem afrouxar o ajuste fiscal. “Eu digo sempre no Brasil: quem achar que vai voltar a ganhar dinheiro com a inflação vai quebrar a cara, porque o povo aprendeu que a inflação baixa é um patrimônio da sociedade que vive de salário”, argumentou. A resposta do presidente foi dada numa conferência de imprensa da qual participaram jornalistas brasileiros e suecos, depois da assinatura de acordo para o desenvolvimento dos biocombustíveis.


    Ao ser questionado se o governo preparava alguma medida para evitar que um eventual superaquecimento da economia provocasse alta da inflação, Lula respondeu que vai trabalhar com afinco para que os preços não subam. “Eu acho que o consumo está fortalecido, mas é importante lembrar que nós estamos também chegando perto do fim do ano e vamos trabalhar duro para manter a inflação sob controle”, afirmou.


    Balde de Gelo


    Apesar de assinalar que o governo trabalharia com afinco para evitar o superaquecimento da demanda, Lula disse em seguida que não tomará “nenhuma atitude” para frear a economia. “Historicamente, no Brasil, quando a economia começava a crescer aparecia alguém para colocar os dois pés em cima do crescimento e jogar um Column Wrapbalde de água”, disse o presidente, em crítica velada a governos anteriores. “Então nem queremos superaquecer nem jogar água gelada.”


    Mesmo afirmando que não poria freio na economia, Lula elogiou, na semana passada, a decisão do Comitê de Política Monetário (Copom) de baixar a taxa básica de juros em apenas 0,25 ponto percentual, depois de ter promovido cortes de 0,5 ponto nas duas reuniões anteriores. A diminuição do ritmo de queda foi interpretada por analistas como resultado da preocupação do Banco Central com os efeitos do forte crescimento da demanda na economia. “Não vamos deixar a inflação voltar”, assegurou Lula. “Vamos acompanhar isso de perto.”


     

     


     

  • Estimativas apontam alta do PIB de 4,9% a 6,1% no segundo trimestre

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2




    Apoiado mais uma vez na boa performance do consumo das famílias e em investimentos crescentes, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) deverá vir forte no segundo trimestre do ano. Estimativas de consultorias e bancos ouvidos pela reportagem indicam crescimento de 4,9% a 6,1% na comparação com o igual período do ano anterior e de 0,8% a 1,2%, ante o primeiro trimestre deste ano. A demanda interna está acelerando e setorialmente o destaque deverá ser a indústria.

    Jornal do Commercio  Editoria: Economia  Página: A-2




    Apoiado mais uma vez na boa performance do consumo das famílias e em investimentos crescentes, o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) deverá vir forte no segundo trimestre do ano. Estimativas de consultorias e bancos ouvidos pela reportagem indicam crescimento de 4,9% a 6,1% na comparação com o igual período do ano anterior e de 0,8% a 1,2%, ante o primeiro trimestre deste ano. A demanda interna está acelerando e setorialmente o destaque deverá ser a indústria. A última vez em que o PIB trimestral cresceu acima de 5% foi em 2004.


    O dado oficial será divulgado hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). As estimativas são da MB Associados, ABN Amro, LCA Consultores, Corretora Convenção, Tendências Consultoria e Credit Suisse. Levantamento feito com 30 instituições aponta que a mediana das projeções de crescimento do PIB ficou em 5,9% sobre o igual período em 2006 e em 1,2%, sobre o trimestre anterior.


    Na prática, o PIB trimestral vem crescendo acima de 4% na comparação com o mesmo período do ano anterior desde o terceiro trimestre de 2006. Entre 2005 e 2006, a maior parte das variações do PIB a cada três meses ficou entre 2% e 4%. Ainda assim, alguns economistas analisam que o País não está preparado para avançar, de forma consistente, perto dos 5% ao ano, como quer o governo a partir do ano que vem.


    “O crescimento que será divulgado amanhã (hoje) será positivo. Mas acho que não completamente sustentável. O País enfrenta ainda gargalos de infra-estrutura e logística para crescer mais e a questão fiscal não foi resolvida”, diz o economista da MB Associados, Sergio Vale. Além disso, apesar de mais vigoroso, o avanço da economia brasileira continua abaixo de outras economias emergentes.


    Uma comparação feita pela Austin Rating mostra que o crescimento do PIB brasileiro deverá ficar ao redor de 4,7% no primeiro semestre deste ano No mesmo período, a economia indiana avançou 9,2% e a chinesa, 11,5%. Levando em conta apenas o segundo trimestre, o PIB da China cresceu 11,9% e o da Índia, 9,3%. Segundo a consultoria, não havia, para a comparação semestral, informação disponível da Rússia, que, com os demais países, forma o chamado grupo dos “Brics”.


    Pelo lado da demanda, o crescimento da massa de renda do trabalho estimula o consumo doméstico, junto com o avanço do crédito. As consultorias estimam que o consumo das famílias poderá avançar entre 5,6% e 6,7% no segundo trimestre. Os investimentos crescerão ainda mais, de 11% a 13%. Com isso, a taxa de investimento sobre o PIB avançará este ano, para uma faixa entre 17% e 18%.


    A economista Zeina Latif, do ABN Amro, avalia que haverá uma pequena aceleração do crescimento do PIB no segundo trimestre (1,2%), na comparação com o anterior, já que o avanço do primeiro trimestre foi de 0,8%, ante o último trimestre de 2006. Ela explica que, na comparação com o primeiro trimestre, o investimento crescerá 2,4% e o consumo das famílias, 1,7%. “Está havendo uma aceleração da demanda interna”, explica a economista.


    Indústria


    Segundo Zeina, o dado da produção física da indústria já indicou uma forte expansão no segundo trimestre, de 7,4%. Por isso, a expectativa é de que o PIB industrial sobressaia na divulgação de hoje, que leva em conta o valor adicionado à produção. O ABN e o Credit Suisse informaram que poderão rever para cima a projeção de aumento do PIB para 2007 caso o dado da indústria venha acima do inicialmente projetado.


    De forma geral, os economistas estimam que as turbulências financeiras internacionais não prejudicarão a atividade do País em 2007. As maiores preocupações são com relação à inflação doméstica e o efeito disso para 2008. O economista da MB alerta que uma das dúvidas é a capacidade de o País conseguir aumentar a oferta de produtos e serviços para atender à demanda sem pressão de preços. Caso o Banco Central (BC) interrompa a redução dos juros em outubro, não está descartada uma revisão para baixo do PIB estimado para 2008.


    OCDE alerta para perda de fôlego em 2008


    O crescimento da economia brasileira pode começar a perder fôlego. Dados coletados pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que os principais índices econômicos em julho no Brasil já não apresentaram o mesmo desempenho que nos meses anteriores, o que seria um “sinal precoce” de desaceleração no crescimento do PIB a partir de 2008.


    Para Ronny Nielsson, economista da OCDE, a queda relativa ocorre pelo fraco desempenho ou estagnação do crescimento de quatro dos cinco indicadores avaliados sobre a economia brasileira. Entre eles estão o desempenho das Bolsas, das exportações, os termos de comércio e as ordens feitas pela indústria. “O único indicador com taxa positiva é o de produção, que continua a crescer”, afirmou.




     


     

  • Governo estuda criação de novo imposto

    Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-3


    A desoneração da folha de salários, em estudo no governo federal, pode ser feita com a criação de um novo tributo que vai incidir sobre o faturamento das empresas e pode ter alíquota de cerca de 4%. Esse imposto, cuja implementação seria gradativa ao longo de três anos, substituiria metade da contribuição previdenciária patronal – que cairia, também de forma gradual, dos atuais 20% sobre a folha para até 10%.

    Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-3


    A desoneração da folha de salários, em estudo no governo federal, pode ser feita com a criação de um novo tributo que vai incidir sobre o faturamento das empresas e pode ter alíquota de cerca de 4%. Esse imposto, cuja implementação seria gradativa ao longo de três anos, substituiria metade da contribuição previdenciária patronal – que cairia, também de forma gradual, dos atuais 20% sobre a folha para até 10%. “A alíquota pode ser de até 4% sobre o faturamento, mas estamos tentando algo mais reduzido”, revelou o coordenador-geral de Política Tributária da Receita Federal, Ronaldo Medina, ontem ao Valor. 


    Essa é a opção mais plausível, hoje, para viabilizar a desoneração da folha de pagamentos prometida há alguns meses pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Medina ponderou que ainda não há decisão política do governo e os estudos da Receita prosseguem, mas o objetivo, com esse novo tributo, é arrecadar cerca de R$ 60 bilhões anuais, cifra equivalente à perda estimada de de arrecadação com a desoneração parcial da folha. 


    Um aspecto delicado da medida ainda está sob avaliação: como fazer com que esse tributo incida sobre as instituições financeiras, que alegam que banco não paga imposto sobre faturamento porque simplesmente não têm faturamento, mas sim receita bruta operacional, que é um conceito distinto. Uma longa disputa vem sendo travada na justiça sobre isso e o Supremo Tribunal Federal (STF) ainda não se pronunciou. 


    A Receita não considera viável a alternativa de apenas aumentar as contribuições do PIS e da Cofins, tributos que já incidem sobre o faturamento, atualmente com alíquota de 9,25%. Segundo Medina, isso seria muito complicado, dado que as exportações são isentas e diversos outros grupos de produtos têm reduções de alíquota, como os da cesta básica, medicamentos e ônibus para transporte escolar. 


    Além desse problema, PIS, Cofins e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) devem ser absorvidos, na reforma tributária, pelo Imposto sobre Valor Agregado (IVA). E o IVA tem regime de débito e crédito, com compensações, o que não serve para financiar uma despesa fixa como a da Previdência. Portanto, para a Receita, a melhor proposta é a de se criar esse novo tributo, ainda sem nome. 


    “Tem de ser algo mais baixo para que todos paguem e a carga tributária não seja elevada. Pensamos no faturamento como base desse novo tributo porque é a mais ampla que existe e permite a cobrança de uma alíquota mais baixa”, explicou. 


    No novo modelo, a contribuição paga atualmente pelo empregado seria mantida e as pessoas jurídicas sem fins lucrativos também continuariam pagando a atual contribuição previdenciária patronal de 20% sobre a folha. Esse é o caso, por exemplo, de clubes, associações, sindicatos e da administração pública. “Nesses casos, não há outra base tributável. Mas não é ruim para a economia porque não há concorrência entre esses contribuintes”, ponderou Medina. 


    Outro aspecto importante para a definição da alíquota em torno de 4% é, segundo Medina, a aplicação gradual que deve demorar aproximadamente três anos. A implementação da redução da contribuição previdenciária sobre a folha será feita em três etapas, simultaneamente à gradação da alíquota do novo tributo, sendo que a alíquota definitiva será adotada apenas no último período. “Estamos fazendo simulações para verificar qual o impacto desse novo tributo sobre os preços”, informou. 


    Medina admitiu que o maior “nó” tem sido medir as consequências dessas medidas sobre os setores que mais investiram em tecnologia e reduziram seus custos com mão-de-obra. Nessa análise é preciso separar o que é redução efetiva – substituição de pessoas por máquinas -, e o que é mera terceirização de mão-de-obra. Ele ressaltou que será reduzido o custo de contratação de trabalhadores, o que melhora a competitividade do país. “O sistema atual é enviesado contra o emprego formal. E R$ 60 bilhões é uma quantia pequena para a economia do país”, disse. 


    Mantega terá reunião com o ministro da Previdência, Luiz Marinho, para discutir esse assunto. No último encontro do Fórum Nacional da Previdência Social, Marinho comentou que, para preservar o equilíbrio das contas do INSS, a desoneração da folha de pagamento tem de ser compensada com a migração da carga para o faturamento das empresas. Outro compromisso reiterado pelo fórum é não aumentar a carga tributária. 


    O secretário de Políticas de Previdência, Helmut Schwarzer, disse recentemente que um caminho que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá escolher é o da redução imediata de cinco pontos percentuais na contribuição patronal, atualmente de 20% sobre a folha de pagamento, ainda este ano. Nos anos seguintes, a diminuição da alíquota seria gradual até chegar aos 10%. Com esse alívio, espera-se mais formalização e criação de empregos. 


    Nota eletrônica pode ajudar Reforma


    A segunda e mais complicada fase da reforma tributária – a de substituição do ICMS e do ISS por um imposto sobre valor agregado – depende de algo que ainda não existe: informações confiáveis sobre a arrecadação e também das supostas perdas de Estados e municípios. Mas isso será realidade apenas daqui a dois anos, quando a Nota Fiscal eletrônica (NFe) estiver em pleno funcionamento no país. A análise é do coordenador-geral de Política Tributária da Receita Federal, Ronaldo Medina. 


    Ele revelou que a primeira fase da reforma tributária será enviada, provavelmente, ainda este mês ao Congresso. O coordenador explicou que ela envolve a unificação dos tributos federais IPI e PIS/Cofins, mas isso não significará mudança alguma nos atuais níveis de repasse para o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), disse ele. 


    Segundo o que determina a Constituição, a União tem de repassar 21,5% das receitas obtidas com o Imposto de Renda e com o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) ao FPE. No caso do FPM, a porcentagem é de 22,5%. Mas no fim de agosto, um amplo acordo político envolvendo todos os partidos permitiu que o Senado aprovasse em tempo recorde e por unanimidade, o aumento da fatia dos municípios para 23,5%. Falta apenas a promulgação. 


    A Nota Fiscal eletrônica (NFe) é uma das bases do Sistema Público de Escrituração Digital (Sped), criado para informatizar e interligar a arrecadação de tributos no país. Esse sistema ainda não é obrigatório e depende da adesão dos Estados e de empresas. O Sped é integrado pela NFe e pelos aspectos contábil e fiscal. Este último será obrigatório a partir de 1º de janeiro de 2008 e exigirá que todas as empresas contribuintes de IPI e ICMS entreguem seus livros fiscais por meio eletrônico. 




    A NFe será obrigatória em 1º de abril de 2008 para os setores de combustíveis e de cigarros. A partir dessa data, as operações de compra e venda de mercadorias e serviços feitas por uma indústria de cigarros, por exemplo, terão que emitir notas fiscais eletrônicas.


     


     


     




     

  • CPMF: Palocci mantém texto do governo

    Jornal do Commerccio  Editoria: Economia  Página: A-3


    Em conversas com políticos da base aliada do governo, o ex-ministro da Fazenda e atual deputado Antonio Palocci (PT-SP), relator da proposta que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), disse que seu parecer vai manter o texto original que veio do Executivo. “Não dá para negociar nada nem aqui (na Câmara dos Deputados) e nem no Senado”, disse Palocci a esses interlocutores.


    O relator apresentaria ontem à noite o seu parecer na Comissão Especial da Câmara que discute o assunto.

    Jornal do Commerccio  Editoria: Economia  Página: A-3


    Em conversas com políticos da base aliada do governo, o ex-ministro da Fazenda e atual deputado Antonio Palocci (PT-SP), relator da proposta que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), disse que seu parecer vai manter o texto original que veio do Executivo. “Não dá para negociar nada nem aqui (na Câmara dos Deputados) e nem no Senado”, disse Palocci a esses interlocutores.


    O relator apresentaria ontem à noite o seu parecer na Comissão Especial da Câmara que discute o assunto. A proposta do governo, que será referendada pelo relator, prevê que a CPMF será prorrogada até 31 de dezembro de 2011, com alíquota de 0,38%. Mesmo admitindo que seria melhor ter uma alíquota mais baixa para o imposto dos cheques, Palocci disse ontem acreditar que essa redução só acontecerá “na próxima década”.


    Em encontro ontem com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), ainda fez uma última tentativa de negociar uma solução alternativa, que tornasse mais fácil a prorrogação da CPMF. “Conversamos (com Mantega) sobre a dificuldade de votação no Senado”. De acordo com o senador, lá o equilíbrio de força é muito complicado. “Não temos maioria”, disse o líder.


    Jucá disse que o seu objetivo era construir um entendimento com os partidos da base do governo e da oposição. “Queremos construir uma alternativa ao relatório, que possa indicar no futuro um abrandamento da cobrança da CPMF”, disse. Segundo o senador, essa alternativa seria incluída no relatório de Palocci, depois de negociada no Senado.


    Essa tentativa de Jucá não encontrou ressonância em Palocci. Depois de uma reunião com o líder do governo no Senado, no meio da tarde de ontem, o relator confidenciou a políticos da base que “não dava para mudar nada” do texto encaminhado pelo governo. Jucá saiu da reunião com outro discurso: “Todas as alternativas estão sendo analisadas”, disse.


    “A redução escalonada da alíquota ao longo do tempo é uma alternativa”, informou Jucá. Segundo ele, duas outras opções também estão sendo analisadas. A primeira é reduzir a contribuição do INSS sobre a folha de salário e a outra é aumentar os recursos para a área de saúde. Nas conversas com os políticos, Palocci revelou que o ministro Guido Mantega só aceita discutir, no futuro, uma redução dos encargos sobre a folha de salário.


    Abaixo Assinado


    Na manhã de ontem, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, entregou ao presidente da Comissão Especial da Câmara, deputado Pedro Novaes (PMDB-MA), um abaixo assinado com 1.157.454 assinaturas contrárias à prorrogação da CPMF.


    As assinaturas foram levadas à Comissão em seis carrinhos de supermercado, empurrados, segundo Skaf, por jovens empresários. Quando Novaes determinou que as assinaturas fossem levadas à secretaria da Comissão, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) sugeriu que elas fossem levadas à sala de Palocci para “sensibilizá-lo”.


    Em depoimento à Comissão, Skaf disse que a proposta orçamentária para 2008, recentemente enviada pelo governo ao Congresso, subestima a receita tributária da União em R$ 20,4 bilhões. Com essa correção da estimativa da receita e mais algumas medidas de contenção de gastos, Skaf afirmou que é possível obter um espaço fiscal de R$ 53,1 bilhões no Orçamento do próximo ano, o que permitiria acabar com a CPMF. O presidente da Fiesp condicionou ontem a discussão de uma reforma tributária à retirada da proposta de prorrogação da CPMF pelo governo.


    Ao comentar a proposta de Skaf, o deputado Palocci disse que a eliminação abrupta da CPMF causaria grandes problemas para a economia brasileira. “Se o Brasil anunciar que vai abrir mão de R$ 40 bilhões de receita, o quadro econômico vai mudar para pior”, afirmou. Palocci só admitiu reduzir a alíquota da CPMF na próxima década. “A CPMF é um bom imposto, mas com alíquota mais baixa. Se nós pudermos ter uma CPMF com alíquota mais baixa na próxima década, melhor”.


    Na mesma audiência na Comissão Especial da Câmara, o economista Raul Velloso disse acreditar que é possível eliminar ou pelo menos reduzir a CPMF, desde que o governo promova redução de gastos correntes. Especialista em finanças públicas, Velloso lembrou que o aumento nos gastos públicos é que levou o governo a elevar a carga tributária nos últimos anos. Se a CPMF for reduzida sem a contrapartida do corte dos gastos, advertiu, há riscos de o governo cortar os investimentos, o que seria danoso para a economia.


    Velloso apresentou levantamento informando que de 1987 a 2005 os investimentos públicos caíram 57%, enquanto subiram fortemente despesas com assistência social (1.361%), INSS (342%), saúde (120%) e pessoal (85%). No total, segundo o estudo, os gastos subiram 112% no período e o PIB, 43%. Para Velloso a redução da CPMF aumentaria o potencial de crescimento da economia. Mas voltou a enfatizar que isso precisa ocorrer com a redução nos gastos públicos.


    Já o economista José Roberto Afonso afirmou que a CPMF é um tipo de tributo pouco utilizado no mundo e que pelos danos que causa à economia precisa ser provisório e não permanente. Ele destacou que o tributo, por ser cumulativo, onera as cadeias produtivas mais longas e também incide sobre despesas básicas como energia, telefonia e alimentação. O economista disse que as condições da economia brasileira agora são propícias para a eliminação da contribuição, que, em sua avaliação, causa distorções econômicas.


    Também participou da audiência o tributarista Gilberto Amaral, presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) que afirmou que a CPMF é um tributo que prejudica os mais pobres, que usam todo o seu dinheiro para o consumo. Ele criticou ainda que o argumento de que o fim do imposto dificultaria a fiscalização. Segundo Amaral, a lei já permite à Receita ter acesso aos dados de sigilo bancário, dispensando a contribuição de atuar como instrumento de fiscalização.