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  • Economia pode crescer até 5% sem pressionar inflação, diz secretário

    Valor Econômico   Editoria: Brasil   Página: A-6 


    Circula dentro do governo um estudo do economista Nelson Barbosa, atual secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, que mostra que a economia pode crescer 4,5% em 2007 e 5% nos anos seguintes sem gerar pressões inflacionárias.

    Valor Econômico   Editoria: Brasil   Página: A-6 


    Circula dentro do governo um estudo do economista Nelson Barbosa, atual secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, que mostra que a economia pode crescer 4,5% em 2007 e 5% nos anos seguintes sem gerar pressões inflacionárias. Embora suas linhas gerais tenham sido apresentadas em maio, em um seminário sobre política monetária promovido em Washington pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o trabalho permanece inédito no Brasil. 


    Ontem, pela primeira vez, o secretário apresentou as suas conclusões, depois que foi divulgado um estudo do economista José Ronaldo de Castro Souza, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que calculou que a economia pode crescer em 2007 a uma taxa anual de 3,8% sem acelerar a inflação. 


    Barbosa tem um papel de destaque dentro do PT. Foi chefe da assessoria econômica da campanha da reeleição do presidente Lula em 2006, cujo programa se posicionou contra as privatizações, mas isso não significa que tenha posições extremas. Enquanto muitos economistas não-ortodoxos negam ou simplesmente ignoram a existência do PIB potencial, ele reconhece que há um percentual máximo de crescimento que não acelera a inflação. “Existem limites físicos”, afirma Barbosa. 


    O que o secretário faz em seu trabalho é apontar, com consistência matemática e teórica, as limitações das medidas do PIB potencial, argumentando que hoje seria muito mais adequado a política monetária ser calibrada com base em indicadores que medem o limite da capacidade produtiva de cada setor da economia. 


    O Ministério da Fazenda calcula o PIB potencial usando dez metodologias diferentes. “Todos os indicadores têm o defeito de olhar pelo retrovisor”, afirma o secretário. O espelho retrovisor é um bom guia para quem dirige um carro em uma estrada reta, mas leva a erros cada vez que há uma curva adiante. As mudanças de tendência são muito freqüentes na economia, argumenta o secretário, e não são antevistas pelo PIB potencial. Isso faz com que, a cada dado estatístico novo divulgado, os cálculos do PIB potencial tenham que ser revistos. 


    No encontro do FMI, Barbosa apresentou um gráfico que exibe o PIB potencial calculado em diversos momentos, e o mesmo PIB potencial recalculado em períodos seguintes, incorporando novas estatísticas que vieram à luz. O resumo da história é que os dados disponíveis hoje permitem uma projeção pouco confiável do que de fato ocorre em seguida na economia. “Se as decisões de política monetária forem tomadas com base nessa projeção de PIB potencial, pode-se ter a falsa impressão de que a economia poderá se inflacionar caso o crescimento se acelere.” 


    Essa miopia do PIB potencial fica muito clara quando o indicador é calculado por uma metodologia conhecida como filtro HP. Nela, basicamente se procura apontar a tendência do PIB potencial com base no que aconteceu com o mesmo PIB potencial no passado. Mas, segundo Barbosa, também há problemas graves quando o indicador é calculado por uma outra metodologia – a chamada função produção -, que teoricamente seria capaz de capturar as mudanças de tendência da economia. 


    Quando usam a função produção, os economistas basicamente procuram medir quanto o país pode crescer tendo em vista os atuais estoques de capital e trabalho e a produtividade desses dois fatores. Na teoria, seria um indicador inteligente, porque incorpora automaticamente fatos novos, como um eventual aumento nos investimentos e/ou aumento na produtividade. 


    O mundo real, porém, é muito mais árido que o teórico. Barbosa lembra, por exemplo, que o aumento da produtividade não é um fenômeno diretamente medido. Os economistas procuram estimá-lo com base nos dados passados – e uma metodologia muito usada é justamente o filtro HP, aquele que não consegue capturar mudanças de tendência. Mais: não existe no Brasil levantamento do estoque de capitais. Os economistas procuram estimá-lo por meio do acúmulo dos investimentos realizados a cada ano, descontada uma taxa de depreciação, mas são incapazes de incorporar mudanças no ritmo dos investimentos. 


    As limitações do cálculo do PIB potencial ficaram claras há alguns meses, quando o IBGE revisou a série do PIB, e os economistas perceberam que a economia pode crescer mais do que se supunha. “Hoje, os economistas estão calculando o PIB potencial em 3,8%”, afirma Barbosa. “Daqui a quatro ou cinco anos, vão refazer seus cálculos de novo, e descobrir que pode crescer 5%.” 


    O que leva Barbosa a calcular um PIB maior? Dois fatores. Primeiro, os investimentos cresceram fortemente, fruto, segundo ele, do nível de crescimento maior do PIB, da queda dos juros, do esforço do governo para baratear o investimento e do bom cenário internacional, além do ambiente macroeconômico estável. Segundo fator: a produtividade continua a se expandir, puxada pelo aumento dos investimentos, pelos ganhos de escala e pela formalização maior da economia. Numa conta rápida, ele diz que o aumento da força de trabalho contribui com 1% para o PIB, o capital com 2,5% e o aumento da produtividade, com 1,5%. 


    Em resumo, Barbosa diz que o PIB potencial é um bom indicador para apontar, de forma sintética, a tendência da economia. Serve também para lembrar que o crescimento da economia tem seus limites. Mas, argumenta, não deve estar no centro das decisões de política monetária. Existem informações muito mais precisas sobre o limite do crescimento nos indicadores da utilização da capacidade em cada setor da economia. Usando esse termômetro, há espaço ainda para mais demanda e juro menor. Os setores com maior uso da capacidade, diz, são justamente os que investem mais, ou os que estão mais sujeitos a competição de importados, como os bens duráveis. 


     




     

  • IBGE aponta estagnação no mercado de trabalho

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-9




    Em maio, pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de desemprego das principais regiões metropolitanas do país ficou estável em 10,1%, o que mostra uma estagnação do mercado de trabalho, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em maio de 2006, havia sido de 10,2%.


    “A falta de dinamismo da economia impede que sejam geradas vagas suficientes para reduzir a taxa de desocupação.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-9




    Em maio, pelo terceiro mês consecutivo, a taxa de desemprego das principais regiões metropolitanas do país ficou estável em 10,1%, o que mostra uma estagnação do mercado de trabalho, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em maio de 2006, havia sido de 10,2%.


    “A falta de dinamismo da economia impede que sejam geradas vagas suficientes para reduzir a taxa de desocupação. Vemos um mercado de trabalho que não apresentou nenhuma evolução nesses três meses”, disse Cimar Azeredo Pereira, Coordenador da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE.


    De março para abril, o número de ocupados cresceu em 21 mil -0,1% a mais que em abril, variação considerada estatisticamente estável pelo IBGE. O número de desempregados não se alterou nessa comparação.


    Já ante maio de 2006, o emprego cresceu 2,7% (548 mil pessoas), e o total de desempregados oscilou 2,3% -53 mil.


    Pelo padrão histórico, já era de esperar recuo em maio, se a economia estivesse suficientemente aquecida, diz Pereira. Segundo ele, o aumento da produção registrado pelos dados do PIB do primeiro trimestre (alta de 4,3%) ainda não se traduziu em contratações.


    Andréia Parente Lameiras, do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), diz que a taxa de desemprego não cedeu nos últimos meses porque cresceu o número de pessoas em busca de trabalho.


    Segundo ela, a PEA (População Economicamente Ativa), que abriga tanto ocupados como desempregados, aumentou 2,7% no acumulado de 2007, num ritmo mais forte do que o crescimento das pessoas em idade para trabalhar (a partir de dez anos) -2,1%. Em situações normais, os dois indicadores caminham juntos.


    “Esse descompasso acontece porque pessoas que estavam na inatividade estão voltando a procurar emprego, motivadas especialmente pelo aumento da renda e pela expectativa mais positiva sobre o crescimento da economia. Mas o número de vagas não é suficiente para cobrir a maior procura.”


    Segundo o IBGE, o rendimento subiu 3,9% em maio ante o mesmo mês de 2006. Sobre abril, variou 0,3%. A renda média foi de R$ 1.120,30.


    Lameiras disse ainda que o inchaço da PEA pode ser explicado também pelo fato de os jovens não estarem sendo absorvidos. Segundo o IBGE, as pessoas na faixa de 16 a 24 representavam 45% dos desocupados em maio -2,314 milhões.


    Para Azeredo Pereira, a falta de dinamismo do mercado de trabalho afeta mais os jovens, que têm dificuldade de conseguir o primeiro emprego.


    As contratações com carteira assinada subiram 3,9% ante maio de 2006 -mais 329 mil pessoas. Já no caso dos sem-carteira, houve queda de 1,3%.


    O aumento da formalização, diz Azeredo Pereira, ocorre por causa do aumento da fiscalização e do emprego em ramos mais formais como serviços prestados a empresas (que agrupa bancos, consultorias e prestadoras de serviços de manutenção, limpeza e outros). Nesse setor, a ocupação subiu 9% ante maio de 2006.


     

  • Dornelles defende sistema majoritário para eleição de deputados e vereadores

    O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) anunciou nesta quarta-feira (20), em Plenário, a apresentação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 54/07, que modifica a forma de eleição de deputados federais, estaduais, distritais e vereadores, que passaria do atual sistema proporcional – que leva em conta os votos do partido – para o majoritário, em que é eleito o candidato mais votado, a exemplo do presidente da República.



    – O sistema proporcional é um sistema falido, faz com que o eleitor vote em um candidato e veja eleito outro com o qual não tem afinidade – argumentou.



    El

    O senador Francisco Dornelles (PP-RJ) anunciou nesta quarta-feira (20), em Plenário, a apresentação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 54/07, que modifica a forma de eleição de deputados federais, estaduais, distritais e vereadores, que passaria do atual sistema proporcional – que leva em conta os votos do partido – para o majoritário, em que é eleito o candidato mais votado, a exemplo do presidente da República.



    – O sistema proporcional é um sistema falido, faz com que o eleitor vote em um candidato e veja eleito outro com o qual não tem afinidade – argumentou.



    Ele defendeu, para as eleições gerais de 2014, a adoção do voto distrital: cada estado seria dividido em regiões e os deputados mais votados nessas localidades obteriam o mandato, todos tendo vínculo mais forte com a comunidade local. A adoção do sistema majoritário para a escolha dos deputados já nas próximas eleições seria uma transição, e cada um dos estados brasileiros seria considerado um distrito.



    – Para 2010, defendo o sistema “distritão”. Cada estado seria um distrito e os candidatos mais votados seriam os eleitos e ocupariam uma vaga na Câmara – explicou.



    Dornelles fez uma pelo à Casa para que a matéria seja analisada no âmbito da reforma política. A PEC tramita na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e aguarda designação de relator.


    Agência Senado, 20 de junho de 2007.

  • Fecomércio-RJ registra o melhor abril desde 2002 para o setor no Estado

    A Federação do Comércio do Rio de Janeiro acaba de divulgar os resultados da última Pesquisa Mensal do Comércio. O comércio varejista do Estado registrou o melhor abril desde o início da série histórica, iniciada em 2002, contabilizando uma alta de 0,4% no faturamento, ante uma queda de 0,3% do mesmo período de 2006.


    É a primeira vez neste ano que o comércio registra resultado positivo, o que indica uma tendência de melhora no segundo trimestre.

    A Federação do Comércio do Rio de Janeiro acaba de divulgar os resultados da última Pesquisa Mensal do Comércio. O comércio varejista do Estado registrou o melhor abril desde o início da série histórica, iniciada em 2002, contabilizando uma alta de 0,4% no faturamento, ante uma queda de 0,3% do mesmo período de 2006.


    É a primeira vez neste ano que o comércio registra resultado positivo, o que indica uma tendência de melhora no segundo trimestre. A desaceleração da inflação e a valorização do real frente ao dólar – que já vem ocorrendo há alguns meses, porém com um impacto mais forte neste momento – são alguns dos motivos para o resultado positivo. O segmento que mais sentiu a influência dessas variações da economia em abril, puxando o resultado geral, foi o de Concessionárias de Veículos, que teve um avanço de 6,0% no faturamento sobre um crescimento de 0,2% em abril de 2006.


    Cesta de Compras


    Outro levantamento da entidade revela que a cesta de compras – que equivale ao consumo médio de todas as famílias residentes no Estado do Rio de Janeiro – ficou 0,45% mais barata em maio, passando de R$ 304,11 para R$ 302,74. Esta é a segunda queda consecutiva em 2007. 


    Para as famílias com rendimento até oito salários mínimos, a retração foi de 0,53%. Entre as que recebem acima desse valor, a variação foi menos intensa, de -0,39%. Apesar de o valor da cesta ter apresentado retração pelo segundo mês seguido, os gastos das famílias, nestes primeiros cinco meses de 2007, acumularam aumento de 2,52%. Durante os últimos 12 meses, foi apurada inflação de 2,76% no indicador.


    A pesquisa reflete as variações de preços dos 39 itens que mais pesam no orçamento (32 de alimentação, quatro de higiene e três de limpeza), consumidos por famílias de dez diferentes faixas de renda.


     

  • Supremo recebe nova Adin contra Supersimples

    Valor Econômico   Editoria: Legislação   Página: E-2


    O Supremo Tribunal Federal (STF) recebe hoje a segunda ação direta de inconstitucionalidade (Adin) ajuizada contra a lei que criou o Supersimples – a Lei Complementar nº 123, de 2006. À primeira Adin, proposta pela Associação Nacional dos Procuradores de Estado (Anape), se junta agora uma nova ação do tipo impetrada pela Confederação dos Servidores Públicos do Brasil – e apresentada a pedido da Federação dos Auditores de Tributos Municipais (Fenafim).

    Valor Econômico   Editoria: Legislação   Página: E-2


    O Supremo Tribunal Federal (STF) recebe hoje a segunda ação direta de inconstitucionalidade (Adin) ajuizada contra a lei que criou o Supersimples – a Lei Complementar nº 123, de 2006. À primeira Adin, proposta pela Associação Nacional dos Procuradores de Estado (Anape), se junta agora uma nova ação do tipo impetrada pela Confederação dos Servidores Públicos do Brasil – e apresentada a pedido da Federação dos Auditores de Tributos Municipais (Fenafim).


    Tanto os funcionários dos fiscos estaduais como os dos fiscos municipais temem perder poder com a nova regra, que transfere para a Fazenda Nacional a cobrança de tributos locais como o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e o Imposto Sobre Serviços (ISS). 


    Apesar de a nova lei, que ampliou o sistema simplificado de recolhimento de tributos, ter sido elaborada de modo a preservar o orçamento local – há regras complexas prevendo a transferência da arrecadação para os cofres municipais e Estaduais – a administração tributária local quer, com a Adin, evitar a perda de atribuições. Segundo o presidente da Fenafim, Luiz Antônio Barreto, com a lei do Supersimples as administrações tributárias dos municípios vão ficar muito limitadas. Para ele, a nova regra é apenas mais um passo no movimento indicado pela proposta de reforma tributária apresentada pelo governo federal, que pretende centralizar a arrecadação nas mãos da União. 


    Para Luiz Antônio Barreto, a centralização não é uma boa saída, porque enquanto o governo local está mais perto do contribuinte, o governo federal fica muito longe, não somente para cobrar tributos de que não paga mas também para atender os contribuintes. Ele diz que a nova regra pode ainda ferir de morte a organização de administrações tributárias em municípios, sobretudo os pequenos. “Alguns municípios têm apenas um médico. Mas se você centralizar os médicos, isso não significa que o atendimento vai melhorar”, exemplifica. Segundo o presidente da Fenafim, ao perder o poder de arrecadar, os prefeitos não terão para onde recorrer para conseguir verbas se não ao governo federal, perdendo sua autonomia. Segundo a ação patrocinada pela entidade, a lei fere o pacto federativo. 


    A primeira Adin impetrada contra a lei do Supersimples ainda não foi julgada no Supremo. 

     


     




     

  • IPC da Fipe sobe 0,49% na segunda prévia do mês

    Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-5


    O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) subiu 0,49% na segunda quadrissemana de junho, variação 0,09 ponto percentual maior em relação à inflação de 0,40% observada na prévia anterior. Alimentação puxou a alta com avanço de 1,61%, 0,52 ponto percentual superior ao patamar registrado na primeira quadrissemana de junho.

    Gazeta Mercantil  Editoria: Nacional  Página: A-5


    O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe/USP) subiu 0,49% na segunda quadrissemana de junho, variação 0,09 ponto percentual maior em relação à inflação de 0,40% observada na prévia anterior. Alimentação puxou a alta com avanço de 1,61%, 0,52 ponto percentual superior ao patamar registrado na primeira quadrissemana de junho.


    Em seguida vieram os grupos despesas pessoais (0,41%), habitação (0,19%), saúde (0,17%), vestuário (0,13%) que avançou 0,16 ponto percentual após registrar deflação de 0,03% na prévia anterior ? e educação (0,06%).


    O grupo transportes foi o único a apresentar variação negativa de 0,03%. O resultado é 0,14 ponto percentual menor ante a inflação de 0,11%, observada na primeira quadrissemana do mês.


     

  • Demanda interna faz Ipea elevar projeção do PIB para 4,3%

    Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-3


    O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para este ano foi revisado ligeiramente para cima pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 4,2% para 4,3%. Para o próximo ano, o instituto não espera uma significativa aceleração do crescimento e prevê alta de 4,4%.

    Valor Econômico  Editoria: Brasil   Página: A-3


    O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para este ano foi revisado ligeiramente para cima pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de 4,2% para 4,3%. Para o próximo ano, o instituto não espera uma significativa aceleração do crescimento e prevê alta de 4,4%. O principal fator da revisão em 2007 foi o avanço da previsão do consumo das famílias, de 5,3% para 5,7%, que continuará a sustentar a economia junto com os investimentos das empresas, cuja projeção de alta foi mantida em 9%. 


    No setor externo, as estimativas foram ampliadas para as exportações de bens e serviços (de 4,7% para 5,4%) e para as importações (de 17% para 19%). “O destaque ficou para o consumo das famílias, devido ao seu peso no PIB, mas em termos de maiores taxas de crescimento, os destaques são os investimentos e as importações”, disse Fabio Gianbiaggi, economista do Grupo de Acompanhamento Conjuntural do instituto. 


    O setor agropecuário deve crescer 4,5%, taxa inferior à esperada antes, de 6%. O mesmo é projetado para a indústria (de 4,8% para 4,3%). Nos serviços, o prognóstico é de aumento de 4% em lugar dos 3,6% da previsão anterior. No primeiro trimestre deste ano, o PIB subiu 4,3% em relação ao mesmo trimestre de 2006 e o Ipea prevê uma aceleração no segundo trimestre, para 5,5%, embora ressalte haver uma base de comparação baixa no segundo trimestre de 2006. Para os trimestres seguintes de 2007, a projeção é de alta de 3,7%. 


    Também foram feitas revisões – para baixo – da inflação, juros e taxa de câmbio para este ano. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2007 em 3,4% e não mais nos 3,8% previstos antes. A perspectiva do Ipea para os próximos meses é de que a inflação fique dentro de um intervalo “confortável e compatível” com a meta do governo, de 4,5%, com intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para mais ou para menos. 


    Sobre a taxa Selic, a nova projeção é de uma taxa de 10,7% ao ano na média do último trimestre ante os 11,5% previamente estimados. Já a taxa de câmbio projetada para a média do quarto trimestre baixou de R$ 2,21 para R$ 1,99. 


    Em sua primeira estimativa para o PIB de 2008, o Ipea espera crescimento de 4,4%, taxa muito próxima à estimada para 2007. A esperada aceleração do crescimento não deve ocorrer em 2008 devido à manutenção da forte alta das importações, de 18%, impulsionada pelo real valorizado. “O crescimento das importações deve continuar com taxas extremamente elevadas em 2007 e em 2008. Isso ajuda a conter a inflação, mas tira a robustez do PIB”, disse Giambiagi. 


    Assim como em 2007, o PIB do ano que vem deve ser sustentado pela demanda interna, com altas de 5,6% no consumo das famílias e de 9,1% nos investimentos. Entre os setores produtivos, a aposta é de aumentos de 5% na agropecuária, de 4,6% na indústria e de 4,1% nos serviços. 


    O Ipea também divulgou ontem números do PIB potencial, calculados em linha com a nova metodologia do IBGE. Em 2006, o PIB potencial apresentou alta de 3,8%, acima dos 3,1% previstos segundo a metodologia antiga, o que significa que o Brasil pode crescer mais, sem gerar pressões inflacionárias. Para este ano, o Ipea prevê a manutenção da alta do PIB potencial em 3,8%. 


    “Até recentemente, tínhamos trabalhando com uma previsão de alta de PIB potencial de 3%, com um crescimento do PIB em torno de 4%. O hiato do produto em relação ao PIB iria estreitar, gerando pressão inflacionária. Como o PIB potencial cresceu mais, o hiato vai se estreitar mais lentamente, dando mais espaço para o crescimento do PIB sem pressão de preços”, disse Giambiaggi. 


    Outra ponto diz respeito à produtividade, que passou a representar o principal fator para o crescimento econômico entre 2004 e 2006, superando os fatores capital e trabalho, depois da nova metodologia do IBGE. Em 2006, por exemplo, a produtividade contribuiu com 1,8 ponto percentual do crescimento de 3,7% do PIB. 




     

  • Dívida pública piora com aquisição de dólares

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    As compras de dólares do BC (Banco Central) contribuíram para piorar o perfil da dívida do governo federal no mercado interno pelo segundo mês consecutivo.


    Os dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional mostram que a parcela do endividamento corrigida pela taxa de juros subiu de 39,57% do total em abril para 40% no mês passado.

    Folha de São Paulo  Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    As compras de dólares do BC (Banco Central) contribuíram para piorar o perfil da dívida do governo federal no mercado interno pelo segundo mês consecutivo.


    Os dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional mostram que a parcela do endividamento corrigida pela taxa de juros subiu de 39,57% do total em abril para 40% no mês passado. Sem as intervenções do BC, o endividamento corrigido pelos juros teria sido de 36,68% da dívida total.


    Em maio, a dívida federal interna chegou a R$ 1,174 trilhão, registrando um aumento de R$ 22,5 bilhões em relação a maio. Esse crescimento é explicado por vendas de R$ 10,7 bilhões em títulos e pagamentos de juros de R$ 11,8 bilhões.


    O câmbio valorizado, em compensação, teve um efeito positivo sobre o valor da dívida externa, que caiu R$ 9,1 bilhões e encerrou maio totalizando R$ 125,38 bilhões.


    O fortalecimento do real diante do dólar reduziu o endividamento em R$ 4,4 bilhões. Os outros R$ 4,7 bilhões de redução foram obtidos graças às compras de títulos externos feitas pelo Tesouro Nacional neste ano.


    Para tentar conter a queda do dólar, o BC usa operações conhecidas como “swap reverso”, que equivalem a uma compra de dólar no mercado futuro. Na prática, o governo faz um contrato com os investidores se comprometendo a pagar a variação dos juros num determinado período e recebe, em troca, a variação do câmbio.


    Como a operação exige que o governo pague os juros aos investidores, a composição da dívida piora, com a elevação da parcela corrigida pela taxa Selic.


    “Considerando que a trajetória dos juros é de queda, esse aumento na dívida atrelada aos juros não chega a ser preocupante”, diz o economista-chefe do Banco Itaú, Tomás Málaga.


    Se o efeito da atuação do BC for desconsiderado, as estatísticas da dívida pública mostram melhora em indicadores importantes.


    Os títulos que têm a taxa de juros definidas no momento da venda, os chamados prefixados, aumentaram sua participação de 36,17% da dívida total em abril para 37,02%, o que faz com que a meta fixada pelo Tesouro Nacional para este ano, que é de 37%, seja cumprida.


    “O percentual de títulos prefixados superou o de pós-fixados e a nossa expectativa é que isso se mantenha até o fim do ano”, disse o coordenador-geral da dívida pública, Guilherme Pedras.


    Além disso, o prazo médio dos papéis vendidos aumentou de 32,69 meses para 33,28 meses de abril para maio e os juros pagos na dívida interna caíram de 12,86% ao ano para 11,99% ao ano na comparação mensal. Anteontem, o Banco Central divulgara que a relação dívida/ PIB em abril caíra a 44,5%, o menor índice registrado no governo Lula.


    “Isso incomoda o aumento dos títulos corrigidos pela taxa de juros. Mas tirando, esse efeito, o resto está bem encaminhado e as metas contidas no plano de financiamento do Tesouro Nacional devem ser cumpridas”, afirma a economista do Banco ABN Amro Tatiana Pinheiro.


     

  • Emprego formal cresce 18,8% e bate recorde

    O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-8


    Favorecidas pelo ritmo mais intenso de crescimento da economia, as empresas brasileiras abriram 913,8 mil vagas com carteira assinada de janeiro a maio deste ano, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.


    O resultado, recorde na série histórica iniciada em 1991, significou um aumento de 18,8% na comparação com os postos de trabalho criados no mercado formal em igual período do ano passado.

    O Estado de São Paulo  Editoria: Economia  Página: B-8


    Favorecidas pelo ritmo mais intenso de crescimento da economia, as empresas brasileiras abriram 913,8 mil vagas com carteira assinada de janeiro a maio deste ano, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.


    O resultado, recorde na série histórica iniciada em 1991, significou um aumento de 18,8% na comparação com os postos de trabalho criados no mercado formal em igual período do ano passado. Somente em maio deste ano, o Caged registrou um acréscimo de 212,2 mil vagas na economia, um número 6,3% superior ao verificado no mesmo mês do ano passado.


    O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, avaliou ontem que o ‘ritmo intenso’ das admissões dos cinco primeiros meses do ano pode começar a se reduzir no segundo semestre. Mesmo assim, Lupi aposta que 2007 terá ‘o maior número de criação de empregos formais da história do Caged’.


    Para isso, o dado terá de superar o ano 2004, quando 1,5 milhão de vagas foram abertas no mercado de trabalho. No período de 12 meses encerrados no mês de maio, o Caged acumula um saldo de 1,374 milhão de novos empregos.


    Expansão Geral


    Todos os setores da economia, em maio, apresentaram expansão nas contratações com carteira assinada. E todas as regiões do País contrataram mais pessoal do que demitiram, com São Paulo ocupando o primeiro lugar entre os Estados, com a abertura de 81,4 mil novos postos de trabalho.


    Em relação a abril passado, no entanto, quando a abertura de postos de trabalho atingiu o pico deste ano, com mais 301,9 mil empregos, o ritmo de admissões se desacelerou em maio, o que foi atribuído pelo ministro a ‘questões sazonais’.


    O setor agropecuário, em maio, abriu 80,3 mil vagas, explicadas pelo início do cultivo das lavouras de café e de cana-de-açúcar. Por causa do crescimento expressivo na atividade de plantação de cana-de-açúcar, o Ministério do Trabalho anunciou que em julho intensificará a fiscalização para coibir o trabalho em condições degradantes nesse segmento. De janeiro a maio, a agropecuária criou 172,1 mil postos.


    Indústria e Serviços


    A indústria foi responsável pela abertura de 57,5 mil novas vagas em maio, superando em 18% o resultado do mesmo mês do ano passado. No acumulado do ano, já são 271,7 mil empregos a mais.


    No setor de serviços, foram criados 39,5 mil novos postos formais de trabalho, com destaque para os serviços de comércio, administração de imóveis, transportes e comunicações. Mas em maio do ano passado o setor havia empregado mais: 52,3 mil pessoas. Na construção civil, foram abertos 13,7 mil postos, menos que os 16,2 mil de maio de 2006.


    O Caged é um cadastro mensal em que são registradas todas as demissões e as contratações realizadas pelas empresas privadas. Ficam fora da estatística o setor público e os empregados domésticos.



  • Registro em carteira cresce e diminui o déficit do INSS

    Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    O desempenho favorável do mercado de trabalho formal fez com que a arrecadação da Previdência Social passasse a crescer em taxas superiores às das despesas com o pagamento de benefícios neste ano. De janeiro a maio, a receita previdenciária aumentou 10,3% em relação a igual período de 2006. As despesas, 9,3%.


    “Neste ano, estamos vendo uma evolução mais favorável da arrecadação.

    Folha de São Paulo   Editoria: Dinheiro  Página: B-3


    O desempenho favorável do mercado de trabalho formal fez com que a arrecadação da Previdência Social passasse a crescer em taxas superiores às das despesas com o pagamento de benefícios neste ano. De janeiro a maio, a receita previdenciária aumentou 10,3% em relação a igual período de 2006. As despesas, 9,3%.


    “Neste ano, estamos vendo uma evolução mais favorável da arrecadação. É o primeiro ano em que a receita cresce em taxa superior à da despesa”, afirmou ontem o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer. No ano, a arrecadação líquida já soma R$ 52,221 bilhões, enquanto as despesas totalizam R$ 69,729 bilhões.


    A diferença entre receita e despesa, no entanto, ainda resulta em déficit expressivo: R$ 17,507 bilhões. O número, em termos reais, é 6,5% maior que o verificado no período de janeiro a maio de 2006.


    “Esse crescimento está dentro das nossas projeções. É reflexo do aumento do salário mínimo, que vem sendo reajustado acima da inflação.”


    No mês passado, o caixa da Previdência sofreu o primeiro impacto do reajuste do piso salarial em 8,57% a partir de abril deste ano. Na mesma data, foram corrigidos pela inflação os benefícios previdenciários acima do salário mínimo.


    Por causa dos reajustes, o déficit de maio alcançou R$ 3,349 bilhões -aumento de 16,6% em relação a abril. Quando se compara o resultado com o de maio do ano passado, constata-se queda no déficit.


    A Previdência justifica a queda com a melhoria do mercado de trabalho neste ano. Isso impulsionou a arrecadação, que atingiu valor histórico no mês passado. Em maio, a receita previdenciária alcançou R$ 10,837 bilhões, maior valor registrado em um mês -exceto os meses de dezembro, quando há recolhimento de contribuições sobre o 13º e sobre o salário de novembro.


    “Nunca arrecadamos tanto em um mês. Ficou acima do esperado”, declarou Schwarzer. Ele também se surpreendeu com o desempenho das despesas. Embora já fosse esperado aumento dos gastos por conta da elevação do salário mínimo e da correção dos demais benefícios, o valor verificado ficou abaixo do previsto.


    Com as surpresas do mês, a Previdência decidiu rever as projeções para o ano pela quarta vez. O déficit estimado para 2007 agora é de R$ 44,755 bilhões -e não mais de R$ 46,4 bilhões, adiantou o secretário.


    “Foi um resultado favorável, pois, mesmo com o aumento do mínimo, o déficit de maio ficou abaixo de R$ 3,7 bilhões, como estamos prevendo. Isso mostra o aumento da massa salarial e dos índices de ocupação formal, elevando a arrecadação da Previdência”, avalia Denis Blum, analista da Tendências. Ele afirma que a consultoria também revisará suas projeções para o ano, mas avisa que o número será menos “otimista” que o do governo.